Uma questão de Liberdade e Direito, Estado e Igreja e Sociedade e Indivíduo


Qualquer pessoa tem o direito a ser feliz, ou pelo menos, não deve ser proibida de encontrar a felicidade individual. Amar alguém não é controlável e, quando o amor por alguém nos “cai em cima”, nada podemos fazer contra. Pelo contrário, só a sua mais completa expressão nos pode satisfazer. Já há muito tempo que essa união por amor ou, tantas vezes por razões familiares e sociais, mas mesmo assim, uma união que constitui uma família, geradora de continuidade, as futuras gerações, chamamos casamento. Mas não vou distinguir: união por amor / casamento.

A sociedade reconhecer o estatuto dessa união por amor / casamento publicamente, é dar dignidade e também o direito a ser tratado de forma correspondente a esse carácter “digno”, às pessoas que se uniram por amor / casaram.

Isto parece-me verdadeiro e razoável para qualquer pessoa adulta. Seja homem ou mulher, homossexual ou não, até (sacrilégio) para mais que 2 pessoas. Este direito de homossexuais se constituírem uma união por amor / casamento, assim entendido, deve ser defendido. Porque razão, se vai privar um homossexual da sua felicidade? Dizia-se que era doença. Ridículo. A homossexualidade sempre existiu, valorizado de diferentes formas em diferentes épocas e civilizações, mas combatido ferozmente e incansavelmente, sobretudo pela Igreja. Aliás, muitos foram os casos de casamentos, esses sim, contra-natura, de homossexuais em casamentos ditos normais (de hetero), que provocaram tantos desgostos e infelicidade. Não será isto um muito maior desperdiçar de felicidades?

Em resumo, sim à união por amor / casamento de pessoas do mesmo sexo. O que não significa que a sociedade (cabendo ao Estado a formalização) tenha o mesmo interesse nas uniões por amor / casamento de homossexuais ou de heterossexuais (ou de outros).

Por pura lógica, e procurando tomar as medidas ajustadas aos interesses de todos, o Estado preocupa-se com as projecções do decrescimento dos portugueses. É sua obrigação (nossa, da sociedade representada) zelar, de forma activa, para renovar gerações. De forma geral, deve dar mais incentivos às uniões por amor / casamento de casais heterossexuais do que às uniões por amor / casamento de homossexuais (pessoas do mesmo sexo)

Talvez alguns homossexuais já estejam indignados por esta “discriminação sexual”, pois têm a infeliz palavra-de-ordem, de chamar nomes feios a quem não concorda com eles. A Igreja, e os cristãos consideraram o casamento, um rito sagrado, abençoado por Deus, um sacramento (permanente). Está totalmente no seu direito de recusar reconhecer o casamento homossexual. Pela mesma ordem de ideias, absolutamente radical, de desaconselhar o preservativo. Mas a Igreja interessa aos cristãos, da mesma forma que o partido ou o clube interessam aos seus militantes ou sócios / membros. E mesmo quando pertencemos a um mesmo grupo de interesses, à mesma fé e iguais vontades, podemos discordar, não acatar. Pertence a cada um, concordar ou não, à sua liberdade individual.

O papel de criar filhos (que surgem das células dos pais e contêm os seus genes) não é um direito das uniões por amor / casamento de pessoas do mesmo sexo. Não advogo que seja proibido adoptar crianças (ou obtê-las recorrendo à biotecnologia genética) mas em igualdade de circunstâncias com um casal normal (homem e mulher) deve ser dado prioridade a este último.
E a razão é simples: pode ser que no futuro isto venha a ser alterado, mas hoje a criança tem o direito de ter um pai e uma mãe. Não há ninguém que os não tenha tido, e, atrevo-me a dizê-lo, não ter, ou não saber quem é, o pai ou a mãe é doloroso e angustiante para qualquer criança. O mesmo se verifica com qualquer cria que fica sem a progenitora no reino animal. Imagine-se os potenciais problemas que uma situação de ser adoptado por uma união por amor / casamento entre dois homens ou duas mulheres. Mesmo podendo correr bem, supondo que a sociedade (escola, opinião pública, relações sociais e profissionais) muda completamente na sua tolerância e compreensão, não acho que valha o risco para a felicidade dessa criança

2 comentários:

Rantas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rantas disse...

Concordo contigo sobre o casamento dos homossexuais.
Discordo quanto ao direito à adopção - enfim, em igualdade de circunstâncias, também concordo que deva ser dada a primazia ao casal "straight", mas defendo o direito à adopção dos homossexuais. Que na prática já existe, a coberto da habitual hipocrisia. Que dizer da negação desse direito aos homossexuais quando é permitido que pessoas singulares possam adoptar? Não estariam essas pessoas "sozinhas" dar a primazia a casais homossexuais? Ou pelo menos entrarem em igualdade de circunstâncias?

E nada impede que um homossexual não tome a iniciativa de adoptar "sozinho"... essa hipocrisia é totalmente ridícula