Plágios e Mistérios, ainda o Código


Um dos romances que mais me interessou (e a milhões de leitores em todo o mundo) nos últimos anos foi o “Código da Vinci” de Dan Brown. Pensar nas origens do cristianismo, dos segredos impostos pelos homens na construção de um poder como a Igreja foi estimulante.
Outros assuntos envolvem o romance, mas o que me interessou, até para além do romance, mas por ele desencadeados, foram os primeiros cristãos, a Igreja de Jerusalém, liderada por Tiago, irmão de Jesus, a hipótese (perfeitamente razoável, na minha opinião) do casamento de Jesus e Maria Magdala, ou Madalena, as Escrituras e os Evangelhos e toda a discussão que teve o seu auge no Concílio de Nicéia (325) que estabeleceu muitos dos dogmas, sobretudo a divindade de Jesus, contra a opinião dos Arianos. Depois a hipótese da filha de Jesus e Maria ter sido enviada do Egipto para a Provença por José de Arimateia (sendo a origem da lenda do Sangraal, ou Santo Graal). Os hereges Cátaros, massacrados pelo que ficou conhecidas pela cruzada Albigense, a mística dinastia Merovíngia e a Ordem dos Cavaleiros do Templo, toda esta temática misteriosa foi-me induzida em primeiro lugar pelo romance de Dan Brown, e é isso que me interessa num livro, que me obrigue a pensar e a procurar outras referências sobre o assunto. (por exemplo, Margaret Starbird).
Vem isto a propósito do processo de plágio de dois académicos que publicaram "O sangue de Cristo e o Santo Graal” no início da década de 80 contra o Código da Vinci. Mas, evidentemente, este livro, assim como outros, constam na bibliografia utilizada por Dan Brown, que foi perfeitamente correcto. Na minha opinião há aqui uma dose de oportunismo pelo sucesso de Dan Brown, não-conseguido pelos dois autores Michael Baigent e Richards Leigh e até de inveja. Não há plágio, existe apenas a utilização de uma ideia (frequente, aliás, nos eruditos e esotéricos) para construir um romance com profundidade.
Vamos ficar a aguardar o desfecho do tribunal, esperando uma boa decisão até porque o filme está por estrear.

2 comentários:

Rantas disse...

Dan Brown pegou em teorias que são do conhecimento de alguns estudiosos e teve engenho e arte para transformá-las, de formulações enfadonhas, num best-seller. É impressionante a quantidade de sanguessugas que surgiram a tentar aproveitar a "onda Dan Brown" - tanto sobre o Código Da Vinci como sobre o Anjos e Demónios.
Do ponto de vista literário, os livros são fraquinhos. Do ponto de vista do argumento (os assassinatos, as justificações dos "mandantes", a própria identidade dos culpados) são péssimos, para não dizer inverosímeis ou mesmo risíveis.

O que ele conseguiu foi apresentar de forma apelativa um mix de teorias verosímeis sobre algo que mexe com todos nós (a família de Cristo, segredos da igreja primitiva, o Santo Graal, etc.) com um à-vontade na explanação de história da arte, dos segredos de Leonardo Da Vinci, dos símbolos templários, etc, que encantaram milhões em todo o Mundo.

Quanto às questões polémicas: o livro é um romance, não passa disso e não quer passar disso. Por apresentar certas coisas de uma forma verosímil e, mais importante, como dizes, Manolo, por fomentar o espírito crítico, a busca e a pesquisa, isso parece-me ser a principal mais-valia do livro. Obviamente que nem tudo o que lá está é suposto ser verdadeiro. Claro que não. É um romance, porra!

Os urubus que o acusam de plágio pretendem sacar 'algum'. O livro não vale pela teoria apresentada, vale pela forma apelativa de a apresentar.

El Ranys disse...

Ou será o processo em tribunal uma brilhante estratégia de marketing para promover o filme? ;D

Se for, é bem esgalhada.

O "Código Da Vinci" lê-se de um trago, como thriller intenso, mas é ficção. Em termos históricos, vale pouco ou nada. Pode, de facto, despertar a vontade por saber mais sobre os assuntos de que trata, mas exige um grande distanciamento crítico do leitor.