A NOVA CLASSE EXPLORADORA


Cresci com a ideia dos senhores de cartola alta a quem chamavam capitalistas que eram os exploradores da classe oprimida e que impediam o povo de viver feliz. Coisas do seu tempo…
Lembrei-me disto quando vi esta imagem e penso que hoje, passados 30 anos a classe exploradora mudou.
Existe um sentimento comum contra a classe politica, que têm rendimentos, mordomias, privilégios, reforma depois de 12 anos de serviço, subsídios de reintegração quando saem do parlamento, etc, etc. Os gestores das grandes empresas de capitais públicos com ordenados absolutamente obscenos, que recebem chorudas indemnizações quando perdem o lugar, os administradores dos Institutos Públicos, dos Organismos, das Direccções Regionais, das Empresas Municipais, os milhares de assessores de toda a sorte, os Autarcas, etc, etc. Todas as classes profissionais do Estado, desde Juízes, Médicos, Professores, etc, etc. Todos os que têm um lugar, um cargo, no aparelho do Estado, muitas vezes por serem do partido certo ou pelas amizades. Aqueles que acumulam pensões do Estado, dão pareceres, etc, etc.
Não condeno essas pessoas. São, com certeza, competentes, trabalhadores e eficazes. E todos queremos o melhor da vida. Repito: não condeno as pessoas. Condeno toda a organização da nossa sociedade que permitiu chegar a isto.

Digamos que hoje em Portugal há dois tipos de pessoas: os que vivem dentro do Estado e os outros. É a nova classe exploradora.

Saúdinha

Há Lá Melhor Maneira de Começar o Dia.

Adicionei à barra dos links o fascinante E Deus Criou A Mulher

Coisas Que Realmente Precisam de Ser Reformadas



Não conheço as propostas que se discutem sobre as alterações ao sistema eleitoral. Não domino os conceitos e os algoritmos que estão subjacentes aos diversos métodos que poderiam ser aplicados.

Mas sei que o actual quadro da AR não cumpre os requisitos. Os eleitores não sabem quem elegem e os eleitos não sentem a obrigação de defender quem os elegeu (e mesmo que quisessem os espartilhos partidários também não os deixavam). O dia-a-dia do Parlamento não serve para nada (no outro dia levei a minha filha a visitar a AR e depois fomos ver um bocadinho da sessão parlamentar: sem comentários).

Concordo com o Alex. Também a mim, e apesar das críticas mais comuns, parece-me que os círculos uninominais seriam um contributo para a correcção de alguns dos problemas. Claro que teria de se acautelar a proporcionalidade e a representatividade, introduzindo as necessárias variantes ou correcções, mas no geral acho que seria um sistema mais humano. Além de dar aos independentes possibilidades reais de serem eleitos.

Por Detrás de Um Grande Deputado ....



O artigo no Expresso sobre o “lobbying” mostra bem como é encarado o sistema de declaração de interesses e a ética dos Deputados da Nação; ou seja, à Portuguesa.

Para eles basta-lhes que o seu comportamento não possa ser posto em causa ao abrigo da Lei. Para eles a Ética da Republica é a Lei. Para eles não existe nenhuma Lei moral à luz da qual possam ser julgadas as suas artimanhas que, inclusive, podem prejudicar aqueles que os escolheram para estarem onde estão.

Eles não têm nenhum pejo moral em prejudicar os interesses do povo que os elegeu. Desde que cumpram a Lei…

Plano Individual de Leitura


Passei grande parte de minha meninice a ler quantidades alarves de Patinhas. Um dia lá me decidi a ler um livro sem bonecos, e da estante de minha casa escolhi o mais grosso que por lá andava: saiu-me o Prémio, do Irving Wallace.

Este pequeno acto e o fascínio daquela primeira experiência deu inicio a uma grande aventura. A partir daí os restantes livros da estante começaram a ser lidos avidamente e trocados com os dos amigos, com quem depois se comentavam personagens e histórias: as aventuras do Papillon ou as guerras do Larteguy (que quase me levaram a alistar na Legião Estrangeira!), os épicos do Leon Uris ou os três volumes dos Ventos de Guerra (que circularam pela rapaziada num complexo exercício de logística para que se conseguisse assegurar as precedências), as malandrices do Henry Miller ou clássicos como os Thibault ou O Fio da Navalha, as incursões mais filosóficas do Orwell, Huxley e Kundera ou as lindíssimas histórias do Gabriel Garcia Marquez. Na escola liam-se os Portugueses Eça, Camilo, Júlio Diniz …

E assim, através dos livros, se foi formando a minha visão do mundo.

É fundamental que os jovens leiam. Mas, o gosto pela leitura tem que ser um acto voluntário, não se pode impingir ou decretar. Não me lembro que o meu pai me tenha alguma vez tentado impingir alguma leitura (era a maneira mais certa para que eu nem sequer pensasse em pegar nela). Já cheguei a ver algures a ideia peregrina de que se fecharmos uma criança num quarto só com um livro ela acabará por lê-lo; por mais figurativa que esta ideia possa ser, nao creio que seja por aqui.

Entao como é? Eu cá nao sei!

Às Barricadas!



O Rantas continua a sua carga contra o Merdex. Depois de Revolucionários, agora somos Subversivos.

Desta vez chegou ao ponto da achincalhação, com graçolas fáceis sobre as idades dos escribas deste arauto da Liberdade.

Fica sabendo, oh Reaccionário, que as tuas investidas só fortalecem ainda mais a nossa férrea vontade de continuar a luta por uma sociedade mais justa!

O DILEMA DE DONA JÚLIA

D. Júlia é uma senhora muito bem, viúva e bem de vida que mora no centro de Lisboa.
É PSDista ferranha.
Em tempo de campanha coloca o arraial laranja na sua varanda, 6 bandeiras nos mastros, vem para a rua distribuir panfletos toda enfeitada de chapéus, lenços, aventais e que tais.
Já privou com os grandes do Partido. É fã do Pedro, mas conhece bem José Manuel e até esteve com Cavaco.
Esteve empenhadíssima na campanha de Carmona e chegou mesmo a enfrentar o pedante Carrilho.

Hoje em dia anda com grande dilema: vai votar em quem? No seu Carmona, naquele rapaz, que é sobrinho-neto do Marechal, tão correcto e que andam agora a tramá-lo com aquelas complicações… ou no Fernando Negrão que não lhe diz nada, mas que o partido apoia…Não pode votar nos dois…

Ó Dona Júlia não hesite… Vote naquele que realmente quer! Tem que ser assim. Temos que votar nos que cremos, naqueles que queremos, vamos acabar com os agrilhoamentos dos partidos.

Votem nos vossos candidatos, não nos partidos! Seria, na minha opinião, um progresso na nossa Democracia, que os partidos do poder não obtivessem bons resultados. Depois do que aconteceu entre Soares e Alegre era mais um passo no sentido de se deixar de discutir política como se de Benfica-Sporting se tratasse.

Saúdinha

Há Coisas que Realmente Irritam

Como todos, também eu já tive as minhas experiências de contactos com a Administração Pública. No entanto não há momentos que me irritem mais do que quando tenho que ir ao Consulado/Embaixada.

O público é essencialmente composto por emigrantes, visivelmente intimidados pelo facto de irem ter de lidar com os serviços da Republica mas ao mesmo tempo entusiasmados por estarem a confirmar os laços que os une ao país que é o seu. Em troca da timidez com que se dirigem ao balcão recebem uma iluminada soberba dos pedantes funcionários, exemplos máximos do nosso provincianismo bacoco, que nem sequer se dão ao trabalho de disfarçar o enfado com que explicam os “simplíssimos” processos da burocracia do nosso Estado. Dali nem um pouco de complacência para com o facto de alguns dos utentes nem dominarem completamente o Português, além de estarem habituados a lidar diariamente com uma outra administração onde os processos são naturalmente diferentes.

Por outro lado, se eu chegar vestidinho com o meu Armani cinzento, falar com palavras que eles não percebem e os olhar de cima para baixo, tratam-me logo por Doutor e se for preciso ainda me vão buscar o cafezinho.

Benditos representantes da Nação!

Eu Também Preciso de Um Assessor de Imagem




Hoje em dia não há entrevista em que não seja perguntado se, em pequeno, o entrevistado andou por ai a fumar charros.

Esta tendência tem-me deixado preocupado. Será que quando eu me tornar numa figura pública e me perguntarem, eu deva admitir que quando era chavalito andei a “tocar às campainhas e fugir”?

I cleave to no system. I am a true seeker.



Ali, num comentário lá mais para baixo, o Rantas aponta o dedo ao Merdex e alcunha-nos de “revolucionários”.

Não nos intimidas!

É importante lembrar que o Merdex nasceu da mais pura tradição anarquista (que aliás está na base do seu mote) e que sempre teve na sua linha editorial a irreverência dos inconformados.

É claro que hoje os seus fundadores aburguesaram-se (os outros, porque eu não….só engordei um ‘bocadinho’) e perderam algum do fulgor de então. Mas, no fundo, no fundo ainda guardam restinhos dos ideais que então os motivavam.

Post de Circunstância

O tempo está melhorzinho, está sim Senhor!

Tempo de Antena



Ontem vi o debate dos candidatos à CML na SIC Noticias. Reforcei a minha convicção: Voto Roseta.

O Costa é mais do mesmo, o Carmona é mesmo o mesmo, o Negrão é demasiado escuro (não consegui ali ver nada) e nenhum dos outros (o Zé, o Telmo ou o Ruben) conseguiu sobressair.


PS: Continuo fascinado pelos olhos tristes da Ana Lourenço.

História do Séc XXI

1. Os Três Pólos da Terceira Era: Transportes/Comunicações, Comércio e Conhecimento

Depois de um período de acesa discussão sobre a construção de um novo aeroporto, o então Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, é demitido e substituído por Zé dos Plásticos. Este novo ministro revolucionou completamente o então Governo de José Sócrates e lançou as fundações da Terceira Era de Portugal, periodo que marcou a segunda metade do séc XXI.

Aproveitando a discussão sobre a localização do novo aeroporto, o Ministro Zé dos Plásticos lançou um vasto estudo de onde saiu uma reformulação completa do sistema de transportes e comunicações de Portugal. Este novo sistema, essencialmente marcado por uma forte intermodalizacao, em conjunto com uma mudança na orientação da economia nacional, reforçando a importância do comércio e dos serviços a ele associados e das industrias de grande valor acrescentado, tornou Portugal numa das grandes plataformas comerciais do mundo e criou as condições para que a industria portuguesa dos transportes se afirmasse como uma das mais importantes em termos mundiais. Ambos os factores permitiram ultrapassar o período de relativa estagnação económica e alicerçar a competitividade da economia portuguesa. Portugal conseguiu assim aproveitar da melhor maneira os efeitos da globalização.

Na base desta Terceira Era estiveram também profundas alterações politicas que criaram o necessário enquadramento para a retoma económica: a restauração da monarquia constitucional foi decisiva para uma nova coesão social que permitiu a definição de novos desígnios nacionais; a alteração do sistema político para um sistema fortemente descentralizado e baseado na responsabilização das autoridades locais multiplicou a implementação de soluções originais para os problemas mais comuns; uma nova Constituição livrou-se de conceitos anacrónicos e adaptou-se aos novos, lançando as bases de uma nova modernidade.

O terceiro factor decisivo da Terceira Era foi a reforma do ensino. Depois de três décadas de permanentes reformas, o sistema de ensino nacional livra-se definitivamente do cunho revolucionário e liberaliza-se e descentraliza-se. Estes dois factores permitiram o surgimento de inúmeras iniciativas locais de grande sucesso que conseguiram aliciar e solidificar importantes pólos de conhecimento que, no seu conjunto, deram a Portugal a necessária massa cinzenta para as restantes reformas e criaram ainda uma florescente indústria do conhecimento e um importante centro de excelência a nível mundial.

(continua…)

Cry Freedom



A Liberdade é um valor Natural. Não é necessário nenhuma formalização para a consagrar, e não há forma de a revogar. Nascemos como homens livres; morremos como homens livres.

Aceito que haja períodos durante a nossa vida em que, por vontade própria ou por força de coerções externas, possamos ter a nossa Liberdade mais ou menos condicionada.

No entanto, estes períodos ou episódios em que, parcial ou totalmente, nos vemos privados da nossa Liberdade servem apenas para reforçar ainda mais o seu valor.

A luta pela nossa Liberdade deve estar firmemente presente no nosso dia-a-dia.

Devemos ensinar isto aos nossos filhos! *



*Não me responsabilizo por eventuais levantamentos populares infantis.

Post de Circunstância

O tempo está uma Merda!

Este gajo é de Olhao e mora na Boa Vista

Ontem no Debate da Nacao (RTP1) ouvi o Rosas defender qualquer coisa como "com a gestao privada da ANA correriamos o risco de que os aeroportos nacionais nao tivessem taxas competitivas."

Oh Rosas está bem visto! É evidente que esses malandrecos fariam de tudo para que nem um teco-teco cá quisesse vir!

Lá se vai o pulmao do Costa



Segundo o Semanário Económico de 15-06-2007 o Governo nao pode considerar estudar a hipotese Portela+1 porque necessita da receita das vendas dos terrenos da Portela para financiar a construcao do novo aeroporto.

Coisas Que Realmente Impressionam

O que mais me impressionou no caso da Universidade Independente foi ter tomado consciência de que havia Universidades com cursos de Engenharia Civil sem sequer terem laboratórios.

Eu que sempre olhei para os edifícios do Técnico com aquela admiração de quem imagina que no seu interior se escondem máquinas complexas onde os nossos futuros engenheiros aprendem, através da experimentação, os problemas da hidráulica ou os segredos das resistências das estruturas, descubro que afinal qualquer salita de aula serve para se ensinar a construir casas.

I Think I Would Like a Cup of Tea.



No outro dia fui a Londres assistir à cerimónia de graduação do meu sobrinho/afilhado, que terminou o seu mestrado no Imperial College (uma das mais conceituadas universidades na área da Engenharia).

Ficam-me duas notas:

1. A pompa e circunstância da cerimónia são uma reverência à tradição. Este respeito está fortemente enraizado nos Britânicos e é uma componente importante na sua cultura. É com estas coisas que se alimenta a cultura de um povo.

2. Dos cerca de 1400 Mestres que completaram cursos de Engenharia neste ano cerca de 80% eram Asiáticos e grande parte deles regressa ao seu país. No comments!

Tudo na mesma como a lesma!




Apesar de toda a gente saber que tudo vai continuar na mesma o António Costa vai ser o próximo Presidente da Câmara de Lisboa; Apesar de toda a gente saber que tudo vai continuar na mesma os PS/PSD’s vão ganhar as próximas eleições legislativas; Apesar de toda a gente saber que tudo vai continuar na mesma o Cavaco Silva vai ter um segundo mandato …

Por outro lado....



A ideia de que o Governo só aceitou isto para livrar o Costa de embaraços é engraçada.

Chapelada

O Meu Amigo António (2)

O Meu Amigo António explicou-me as razoes que levaram o Governo a mudar de posição em relação às alternativas à Ota:

- Então tu não sabes que o Sócrates andou metido em trafulhices no caso Freeport?! Pois é, agora os Ingleses ameaçaram que se xibavam se o gajo não fizesse o aeroporto lá ao pé (piscadela de olho marota)! Essa história do estudo financiado não se sabe por quem é tudo tanga….

Desculpem, mas já estava com saudades!

Desblindagem dos Estatutos




Algum dia teria que acontecer!

O Merdex abre-se finalmente ao mundo, e a partir de hoje altera as regras internas que até aqui limitavam a linkagem de blogs.

Em sede própria foi decidido que cada contribuidor poderá escolher três blogs que serão listados na respectiva barra dos favoritos, ali à direita.


PS: caros contribuidores façam o favor de, se assim o desejarem, criar uma pequena secção com os vossos blogs favoritos. Alternativamente, no caso de dificuldades técnicas, podem enviar-me os nomes dos vossos blogs que eu cá me encarregarei de os listar.

O Dilema Moral




O Alex diz ali em baixo que A ÉTICA DA REPÚBLICA É A LEI!
É verdade que na altura não comentei, mas não concordo com a posição (a polémica faz parte da nova estratégia de marketing do Merdex).

A posição do Alex toca um relativismo que não partilho e que, na minha opinião, abre a porta a situações que nunca poderia tolerar. Ao negar a existência de uma moral fora da lei o Alex está precisamente a fazer o que não queria: está a impedir o livre arbítrio de distinguir entre o Bem e o Mal e está a entregar, de bandeja, esta distinção a terceiros.

Quando diz que “Nada impede que cada um, individualmente, possa agir conforme a Ética. A sua.” não é verdade: na sua óptica há – é a Lei!

Compreendo que o Alex odeie “todos os grupos moralistas que julgam ter a Verdade”. Eu também os odeio (!); mas isso tem mais a ver com uma questão de mentalidades do que com um dilema moral.

Visionários



Quando, em tempos lá mais para baixo, se discutiu neste blog a questão das dicotomias esquerda/direita, a generalidade das opiniões foi no sentido de que hoje se tornou mais relevante falar de uma dicotomia entre “os que defendem a mudança”/”os que são contra a mudança” (Manolo dixit).

Nos últimos dias tem sido muito comentado um artigo do Tony Blair (julgo que na Economist) em que ele refere algo como: hoje, tão importante como a discussão entre esquerda/direita, é a discussão entre aberto/fechado.

O Merdex sempre à frente do seu tempo!

Pedacocos



Irrita-me profundamente a orgia de opinices sobre como se deve educar, ensinar, lidar, compreender, …. pentear, vestir,… os bebés, as crianças, os jovens, os adolescentes….

Mas afinal qual era mesmo o problema, antes destas iluminadas teorias?

Declaracao de Voto

Tareão

Fim-de-semana é tempo de lar os jornais. Quando acabo sinto-me como se tivesse levado uma valente carga de porrada.

Esta semana fui logo atingido por uma cabeçada da Bragaparques, depois levei uns directos do Ministério Publico e umas biqueiradas valentes do Governo. Já quase no chão ainda encaixei uma joelhada do Ministério da Educação e no fim, só mesmo pelo gozo, ainda tive que aguentar uns carolos dos candidatos à CML….

Lugares-comuns.....



O contrato cidadão/Estado está inquinado por um passado em que o Estado se foi apoderando de uma grande parte da capacidade de decisão individual dos cidadãos. Fê-lo coercivamente (Estados absolutos, fascistas, comunistas e quejandos), e mesmo depois de perder algumas dessas suas características autoritárias não devolveu aos cidadãos toda essa individualidade que lhes foi roubando.

Hoje é evidente a incapacidade do Estado para gerir com eficácia este contrato e dar respostas rápidas e eficientes às complexas solicitações que lhe vão sendo pedidas.

A redefinição dos modelos, com o objectivo de criar uma sociedade mais justa e equilibrada, tem que começar por uma redefinição do papel do Estado!

Mai nada!

O Meu Amigo António




Por motivos puramente circunstanciais almoço quase todos os dias com um colega Português, de seu nome António (nome verdadeiro).

O meu amigo António acumula todos os defeitos de personalidade em que eu possa pensar, e é por isso que eu o utilizo como o meu Barómetro da Estupidez (ou seja, quando quero verificar a sensatez de alguma ideia eu comento-a com ele: se a resposta é o habitual comentário idiota, está tudo bem; se pelo contrário ele concorda, então algo está mal e eu regresso ao meu gabinete, pensativo e a tentar descobrir as enfermidades da minha consideração).

Hoje decidi comentar com ele uma reportagem publicada na Sábado da semana passada sobre pedofilia. A reportagem é revoltante e ao mesmo tempo assustadora (uma jornalista fazendo-se passar por uma miúda de 12 anos foi imediatamente assediada e convidada para conversas e encontros com adultos). Curioso, decidi submete-la ao Barómetro: depois de uma ténue concordância sobre a gravidade do problema (que me chegou a preocupar), logo veio a sentença final:

“pois é, pá, mas também tens que ver que hoje as miúdas andam por aí com umas mini-saias que quase lhes deixa ver o rabo…… e depois admiram-se!”

Confesso que desta vez tive que me conter para não o mandar para o c****! mas depois controlei-me… em favor da manutenção do meu “disfarce”.

Ainda tentei argumentar mas estou certo que sem nenhuns resultados. Aliás nestes casos acho que resultados, resultados… só mesmo com a castração!

Viva Portugal.




As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando
Cantando espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

-- Luís de Camões,
Os Lusíadas (1572)
Canto I, 1--2

A beber

Isto de discutir politica sem se beber nada é que nao pode ser.



Recomendado! Só mesmo com um pinguinho de água...

Todos ao molho e fé na Europa!



Mini, médio ou grande a Europa precisa de um novo tratado em forma de Constituição!
A melhor forma de legitimar este tratado é através de um sufrágio directo, universal e feito simultaneamente em todos os países membros!
Mai nada!

Vote For Me!

1. Os sistemas descentralizados são uma das chaves de sucesso em algumas das áreas que tem tido índices de desenvolvimento mais significativo (comunicações, gestão, sistemas computacionais, …) porque permitem uma gestao dos recursos mais eficaz.

2. Regra geral, os sistemas mais pequenos e menos complexos sao mais fáceis de gerir.

3. Em última análise um autarca tem sempre como objectivo aumentar o número de constituintes da sua congregação.

Objectivo: criar um sistema descentralizado, assente no princípio da subsidiariedade, que fomente a competição entre autarquias para que estas se sintam estimuladas a atrair mais habitantes. O desenvolvimento regional que advém desta competição, e o próprio fluxo de populações que ela pode originar, servirão de mola impulsionadora ao desenvolvimento Nacional.

Proponho:

Transferência de competências para as Autarquias: Fiscalidade, Segurança, Obras Publicas, Trabalho e Segurança Social, Saúde, Educação, Cultura, Turismo, … (enfim, praticamente tudo!)

O Estado:
- Assegura a Defesa, Justiça, Politica Externa
- Apoia uma rede de Agencias Nacionais que actuam em áreas onde não se justifique ou não faca sentido a multiplicação de serviços locais (i.e. Defesa do Consumidor, Qualidade Ambiental, Imigração, …)
- Gere um Fundo de Coesão (segundo os mesmos princípios do da EU)
- Gere as Finanças Nacionais de forma a garantir os nossos compromissos internacionais
- Estabelece metas e bandas de convergencia em algumas áreas (niveis de educacao minimos, salário mínimo, ...)


(como não percebo muito de finanças nao opino sobre como financiar o Estado, mas algum sistema haveria de se encontrar…)

O Governo passa a ser eleito directamente (os partidos apresentam as listas do elenco governativo e respectivo programa; o sistema é aberto a listas independentes). O Parlamento Nacional é constituído proporcionalmente por representantes das Autarquias.

Eu nao queria mesmo falar da Ota ... mas já que me perguntam:

A minha solucao é Portela+1

1. Manter a Portela e adequá-la principalmente para os sectores do low-cost e business aviation (os dois sectores que tem sido, e vão continuar a ser, os responsáveis pelo aumento do tráfego aéreo). Adequá-la significa, por exemplo, reduzir os serviços aos mínimos para reduzir igualmente as taxas de aeroporto (factor essencial no planeamento de rotas das companhias low-cost)

2. Construir um segundo aeroporto vocacionado para: voos intercontinentais (longo-curso), para os passageiros em transito e para serviços relacionados com a actividade aeronáutica (manutenção, construção, treino, formação, …).

As vantagens desta solução:

A. O facto de manter a Portela em operação com baixas taxas de aeroporto permite continuar a promover Lisboa como um destino low-cost, city-break, congressos, … como permite também um acesso fácil aos homens-de-negócios que cada vez mais viajam em business-jets.

B. O novo aeroporto vai permitir a operação dos grandes aviões e dar as condições à TAP para poder continuar a concorrer por um lugar de destaque nas ligações com a América do Sul (é natural que as taxas neste aeroporto sejam mais altas mas estas taxas mais altas são mais facilmente diluídas nos custos dos voos de longo-curso). Permite ainda afastar do centro urbano de Lisboa os aviões mais poluentes. Permite também potenciar a região onde estiver localizada como um cluster para a industria aeronáutica (sector de grande valor acrescentado em que eu acho que Portugal pode e deve ganhar mais destaque).

Esta solução distingue três fluxos distintos de passageiros e permite adequar os serviços às características particulares a cada um dos fluxos: um de viagens curtas em que o tempo para chegar ao destino final é muito importante; um de viagens longas onde este tempo fica mais facilmente diluído no tempo total da viagem; e outro de passageiros em transito que regra geral nem saem do aeroporto.

O argumento que ouvi até agora contra o Portela+1 é que não é economicamente viável porque duplica os custos. Não percebo a objecção.

Nota final: a aviação Europeia vai entrar na revolução mais importante de toda a sua história. Eu compreendo a urgência da decisão de começar a construir o novo aeroporto (ou melhor, não compreendo mas pronto….) mas achava talvez mais sensato ver primeiro o desfecho destas importantes mudanças antes de colocar a primeira pedra.

Ora atao vamos lá a ver se o blog anima.



Nem que seja para discutir o sexo dos "anjos" ....

Eu nao quero falar da Ota mas ....

Fazer umas análises tipo custo-beneficio de duas ou tres opcoes (como tem vindo a ser proposato) parece-me acertado.

Nao quer dizer que depois a decisao politica vá necessáriamente no sentido da opcao mais barata, mas o contribuinte tem direito a saber qual o delta que vai pagar por o Governo ter optado por determinada solucao.

A existencia de um enquadramento que obrigue a que se apresente publicamente as relacoes custo-beneficio dos investimentos publicos parece-me uma boa ideia.

Eu nao gosto de economes; gosto é de perceber as coisas!

Uma questao de justica....

"Menos férias que na Europa" , Diário Notícias de 05-06-2007

Ah! Voces querem fruta ?! Entao toma lá ......

"Portugueses são quem mais falta por doença", Diário Económico de 05-06-2007

FAIT DIVERS



- É próprio de quem não está bom da cabeça!

Com esta sentença Marques Mendes deu uma cotovelada no ministro e em todo o seu governo! Imagino as parangonas dos media …
Aparentemente, uma Senhora Directora de Educação decidiu suspender um professor porque um “delator” vulgo bufo, lhe ter dito qualquer coisa que o antigo deputado do PSD, o Charrua, teria comentado acerca do Sr. Sócrates... Se ao menos fosse o bufo que tivesse um processo disciplinar...

O nosso ilustre ministro das Obras falou desdenhosamente da margem sul, comparando-a a um deserto, ficando nos anais a sua frase: O Aeoroporto na margem sul? Jamais! Jamais (à francesa). É claro que temos que entender. Foi a seguir a um bom almoço…

Santana não perdeu tempo e deitou o seu veneno sobre os da sua côr: Atitudes estalinianas, próprias dos nazis e das ditaduras... Não faz a coisa por menos o nosso amigo Flops.

A nossa política fervilha… As eleições para Lisboa estão aí e a coisa promete. Cada partido está acossado por um Independente da sua área e são umas eleições muito sérias.
Mas temo que este “desfile de vaidades” não deixe discutir os problemas e as soluções da cidade.

É tempo de acabarem com os fait divers! É tempo de se fazer política! É discutir os números conhecidos, por exemplo, da nossa taxa demográfica. Cada mulher gera 1,4 crianças na sua vida. NÃO CHEGA! Assim acabamos. Temos o PIOR número da Europa! Daqui a 30 anos, UM TERÇO da população tem mais de 65 anos! Todos sabemos o significado disto, ou não? A nível de sistema público de saúde ou de pensões de reforma? E no entanto… a nossa politiquice fervilha de episódios, mas a Política…

O novo Aeroporto faz-me lembrar outros processos. Alqueva foi estudado no tempo da outra senhora e só se concretizou passados quase cinquenta anos!
A propósito da OTA, quero dizer o seguinte: não conheço os estudos, nem os planos financeiros nem conheço o negócio do transporte aéreo. Mas sei o seguinte: o novo aeroporto já se discute há mais de uma década, pelo menos. E uma coisa é certa, pelo que me é dado a ver, pois oiço, vejo e leio o mundo, como todos: Lisboa precisa de um aeroporto novo. E o mais rápido possível. Se alguém tem outra ideia em relação a isto que explique.
Outro facto é que após os estudos, em 2000, o projecto do Aeroporto da Ota foi decidido, entregue em Bruxelas como projecto priopritário. As coisas foram andando e passados 3 governos (!) levanta-se o país inteiro contra a Ota. Conheço todos os contras desta obra faraónica embora o que não saiba é quais são as alternativas. É que são tantas que desconfio que não há nenhuma. O segundo facto é este: não há alternativas em tempo útil.
Não estou a defender o governo. Eles têm que ser minimamente responsáveis para não pôr em causa a solução do problema.

Camões chamou de “velhos do Restelo” aqueles que se opuseram à futura epopeia dos Descobrimentos. Sinceramente acho de uma futilidade atroz a política do PSD neste campo. O que querem? FAZER BARULHO. Só. Ou querem recomeçar agora o processo? Mas já esqueceram que Lisboa precisa de um Aeroporto novo? Temos é que fazê-lo. E depressa.

Finalmente, direi que gostei de António Costa sugerir um grande parque, um novo pulmão da cidade para os terrenos da Portela. Isto é que devemos discutir.

Eu gosto de Política, sendo este conceito muito abrangente, e constituindo por si só uma ideologia (politica é a arte do possível ou a arte de tornar possível o que for necessário), mas custa-me que Políticos só estejam interessados nos fait divers.

Saúdinha
PS: Aprovo a proposta da OA no sentido de tornar incompatível o exercício da advocacia com o cargo de deputado da República.

NINGUÉM PÁRA A GLOBALIZAÇÃO!

Almocei há dias com o nosso ilustre correspondente Obélix, que infelizmente não nos dá o prazer da sua prosa, mas decidi pôr à discussão uma sua ideia que considero interessante.
Diz ele que a Globalização vai parar. Enquanto os países afectados por ela foram os países cuja produção tinha pouco valor acrescentado a globalização cresceu, mas quando os países que produzem os bens de grande valor acrescentado começam também a ser afectados a coisa fia mais fino. Defende o Obélix que esses países, mais ricos, quando começam a perder a concorrência, a verem as suas empresas a deslocalizarem e o aumento do desemprego, não vão ficar de braços cruzados. E aí a globalização terá os seus dias contados.
Ideia interessante.
Não sou a favor desta posição. Julgo que o comércio livre, a sã concorrência é a única forma para a riqueza crescer e as pessoas viverem melhor.
Também sei que é impossível as economias onde existe um estado social, onde os trabalhadores têm direitos e garantias não podem concorrer com países onde o trabalho é quase escravatura. Como haver comércio livre nestas condições? Baixar o nível de garantias, de benefícios sociais aos povos das democracias ocidentais? Não pode ser esse o caminho, embora nesse campo é evidente que temos que enfrentar a inevitabilidade da mudança. Mas a única resposta é subir as garantias dos povos das economias emergentes. Não se faz de repente mas a única solução é essa. A grande bandeira política deste tempo deve ser essa, a de lutar pela garantia de direitos sociais.
Até porque a globalização é imparável. Hoje no cyberespaço a mobilidade da informação, do conhecimento, das causas abrangentes, é qualquer coisa impossível de suster. Colocar barreiras, políticas proteccionistas e isolacionistas, criar fortalezas económicas, não resolve. Antes pelo contrário, criará tensões e, em última análise, a guerra.
A solução, a prazo, será uma carta dos direitos sociais em todo o mundo.
Saúdinha

A REBALDARIA

Aconselho vivamente a lerem as cartas de Moita Flores. Uma à Comissão de Ética e outra à iluste e digníssima S. Exa a Secretária de Estado da Reabilitação Sra D. Idália Moniz. Está magnífica, brilhante. É uma oposição certeira. Nunca vi mais certeira!
(Peço que os conhecedores destas ferramentas façam um link qualquer...)
Mas nem a propósito. No post atrás defendi que a Ética da República era a Lei. Aqui vemos a República pedir ajuda à Ética. É o Estado da Rebaldaria!
Saúdinha

A ÉTICA DA REPÚBLICA É A LEI!

Esta é uma questão interessante. Várias vezes vemos pessoas a dizerem que razões éticas não permitem isto ou aquilo. A Ética é um valor muito alto na escala dos mesmos.
É a Ética que nos faz comportar da maneira que o fazemos. É evidente que não existe só uma Ética. Não há autoridade que catalogue se um determinado acto é ético ou não. Há tentativas, e de facto, há necessidades nesse campo, por exemplo a Comissão para a Ética da manipulação genética da Vida…
Lembro-me de Guterres ter usado a expressão, e mais recentemente Pina Moura voltou a dizer que a Ética da República é a Lei.
Vem isto a propósito das eleições para a Câmara e para a discussão em torno da necessidade ou não de a Assembleia Municipal ir também a votos. Paula Teixeira Pinto, presidente da Assembleia e Presidente da Distrital de Lisboa do PSD, o próprio partido na voz do seu líder, Marques Mendes, pensam que nada põe em causa a legitimidade desta assembleia. Por outro lado, o actual Presidente da Câmara, (surpreendentemente), não demissionário, acha que se houver eleições para a Câmara também deve haver para a Assembleia, tal como António Capucho autarca de Cascais que disse que eram razões éticas que deveriam levar às eleições também da assembleia. Naturalmente, toda a oposição é desta última opinião.
Claro que todos percebemos o problema. Ninguém quer perder o poder, mesmo que seja o poder de não deixar fazer. Todos sabemos que há sempre as próximas eleições.
O que me interessa aqui é fazer notar que a Ética não é comum. E serei sempre contra os que me queiram condicionar a minha ética. Odeio todos os grupos moralistas que julgam ter a Verdade. Nada impede que cada um, individualmente, possa agir conforme a Ética. A sua . Quem julga determinado acto é a sanção dos seus pares. No trabalho, na escola, ou na família.
Com isto quero dizer que de facto, na República não pode haver outra ética senão a Lei.
O difícil é ter boas leis…
Saúdinha

UMA QUESTÃO DE CLASSE


Fomos surpreendidos pela notícia de que Jorge Sampaio foi convidado para ser o primeiro Alto Representante do Sec. Geral das NU para a Aliança de Civilizações.
É altamente prestigiante para o país.
Se juntarmos ao cargo já longínquo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral da ONU de Freitas e aos mais recentes Presidente da Comissão Europeia de Durão Barroso e de Alto Comissário da ONU para os refugiados de Guterres, percebemos que Portugal está bem cotado nos areópagos da politica internacional.
O que não percebo é isto: como é que os dois últimos primeiro-ministros (excluindo aqueles quatro meses) e o último Presidente estão em cargos tão elevados e saíram de cá, da nossa miserável “classe política”, da corja de chulos que nos governam.
Será que a nossa classe política é assim tão má? Estas são as excepções? Ou nós não damos o devido valor à classe política? Ou não há nada a fazer por este povo português?
Saúdinha

O DEBATE DE IDEIAS


Marques Mendes- Pois é, vocês querem tudo, não deixam nada para nós brincarmos! Agora já puseram o Pina Moura na TVI.! Querem tudo só para vocês!
Sócrates – Ai é? Então e vocês não têm o Pinto Balsemão? E eu nunca disse nada!!!
Nós também queremos!

JUSTIÇA CRIMINOSA


Toda a gente sabe como a Justiça está. Toda a gente sabe que uma Justiça, séria, forte e célere é fundamental para o desenvolvimento, e no entanto…
Depois da reforma da Administração Pública, considero a Reforma da Justiça a mais influenciadora, logo mais urgente, para o desenvolvimento de Portugal.
Vem isto a propósito do famoso “Caso Esmeralda”. Toda a gente o conhece, e sabe-se como este imbróglio é impossível de desatar.
Resumindo os factos: Baltazar conheceu uma brasileira e engravidou-a mas nunca admitindo isso. Nasce Esmeralda e com 3 meses é “dada” ao Casal Luis Gomes com contrato reconhecido em notário.
Ao registar a filha, de pai incógnito (pois Baltazar recusou-se a perfilhar), as autoridades fizeram um teste de DNA que deu positivo. Nessa altura Baltazar, reclamou a paternidade e foi-lhe atribuído o poder paternal. O Sarg. Luis Gomes sempre impediu que esse poder fosse exercido até ser preso e condenado. A mulher pôs-se a monte com a pequena Esmeralda agora com 3 anos. Mais tarde, Adelina Lagarto entregou-se no tribunal para ser ouvida. O Tribunal decide entregar a guarda temporária à mãe adoptiva e a seguir outro tribunal confirma a prisão preventiva ao Sarg. Luis Gomes, pelo sequestro de Esmeralda. Não existe aqui um pequeno paradoxo? A guarda temporária é entregue à esposa do homem que está preso por ter sequestrado essa mesma criança. Mais, no acórdão justifica-se a prisão preventiva pelo perigo de continuação do crime…Alguém que me explique isto, como se eu fosse muito burro…
É um problema insolúvel pela justiça, na minha opinião. Quando estão frente a frente o Poder Paternal e o Direito da criança… haverá recursos e mais recursos. A única solução, à maneira da história do rei Salomão com as duas mulheres que disputavam um bebé, seria o Baltazar, aquele que tem o poder paternal, considerando o interesse da sua filha, deixá-la crescer com os pais que a Esmeralda conheceu até hoje.
Mas este caso leva-me a reflectir na atribuição do poder paternal. É uma discussão que não tem a ver com este caso mas está a montante. E tem a ver com a adopção também. Acho que um pai não é apenas aquele que faz um filho. É aquele que o cria, que o educa, que provém ao seu sustento. Mas esta é outra discussão.

Ninguém sabe como vai acabar esta infeliz história, mas do que não tenho dúvidas é que há uma vitima deste processo: a Esmeralda. Inocente desta trapalhada, vai sofrer as consequências do inevitável arrastar do processo. Que idade terá quando a Justiça decidir o imbróglio?
Independentemente da complexidade jurídica da questão, da ética e moral destas relações, o crescimento da menina tem que ser salvaguardado. A não ser, é a própria Justiça que comete um crime. Será uma justiça criminosa!

Saúdinha

DIA DA LIBERDADE




Amanhã comemora-se 33 anos de 25 de Abril. O dia da Liberdade. Tinha 10 anos em 74 e por isso não posso dizer que vivi o antigo regime. Mas estou agradecido pela Liberdade e Democracia que o 25 de Abril tornaram possível. Hoje é-me impossível imaginar um Portugal sem Liberdade nem Democracia.

Sem vítimas e com o apoio de um povo faminto de Liberdade foi um dia único. Independentemente de todo o percurso que os portugueses fizeram desde esse dia, o 25 de Abril foi o ponto de partida para um novo Portugal. Um melhor Portugal.

Saúdinha

Medo, Superstição e Intolerância nos Ruandas


O último genocídio confirmado foi no Rwanda, em 1994, onde durante cerca de três meses foram chacinados em termos indescritíveis, 1 milhão de mortos e mais do dobro de refugiados. Isto num país pequeníssimo, com grande maioria de hutus que foram imbuídos de ódio contra os seus “irmãos” tutsies; a razão é profunda e vem de longe*. Os de etnia tutsi são mais altos e as suas origens são de pastores, portanto nómadas e guerreiros. Os hutus sempre foram agricultores agarrados à terra, e dominados pelos que “vieram de fora”. Colónia alemã, após a 1ª guerra belga, também os europeus confiaram toda a Administração local aos tutsies. Com a independência, 1962, os hutus tomam o poder obrigando os tutsies a fugir.

Esta história tem semelhanças com outros casos embora se passe em África, o continente esquecido, que praticamente ainda não entrou na era industrial. Mas na Europa o mesmo aconteceu com a Bósnia e Sérvia e dentro da Croácia. Outro exemplo é Índia e Paquistão, em Caxemira. Mas é no Iraque que uma luta fraticida entre “irmãos” tem diversos pontos em comum com o Rwanda: xiitas em maioria e a minoria sunita possuindo o poder “oferecido” pelos ingleses, vivendo conjuntamente no período Otomano onde já aí, os sunitas exerciam o poder sobre os xiitas.

Este louco ódio irracional parece estar presente no íntimo dos seres humanos. Penso que é desencadeado por Medo, Superstição e Intolerância. Quem conseguir vencer estes fantasmas, a civilização que vence o Medo, a Superstição e a Intolerância, está imune a estas atrocidades.

A responsabilidade dos genocídios é atribuída, por diversas opiniões ao Ocidente colonizador e rico que não evitou o massacre; por exemplo, “Algumas potências ocidentais são "criminalmente responsáveis" pelo genocídio de 1994 no Ruanda porque não fizeram o suficiente para impedi-lo,”disse o comandante da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no país africano à época, o general canadense Romeo Dallaire,; Também Louis Michel, ministro das Relações Exteriores da Bélgica, afirmou “Levará uma eternidade para a indiferença detestável da comunidade internacional ser esquecida", disse. França, Grã-Bretanha e Estados Unidos são acusados.

São acontecimentos que devem ser evitados. A melhor forma é que os cidadãos vençam o Medo, Superstição e Intolerância. Estes são os responsáveis. E todos que com “eles” colaboram.

*Por volta do século XV, os tutsis, pastores de grande estatura oriundos da Etiópia, chegam ao local e impõem domínio feudal aos hutus, mais numerosos que eram originários.

Como quem limpa o cu a meninos

Ontem à noite o nosso Engenheiro (o do Governo) conseguiu desmontar um-a-um todos os argumentos, insinuações, poderes ocultos e outras bocas que tinham deixado o país suspenso durante o período agora conhecido como o “Silencio de Sócrates” (eu não conheço o processo todo mas não me pareceu que os entrevistadores tenham conseguido contra-argumentar).

Mais, durante a parte da entrevista dedicada a esclarecer a sua carreira académica colou-se estrategicamente à posição de vítima de uma verdadeira cabala que o obrigou a vir, perante os portugueses e portuguesas, defender-se de ataques pessoais e safados.

Resultado final: o pessoal indigna-se contra estas vis tentativas de enlamear o bom carácter deste homem. É certo que as bocas vão continuar (essencialmente em meios como a blogosfera), mas estou convencido que na generalidade a popularidade do Primeiro-Ministro sai reforçada.

Sócrates agredexit!

UM MAU SINAL


Quase toda a gente em Portugal, quando fica doente, vai às urgências. Julgo que a grande maioria aceita que é preciso alterar este conceito de urgência, haver outros graus de cuidados de saúde, pois é impossível que tudo sejam urgências. É verdade que se vai tentando alterar isso, na triagem muita gente é recambiada para o SAP, mas é evidente que é necessário mudar mesmo.
Essa vontade política surgiu e o governo encarregou uma comissão de peritos de estudar a coisa e propor uma solução. Formou-se a comissão de requalificação da rede de urgências, cujo relatório só tenho ouvido dizer bem. As intenções do governo foram conhecidas e, imediatamente, começou a contestação. As populações vieram para as ruas protestando contra o fecho das suas urgências e os autarcas abriram a guerra ao governo central.
Depois de o ministro ter sido pouco diplomático, e o clima de guerra subir de nível, Sócrates tomou conta do assunto e no outro dia, estava Correia de Campos a assinar acordos com várias Câmaras.
Não conheço esses acordos, nem conheço a rede actual e a rede de urgências proposta.
Mas sei que qualquer mudança, qualquer reforma séria e profunda gera muita contestação. Mas que se o governo tiver a certeza das suas decisões, se estiver estudado bem o problema, não pode recuar, em prejuízo do país.
E depois de ter visto o governo de Sócrates ter aguentado o fecho de escolas, de maternidades, da idade de aposentação, das aulas de substituição, das finanças locais e regionais, das férias judiciais, do estatuto da carreira docente, etc, e sempre com tanta contestação na rua, parece-me um mau sinal este aparente recuo.
É o tempo de se fazerem reformas! Ninguém perdoará mais uma oportunidade perdida.
Saúdinha
PS A próxima guerra vai ser a contestação à reforma das forças de segurança interna.

Noticias verdadeiramente interessantes



Parece que a Scarlet Johanson é a principal candidata para interpretar o papel de Jenna Jameson no filme que vai retratar a vida desta 'diva' do cinema .....

Só quero saber quando e onde é o casting para os papeis masculinos!

O Descontentamento do Meu Riso


O Herman José lá regressou com um programa de humor. Vi, e confesso que durante todo o programa não consegui mais do que articular um esboço de sorriso.

Esperava um pouco mais de originalidade na escolha do modelo, muito mais imaginação no desenho dos bonecos e qualquer coisa que realmente me surpreendesse nos textos. Não fossem as interpretações do Herman e o programa nem sequer chegava a medíocre.

Os Gatos Fedorentos parecem querer responder às criticas que lhes tem sido feitas em relação ao Diz Que É….. pondo a tónica na brejeirice. Tá bem! Afinal o programa passa na RTP1, e a RTP1 é serviço público….

Em ambos os casos tenho pena!

O NOVO ALENTEJO






















A REVOLTA DAS URGÊNCIAS


O país vive a chamada revolta das urgências.
O Governo tem um plano de reestruturação da rede de urgências à qual se opõem quase todos os autarcas. As populações vêem para a rua. Estalou, mais uma vez a guerra Governos/Autarcas.
A juntar à situação da Madeira pode-se dizer que são duas batalhas da mesma guerra.
E será acertado chamar esta guerra a guerra da mudança-anti mudança?
Eu acho que sim.

A REVOLTA DA MADEIRA



Hoje Alberto João Jardim, o presidente da Madeira desde 1978, demitiu-se.
Com a alteração das regras (financiamento) precisa de ouvir o povo.
Será a revolta da Madeira? Se AAJ obtém uma maioria esmagadora o que vai querer? Até onde pode ir isto? Aquele que afirmou não termos tomates, vai querer demonstrar quer ele os tem no sítio?
Estamos a assitir ao ínicio da Revolta da Madeira?

Saúdinha

Gastronomia Portuguesa

Neste site pedem-nos para votar nas Sete Maravilhas da Gastronomia Portuguesa. Como não sou homem de recusar um convite já fiz a minha selecção:

(desta lista temos que escolher sete)
Leitão da Bairrada
Cozido à Portuguesa
Ovos Moles de Aveiro
Francesinhas
Queijo da Serra
Sardinhas Assadas
Amêijoas à Bolhão Pato
Pastel de Nata
Arroz de Marisco
Cabrito Assado
Alheiras de Mirandela
Leite Creme
Caldo Verde
Arroz de Cabidela
Pastéis de Bacalhau
Bacalhau à Lagareiro
Presunto de Chaves
Carne de Porco à Alentejana
Queijo da Ilha de São Jorge
Polvo à Lagareiro
Migas

Para mim pode mesmo ser: Queijo da Serra com o aperitivo. Amêijoas à Bolhão Pato e Leitão da Bairrada para abrir o apetite. Cabrito Assado e Migas para o prato principal. Leite Creme e Ovos Moles de Aveiro como sobremesa.

Meus Senhores, quando quiserem…..