Revolução dos Cravos: melhor era difícil


Após 35 anos da Revolução dos Cravos, quero aqui afirmar que o 25 de Abril atingiu todos os grandes objectivos. Aliás, melhor era difícil. O golpe militar, cujas motivações iniciais eram sobretudo relacionadas com interesses corporativos e de de oposição à continuação da guerra interminável no antigo Ultramar, transformou-se numa verdadeira revolução, logo no Primeiro de Maio, onde o Povo a fez sua, e afirmou a plenos pulmões a Liberdade. O processo iniciado, contou com a participação activa e empenhada, viveram-se porventura tempos irrepetíveis de entrega e vontade de transformar o País; todos que viveram essa alegria de contribuir generosamente para a construção de um futuro de Portugal, diferente do regime salazarento, isolado do mundo, onde se proibia o pensamento e se prendiam cidadãos por pensarem diferente, um País de analfabetos, sem direito à Saúde, sem apoios social nem infra-estruturas capazes. O 25 de Abril trouxe um ambiente de genuína liberdade e esperança.

O tempo era o auge da guerra fria. As posições radicalizaram-se e o espírito revolucionário extremou posições. Lembram-se das canções de intervenção, onde “a burguesia, quer travar a Revolução, trazendo a social-democracia”? A ingenuidade andava a par da maior experiência do Partido Comunista que sentiu ter as condições para repetir a revolução de Lenine. Muitos dos nossos aliados ocidentais deram Portugal como perdido para o bloco soviético. Após meses de indefinição realizaram-se as primeiras eleições livres para a Constituinte. O Povo português surpreendia, e a legitimidade dos votos começava a vencer a legitimidade revolucionária. A aprendizagem da Democracia foi intensiva. O perigo de uma guerra civil foi eminente. Tudo isso faz parte da História. A conclusão que aqui me interessa, é que somos hoje uma Democracia pluripartidária, do tipo que existe na Europa ocidental. Acabou a guerra colonial (tarde e mal, com responsabilidade total para o antigo regime), e Portugal é hoje membro de pleno direito da União Europeia. A Educação, a Saúde, a Segurança Social, que hoje usufruímos não tem nada a ver com o que existia antes do 25 de Abril.

Ouço muitos comentários que referem que “não se cumpriu Abril” ou que “o espírito da Revolução dos Cravos foi adulterado”, ou seja, que o 25 de Abril não teve êxito, ou, nas entrelinhas, que faz falta uma nova revolução. Discordo completamente. A Revolução foi o Povo que a conduziu, contra quem quis dirigir o País para uma ditadura do proletariado ou democracia popular que até dispensava eleições! Recordando hoje a queda do muro de Berlim, e a hecatombe das ideologias marxistas, resta-me agradecer à sabedoria do Povo Português não ter escolhido esse caminho que seria trágico. Aliás, esta revolução de Ditadura para Democracia (evitando outros tipos de tirania) foi, e é, um case-study de todos os politólogos e um exemplo para a queda de muitas outras ditaduras e que permite hoje que a Liberdade chegue a muitos milhões de pessoas.

Claro que não vivemos num paraíso de mar de rosas. Foi isso que o 25 de Abril prometeu? Não me parece. O facto é que temos os meios para fazermos do nosso país aquilo que, como Povo, quisermos e soubermos. Como diz o Alex, e eu concordo, a nossa Democracia ainda é muito jovem e ainda tem muito a aprender. As próximas gerações terão a palavra.

Somos assim...

Porque é que somos assim?

Facto: existem (muitos) portugueses que “dão cartas” em praticamente todas as áreas profissionais, culturais, tecnológicos e de inovação, ligadas às artes e às ciências; e de todo o tipo económico-comercial (até desportivo), quando integrados noutros contextos, fora de Portugal. Não são, em nada, inferiores, antes pelo contrário, aos outros. O mal não está nos portugueses, individualmente falando. Há demasiados portugueses, e sempre os houve desde Afonso Henriques, para o provar.

Já me envolvi em intermináveis argumentações sobre “os portugueses e Portugal”. Porquê que somos assim? Temos medo de existir como sociedade, de não assumir responsabilidades de peito aberto, da indignação mesquinha com as miudezas, das invejas e intrigas face ao sucesso do vizinho, da dissimulação, enfim, do passo atrás quando deveria ser dado um passo à frente.

O mal parece estar no nosso “formigueiro”, naquilo que os portugueses, em conjunto foram construído, ao longo da nossa História. O todo, simplesmente, não funciona.

Da mesma forma como não nos organizamos, escondendo-nos individualmente, sempre com o mesmo álibi: o Estado!
O Estado e as suas instituições (esquecendo que foram criadas por “nós”, pelos portugueses e por Portugal) são sempre o culpado de tudo. Não nos resta senão choramingar.

Embora o Estado funcione mal, paradoxalmente, acho que o problema somos nós, como indivíduos. Aceitemos então que o “organismo” que os portugueses teceram em comum, não vingou.

Somos assim devido a caprichos da História, opções mal tomadas, ao ritmo dos interesses de cada época e seus poderes (terrenos e divinos):
Somos assim devido à expulsão dos judeus e moldados pela nossa original criação dos cristãos-novos;
Somos assim, pois fomos pelo catolicismo face ao protestantismo, pela longa influência da Santa Inquisição “mais papista que o papa”;
Somos assim, a história deu-nos esta “alma-lusitana”. Com o definhar do Império, com as fratricidas guerras liberais e o lento agonizar da Monarquia, a terminar na salazarenta e pudica sociedade portuguesa, foi sempre sobressaindo o valor do ócio, do improviso que tanto nos orgulha e também do ódio às coisas novas, do vaidosismo saloio, e tudo o mais que todos conhecemos.

Somos assim, actuamos como o personagem que não queria mudar no “Quem mexeu no meu queijo?”. A alegre excitação do popular bota-abaixo é para os portugueses desporto nacional.

Aceita-se com naturalidade, que os problemas deveriam ser sempre resolvidos por “eles”. Eles, subentende-se obviamente, que “eles” são o governo, são os políticos, são os patrões, os juízes, os ricos, todos em geral, as autoridades, sobretudo, mas nunca ninguém em particular, e sobretudo nunca o próprio.

Mas temo que a solução passa mesmo por aí. Só pode. Só quando individualmente fizermos o correcto, aquilo que deve ser feito, todos pudermos contar com que todos o façam, fazer bem aquilo que deve ser bem feito, aí Portugal fará o “salto quântico” e seremos orgulhosos dele.

Em face dos problemas, de cada problema, deveria ser natural querer resolvê-lo. O que é que devo fazer, como contribuir para a sua resolução, a quem recorrer? O que é preciso para fazer bem feito, aquilo que deve ser bem feito? Quando todos, e cada um de nós, fizer aquilo que deve ser feito, é natural que o próprio processo transforme a sociedade portuguesa. Porque temos, hoje mais que nunca, os melhores instrumentos que a Humanidade foi capaz de produzir: a Democracia, quando vive no espírito dos cidadãos, permite a selecção das melhores ideias para preservar a liberdade e o bem estar, os Direitos e a Segurança, a Paz e o Desenvolvimento.

Depende, fundamentalmente dos indivíduos, de todos os indivíduos. E naturalmente faz-se à custa dos portugueses. De quem haveria de ser, senão à custa do trabalho e do sacrifício dos portugueses, de todos a remar para o mesmo lado, o lado de Portugal?

Acontece, por vezes, aparecer um politico, um estadista, que faz com que todo um povo acredite. Transformar um país e pô-lo de mangas arregaçadas e ao trabalho. Este carismático líder pode usar esse poder de “fazer acreditar” tanto para o mal como para o bem. Esse é o dilema. E só com uma sociedade forte, de cidadãos que acreditem nas suas próprias capacidades, em que cada um assuma a sua responsabilidade, e possa contar com que os outros façam o mesmo, é que podem surgir bons líderes (não falo apenas ao nível politico) que ajam como catalisadores de vontades. Porque o mais fácil, e sinistro, é que apareçam maus líderes, como a História se cansa de mostrar.

Em conclusão, somos assim, mas podemos ser de outra maneira. Só depende de nós. E a História não pára. Os nossos filhos e netos poderão continuar este triste fado de Portugal ou pertencerem a uma sociedade que seja tão boa como as melhores.

Uma questão de Liberdade e Direito, Estado e Igreja e Sociedade e Indivíduo


Qualquer pessoa tem o direito a ser feliz, ou pelo menos, não deve ser proibida de encontrar a felicidade individual. Amar alguém não é controlável e, quando o amor por alguém nos “cai em cima”, nada podemos fazer contra. Pelo contrário, só a sua mais completa expressão nos pode satisfazer. Já há muito tempo que essa união por amor ou, tantas vezes por razões familiares e sociais, mas mesmo assim, uma união que constitui uma família, geradora de continuidade, as futuras gerações, chamamos casamento. Mas não vou distinguir: união por amor / casamento.

A sociedade reconhecer o estatuto dessa união por amor / casamento publicamente, é dar dignidade e também o direito a ser tratado de forma correspondente a esse carácter “digno”, às pessoas que se uniram por amor / casaram.

Isto parece-me verdadeiro e razoável para qualquer pessoa adulta. Seja homem ou mulher, homossexual ou não, até (sacrilégio) para mais que 2 pessoas. Este direito de homossexuais se constituírem uma união por amor / casamento, assim entendido, deve ser defendido. Porque razão, se vai privar um homossexual da sua felicidade? Dizia-se que era doença. Ridículo. A homossexualidade sempre existiu, valorizado de diferentes formas em diferentes épocas e civilizações, mas combatido ferozmente e incansavelmente, sobretudo pela Igreja. Aliás, muitos foram os casos de casamentos, esses sim, contra-natura, de homossexuais em casamentos ditos normais (de hetero), que provocaram tantos desgostos e infelicidade. Não será isto um muito maior desperdiçar de felicidades?

Em resumo, sim à união por amor / casamento de pessoas do mesmo sexo. O que não significa que a sociedade (cabendo ao Estado a formalização) tenha o mesmo interesse nas uniões por amor / casamento de homossexuais ou de heterossexuais (ou de outros).

Por pura lógica, e procurando tomar as medidas ajustadas aos interesses de todos, o Estado preocupa-se com as projecções do decrescimento dos portugueses. É sua obrigação (nossa, da sociedade representada) zelar, de forma activa, para renovar gerações. De forma geral, deve dar mais incentivos às uniões por amor / casamento de casais heterossexuais do que às uniões por amor / casamento de homossexuais (pessoas do mesmo sexo)

Talvez alguns homossexuais já estejam indignados por esta “discriminação sexual”, pois têm a infeliz palavra-de-ordem, de chamar nomes feios a quem não concorda com eles. A Igreja, e os cristãos consideraram o casamento, um rito sagrado, abençoado por Deus, um sacramento (permanente). Está totalmente no seu direito de recusar reconhecer o casamento homossexual. Pela mesma ordem de ideias, absolutamente radical, de desaconselhar o preservativo. Mas a Igreja interessa aos cristãos, da mesma forma que o partido ou o clube interessam aos seus militantes ou sócios / membros. E mesmo quando pertencemos a um mesmo grupo de interesses, à mesma fé e iguais vontades, podemos discordar, não acatar. Pertence a cada um, concordar ou não, à sua liberdade individual.

O papel de criar filhos (que surgem das células dos pais e contêm os seus genes) não é um direito das uniões por amor / casamento de pessoas do mesmo sexo. Não advogo que seja proibido adoptar crianças (ou obtê-las recorrendo à biotecnologia genética) mas em igualdade de circunstâncias com um casal normal (homem e mulher) deve ser dado prioridade a este último.
E a razão é simples: pode ser que no futuro isto venha a ser alterado, mas hoje a criança tem o direito de ter um pai e uma mãe. Não há ninguém que os não tenha tido, e, atrevo-me a dizê-lo, não ter, ou não saber quem é, o pai ou a mãe é doloroso e angustiante para qualquer criança. O mesmo se verifica com qualquer cria que fica sem a progenitora no reino animal. Imagine-se os potenciais problemas que uma situação de ser adoptado por uma união por amor / casamento entre dois homens ou duas mulheres. Mesmo podendo correr bem, supondo que a sociedade (escola, opinião pública, relações sociais e profissionais) muda completamente na sua tolerância e compreensão, não acho que valha o risco para a felicidade dessa criança

Outra vez Israel e o sofrimento dos inocentes

Amargurado e injustiçado povo inocente da Palestina, que sofre a má-sorte de realmente, ninguém por ele se interessar. Aos inocentes (e também indignados) digo que eles foram os fundadores da futura Pátria.

Apanhados na curva da História este povo ficou reduzido a um projecto de Estado. Dominados por vários impérios (desde o Antigo Egípcio até ao Otomano e protectorado britânico, passando pelos cruzados e outros europeus), tiveram a grande oportunidade, quando Israel se tornou Estado, por força do Direito Internacional, de se tornarem numa Nação independente.

Passados 60 anos, desespero de ambos os lados leva a guerra a Gaza. Qual a intenção de Israel? Destruir o Hamas, que está disposto a prolongar ad-eterno a sua luta até à vitória final que será a extinção total do país dos judeus.




Tudo se passa no xadrez internacional, com o povo palestiniano a sofrer, Israel a não conseguir resolver esta espinha que é o "Pecado Original", e países árabes que não aceitam menos que a vitória moral total, mesmo à custa do sofrimento desumano dos inocentes e usam a retórica sem querer resolver o problema. Israel tem de cumprir esta penitência de culpa eterna, que alguns acham que é sua obrigação até à Eternidade, por não terem o direito a existir, como Povo e, consequentemente, a ser um país geograficamente na Palestina.

A luta de milénios, primeiro, de existirem como pessoas entre iguais e de existirem como um povo, com memória colectiva, que foi a história dos judeus, sempre subjugados à humilhação e desonra, à perseguição e à fogueira, até à tentada aniquilação final, continua. E no entanto a sua contribuição para a nossa civilização, para o melhor que ela tem, foi imensa, na Cultura, Ciência, em todos os domínios.


Nos finais do sec XIX os judeus tiveram uma visão: a Terra Prometida. Em 1896, no Congresso Sionista de Basileia, Theodor Herzl, escrevia:

Em toda a parte temos tentado integrarmo-nos na comunidade que nos rodeia, e só conservar a fé dos nossos pais. Porém isto não é permitido. Em vão temos sido, em muitos lados, bons patriotas, até destacados; em vão oferecemos os mesmos sacrifícios, em bens e em sangue, que os nossos concidadãos, e em vão nos esforçamos por aumentar a fama das nossas pátrias, tanto na arte como na ciência, e por incrementar a sua riqueza mediante o comércio. Nas Pátrias onde vivemos desde há séculos consideram-nos como estrangeiros, e insultam-nos… Somos pois, em toda a parte valentes patriotas como o foram os huguenotes, os quais se viram forçados a emigrar. Ultimamente têm-nos deixado em paz; porém creio que não o farão por muito mais tempo, como sempre.
Somos um povo: o inimigo a isso nos obriga, contra a nossa vontade, como sempre aconteceu na História. Mantemo-nos unidos na desgraça, e é então que nos apercebemos da nossa força. Sim, temos força para constituir um Estado, e um Estado modelo…”


Engraçado que na altura foi considerado uma utopia e mesmo os amigos se riram dele. Conhecendo agora os acontecimentos posteriores, e dando de barato que só na Palestina é que, com honestidade intelectual, podia ser Israel (ou haveria outro lugar?), embora reconhecendo a injustiça que se abateu sobre os inocentes já falados, só com má-fé se pode dizer que a catástrofe em que se transformou Israel e Palestina se deve sobretudo aos israelitas. Pelo Estado dos judeus, Israel, já existiria o Estado da Palestina há muito.

Os que nunca puseram sequer em discussão a possibilidade de coexistirem 2 países juntos, foram aqueles que mais se dizem amigos, os países árabes que em nome duma ideologia e também de anti-semitismo, nunca pensando no futuro desses mal-amados da história, os palestinianos, que não resistiram à demagogia do Grande Mufti, (também e ver) a Jordânia (agora numa “paz podre”,) ao Egipto, (Anuar Sadate, assassinado, fez uma paz mais verdadeira), e sobretudo a Síria, a Arábia Saudita, e mais ao longe Irão e Afeganistão, todos eles condenaram a esta guerra, o povo que dizem que apoiam na sua luta. Mas esta luta não é propriamente para construir uma relação de igual para igual, parceiros e vizinhos entre os Palestinianos no seu Estado e Israelitas em Israel. Não, essa luta, que é explicitamente defendida por estes países muçulmanos, defensores dos palestinianos, a que demagogicamente aspiram não tem solução, e, aliás seria muito mais injusta, essa luta, dizia é a extinção de Israel e dos judeus como povo.

Parafraseando Inês Pedrosa, (“Os mísseis do Hamas são de chocolate”, in Expresso Revistaúnica), “não é por causa de Israel que a paz se afigura impossível”; e também sei que a guerra é terrível, mas não o pior dos males; se assim fosse não se tinha vencido Hitler, pois o cessar-fogo e tréguas, dariam um poder aos nazis, que os fariam hoje senhores do Universo. Ou a abolição da escravatura teria sido conseguida sem guerra? Os verdadeiros inimigos da paz são os anti-semitas “genocidas”, (não se riam porque sempre os houve, digo desde os tempos biblícos e ao longo de toda a história, sempre houve anti-semitismo). O Hamas e o Hezzbollah representam essa “linha ideológica” suportados pelos lideres da República Islâmica do Irão.

A verdade é os inocentes sofrem injustamente. Da mesma forma que é injusto para os tibetanos, os curdos, os hutus e tantos outros povos. Mas merecem ter o seu Estado. Só há uma solução, está descrita em “Que futuro para Israel?” de Shlomo Bem-Ami em 2001. Foi o culminar das negociações iniciadas em Oslo 1992 que abortaram na derradeira acção de Bill Clinton, em que partes cederam aquilo que puderam, chegando a um acordo abortado porque Arafat só podia viver para a luta, não teve a coragem de assumir a paz a construção de um melhor futuro para o seu povo. Foi o início da 2ª intifada.

“Os nossos irmãos mais velhos”, como se referiu aos judeus, W. Churchill, vão continuar a tentar, hoje com poder que nunca teve, a ser ser um Estado, cometendo erros e atrocidades que deviam evitar. Israel que construíram e que não vão perder aquilo que tanto, e durante tantas gerações, custou a alcançar. Justiça a 100% só Deus.

2009. A II GRANDE DEPRESSÃO?


2009 entra com grandes receios até que ponto a famosa crise vai afectar as nossas vidas.


A verdade é que a única coisa certa é que tudo é incerto!


A deblace financeira, o terror do desemprego o crescimento da insegurança mundial faz prever o pior.


O que eu penso é que estamos a viver uma grande mudança civilizacional. Acho que depois disto, a Economia, as Ideias, o Trabalho e a Sociedade vão sair com outra cara.


Muita gente falou da "queda do muro" do capitalismo. Houve seminários sobre Marx. No congresso do PCP, Jerónimo quis dizer: Afinal nós tínhamos razão! O Capitalismo morreu!

Estão enganados. A história não se repete. A História avança. E o que está a acontecer é uma reacção a uma Economia muito baseada no Capital de origem fundamentalmente financeiro.

Se o acesso ao Capital for fácil, a Economia, cresce, e há mais riqueza. Só que, como se nota melhor quando a coisa não corre tão bem, existem alguns que se safam melhor que outros e isso, como é evidente, gera conflitos. Se olharmos para o que acontece nas manifestações na Grécia, vemos que aquilo é um sentimento de revolta, de indignação de descrença no seu futuro.

E é evidente para todos, que apesar do aumento brutal da riqueza, as diferenças entre os mais pobres e os mais ricos do planeta é qualquer coisa absolutamente absurda! Quantos milhões de seres humanos vivem com menos de 1 Euro por dia?


E se 2009 for o ano do ínicio da II Grande Depressão é a primeira depressão na era da Globalização. E a verdade é que a reacção à crise foi também feita a nível global. Será que vão evitar o efeito de uma crise demolidora? Não sei, e ninguém sabe. O grande problema é o desemprego. Como evitar que ele aumente?


Não sei. Mas continuo a pensar que o mercado é o que gera mais riqueza. O mercado em livre concorrência. Acredito que aquilo que tem dono é melhor gerido. Que todo o ser humano tem direito à felicidade e a viver bem, com acesso à Educação, Saúde, Justiça, Segurança e Cultura.

Mas também acredito que cada Homem é o primeiro responsável pela sua Vida. Mas isto é para outro post.


Relativamente a este, que já vai longo, acredito que se taxarmos brutalmente o capital financeiro, a economia teria um valor mais real e outras formas mais imaginativas de criação de capital surgiriam. Os excedentes poderiam ser capitalizados mas, a taxas fixas de longo prazo. Qual o preço a pagar? Um crescimento mais lento. Um outro tipo de consumismo.


2009 poderá ser o ínicio da II Grande Depressão, mas fará parte do processo da Revolução. Estamos a assistir à História.


Saúdinha

Universo misterioso

Gastou-se “uma barbaridade” de recursos (não só financeiros) no Large Hadron Collider (LHC) perto de Genebra. Terá sido um bom investimento, valerá a pena, quando, tanto há onde gastar um pouco e melhorar a vida a tantos?! Este mar de euros e dólares geridos pelo CERN deveriam ser aproveitados de outra e melhor forma?

A importância de saber realmente como se formou o Universo, e qual será o seu destino esteve sempre na imaginação dos humanos. Para a ciência de hoje, a teoria do Big Bang explica a partir dos instantes iniciais, a formação de toda a matéria e energia, a expansão do espaço-tempo, esta coisa estranhíssima de 4 dimensões.

Einstein sempre perseguiu o sonho de uma teoria Unificada (onde, de uma forma matematicamente simples derivavam todas as 4 forças da Natureza, electro-magnética, gravítica e outras interacções nucleares, forte e fraca) e nunca o atingiu. Sem aceitar a teoria quântica (que se desenvolvia formidavelmente), acreditava na causa-efeito da Natureza e não baseada em probabilidade e funções de onda.

Com as galáxias a afastarem-se cada vez com maiores velocidades, a dúvida sobre o final, Big Freeze (expansão eterna) ou Big Crunch (como um elástico) que após atingir o máximo, contrai-se e forma no final uma nova descontinuidade, e simultaneamente um novo Big Bang, a dúvida depende da quantidade de matéria que existe. E a única forma de a segunda e mais bela das possibilidades ser verdadeira é a matéria e energia negras…

As partículas elementares que todos conhecemos (protões, neutrões e electrões) nem sempre existiram. E na teoria actual são constituídos por grupos de 3 quarks (não o electrão, que é de outra família, os leptões, os outros com massa são bosões). Ora o que se passou entre a singularidade inicial (Big Bang) e a era Hadrónica (partículas com massa), ou seja os 10-43 s iniciais (1 dividido por 1seguido de 43 zeros do segundo), era um caos de partículas, espaço-tempo e espuma de mini buracos negros. É esta fracção de tempo infinitamente pequena que nem a relatividade generalizada nem a mecânica quântica consegue explicar, mas existiria a tal super-força elementar que unificava todas as diferentes forças da Natureza.

A Física de partículas com as teorias actuais de supergravidade, e supersimetria com dimensões muito para além da compreensão tornaram-se tão densas do ponto de vista matemático, que parece que o Universo se afasta cada vez mais da nossa experiência comum. No entanto, é estranho que simultaneamente com a maior dificuldade de visualizar e compreender, vá surgindo uma extraordinária harmonia profunda no Universo.

Essa unidade estende-se á própria vida. S. Hawking estudou o que poderia acontecer após o Big Crunch do Universo. Demonstrou que se houver esta oscilação e for criado um novo Universo as constantes fundamentais da Natureza (como a massa e carga do electrão, por exemplo) serão outras. Brandon Carter (U. Cambridge) desenvolveu esta ideia e chegou a resultados espantosos: a vida não poderia existir num Universo com outras constantes; basta uma ligeira mudança para que não pudessem haver estrelas gigantes e portanto não se formariam os átomos dos elementos. Ou não poderiam existir estrelas como o nosso sol! Quase que parece que estas constantes actuais foram “afinadas” para que exista vida. Aliás, José Rodrigues dos Santos, no seu romance “A Fórmula de Deus” destaca isso mesmo.

Ora os milhões e milhões que foram gastos (durante duas décadas) no LHC pretende descobrir o bosão de Higgs, previsto teoricamente como o elo de ligação entre os instantes iniciais e o aparecimento das partículas com massa. É um passo fundamental para a nossa compreensão do Universo e também da vida. A ciência quer saber o como; mas a religião pretende saber o porquê. Poderemos juntar estes dois campos da curiosidade humana e ter uma visão e compreensão do como e do porquê? Só por esta possibilidade vale a pena investir tanto, mesmo havendo tantas outras prioridades.

O desafio da "solução final"



Quando era criança “os judeus” era um nome feio, chamar judeu era insultar. Não sabia o que significava. As leituras da adolescência deram-me a conhecer o Holocausto. A crueldade infame contra judeus, o metódico processo de exterminação, a homens, mulheres e crianças aguçou-me a curiosidade. E muito novo fui à procura: quem são estes judeus, qual a sua história e como é que se chegou a este ponto? “A História do povo Judeu” de Werner Keller, convenceu-me que “é a história de um povo fora do comum, a que nenhum outro na Terra se pode comparar”. Assim, desde aí que leio tudo o que posso relativo ao assunto.

A questão palestiniana é uma grande injustiça para o povo palestino. Mas acho, convictamente, que maior injustiça seria não dar direito de existência a um Estado que os judeus considerem como seu. A solução não é fácil, e só será possível se ambas as partes acreditarem que sim, que é possível. Os caminhos estão há muito definidos. Do lado de Israel percebo uma vontade de resolver o problema, o mesmo não digo do lado palestiniano até pela dificuldade “insuperável” de aceitar a injustiça. Mas o processo, cheio de armadilhas e obstáculos, está a fazer o seu caminho.

Por tudo o que pode representar na convivência entre culturas diferentes, e civilizações de costas voltadas, “a solução final”, a paz com honra e reconhecimento mútuo (verdadeiramente só assim será Paz) é o grande desafio da nova Administração americana, com a intervenção da Europa, Rússia e sempre enquadrada pela O.N.U. Esta paz desencadearia soluções para os mais graves problemas que a humanidade enfrenta.

O BUSÍLIS DA QUESTÃO


Está na ordem do dia a avaliação do desempenho dos professores. Depois da guerra da nova carreira docente (além das outras), os professores estão novamente em luta, convictamente, pelos seus ideais de "ser professor".

O Governo quer ter um sistema de avaliação que diferencie os professores e que essa diferenciação tenha consequências.

Os professores querem um sistema de avaliação, mas que não seja injusto e incentive a cooperação entre os professores.

Depois do memoradum de entendimento, espécie de tratado de paz, onde o Governo recuou, ao admitir que, para já, as avaliações negativas não teriam repercussões, no ínicio deste ano lectivo, ao definirem os objectivos individuais, os professores recusaram o processo. A avaliação depender do aproveitamento dos alunos era coisa perversa, além de que os avaliadores não perceberem da matéria dos avaliados não tinha pés nem cabeça e ainda, não tinham tempo para passar a vida a preencher fichas e a ter reuniões para a avaliação.

E com isto, chegámos à manifestação de 120 000 professores. Impressionante!

A ministra lá andou numa lufa lufa e admitiu os erros e aceitou as queixas dos professores. Os avaliadores são da mesma área, as notas dos alunos não contam (para já) e acabaram as fichas.

Os professores? Não aceitam este modelo. Só aceitam a SUSPENSÃO. Os professores querem a avaliação. Mas não este modelo. Os professores lutam, como nunca lutaram, pela suspensão deste modelo de avaliação.

Vi os prós e contras e raramente um programa destes foi tão elucidativo, na minha opinião.

No fim do programa, quando a Fátima perguntou ao secretário de Estado se estava preparado para alterar o modelo de avaliação e ele respondia que desde que não fossem alterados os principios de diferenciação e de consequências, ouvia-se Mário Nogueira: nunca foi regulamentado! nunca foi regulamentado! Referia-se ao anterior modelo de avaliação.

Hoje, nas reuniões entre o governo e os sindicatos, que não deu em nada, a não ser a exigência "formal" pela Fenprof da demissão da ministra, Mário Nogueira ía preparado, caso a ministra anunciasse a suspensão, com o modelo alternativo: baseado na auto avaliação e ponderação dos Conselhos de Escola.



O busílis da questão são as cotas! É só isso. O governo quer as cotas, os professores não admitem as cotas. E aqui está, na verdade toda a diferença entre um sistema de avaliação sério ou... ficarmos na mesma.

Eu sou de opinião, e perdoem-me os professores mas tenho direito a opinião, que só escolhendo os melhores se melhora o desempenho dos professores e com isso a educação dos nossos filhos.

E o que me agonia é ver e ouvir todos os partidos da oposição cavalgar esta onda contra o governo e os argumentos não passarem de: este modelo não! Somos a favor da avaliação mas com outro modelo! Este modelo tem que ser suspenso! Não passa disto! É de vómitos.

Mas, em ano de eleições, é uma guerra com consequências imprevisiveis.

Ontem, em Setúbal, numa manifestação de professores, alguém disse: temos que continuar unidos e em luta, numa altura em que estamos quase a dar a estocada final e, perdoem-me a expressão, vamos cortar um rabo e duas orelhas! Fino.

Quarta feira há greve. A luta continua.

Saúdinha

Apenas a História


Somos o produto da nossa História. Somos assim, tal como os outros são como são, através da história comum e particular dos povos. Da memória. As “virtudes e defeitos” tiveram raízes no tempo e nas circunstâncias históricas. Inegável.

Todos vamos morrer um dia. Não há volta a dar-lhe. Alguma coisa perdurará do nosso ser, depois de mortos? Através dos nossos filhos e de todas as pessoas que connosco viveram de perto, deixaremos alguma memória, influenciaremos (muito ou pouco) as futuras gerações.

Hoje quase ninguém sabe qual foi a vida dos seus bisavós. E o sintoma do desconhecimento das raízes, da História, faz adivinhar que no próximo futuro, esta memória colectiva e individual se transforme de tal modo, que seja só objecto de investigação e interesse de poucos de nós. Ou não…

Não questionamos as grandes transformações do modo de vida dos humanos; a revolução da agricultura (a maior parte do tempo da humanidade), a “recente” revolução industrial, foram alterações que fizeram milhões de pessoas mudarem a forma de viver, os valores de vida mudaram de forma profunda e inimaginável antes delas. Embora, haja simultaneamente pessoas que vivem ainda na “1ª vaga”, as pessoas da 2ª vaga, nas últimas centenas de anos foram aumentando e fizeram, praticamente, o pleno.

Ainda há muita gente, hoje, que não acredita verdadeiramente que estamos a viver o início de uma nova era. A todos os níveis as coisas estão a mudar e rapidamente; o sentido é fácil de perceber: a 3ª vaga, um modo de vida completamente diferente dos anteriores, está a crescer irresistivelmente. Todos os dias ouvimos e lemos notícias que nos mostram esta realidade.

Imaginem que há 25 anos, não existia o Windows da Microsoft! Qual será o efeito da explosão da Internet, que acaba com o tempo e o espaço, que potencia a inteligência comum de milhões de humanos ligados, daqui a 20 anos? Não é possível prever. Novas áreas de interesse estão a nascer, quase sempre baseadas no conhecimento e na criatividade (estou a falar na bio-medicina, bio-genética, nas energias e no ambiente, na comunicação global); vejam-se a quantidade de empresas que aparecem ligadas a estas áreas.

Esta revolução de 3ª vaga já começou. Podemos gostar ou não, chamar-lhe Globalização ou outra coisa, mas é uma vaga de fundo que temos a obrigação de compreender e aproveitar a oportunidade para melhorar a nossa forma de viver. Ou não. Mas ela é imparável e haverá povos que a agarrarão, outros que não, tais como houve povos que se opuseram à industrialização.

Por isso somos apenas o produto da nossa História. Quando morrermos, a civilização humana continuará e, apesar de tudo, haverá uns mais felizes que outros. É claro que mesmo a civilização humana é insignificante face ao profundo Universo. É nada, como 1ª aproximação. Só ficará a História. Entretanto, as opções que forem sendo escolhidas ditarão o futuro das próximas gerações.

Espírito do tempo (Zeitgeist)

A Grande Conspiração. Quando ouvia falar neste movimento, ou corrente de opinião, soou-me sempre ao Protocolo dos Sábios de Sião*, conhecem?, documentos “autênticos” forjados, que culpavam os judeus de quererem dominar o mundo (escrito por um espião russo, plagiado de um panfleto filosófico francês, para influenciar o Czar russo, nos finais do séc. XIX.
Vi um filme que me trouxe dúvidas. Terá sido o 11 Setembro, a destruição das Twin Towers, parte de um plano global, que dura há muitos anos, que pretende o domínio absoluto, o poder absoluto incluindo, se necessário, a escravização humana?

É bastante forte, mas esta teoria da Conspiração tem imensos seguidores especialmente nos USA. O filme “Zeitgeist, the movie” (desde 2007) inspira movimentos como o 9/11 Truth. Tem uma primeira parte interessante sobre a religião e astrologia, relacionando mitos do Cristianismo com toda a cultura religiosa ancestral, pré-cristã.

A segunda parte mostra que muitos factos só podem ser explicados pela Teoria da Conspiração. O ataque ao Pentágono, sem destroços, com a bizarra explicação de tudo de ter vaporizado (incluindo as turbinas de tungsténio), o fenómeno intrigante da “demolição” do WTC 7, um arranha-céus nas redondezas que se abate em segundos, sem causa aparente. Aliás, foi a queda das Twin Towers, praticamente à velocidade da queda livre (em segundos, as gigantescas torres desfazem-se em pó, de forma perfeitamente simétrica) que não me largou a mente.

Há muito mais, no filme. Afirma-se que a Reserva Federal (que emite moeda e pode eventualmenmte retirar moeda de circulação) é controlada por privados, Rockfeller e amigos, que pretendem semear guerras, provocar crash para dominar o Planeta, chegando ao cúmulo de nos escravizar a todos, enfiando-nos um chip e controlando todos e cada um de nós. É o “1984” de Orwell, mas pelo outro lado da Guerra Fria, o Big Brother americano.

Simultaneamente a América elege com grande vantagem, Barack Obama, primeiro presidente negro, que emocionou milhões de pessoas em todo o mundo. Muitos esperavam (ansiavam?) pela derrota do democrata, só para “terem razão” e confirmarem que os americanos são os mais racistas do mundo e nunca elegeriam um preto.

Não acredito nesta maléfica e diabólica Conspiração, não quero acreditar, mas não tenho argumentos que tornem plausível aquela “demolição” das Twin Towers. Se tiverem explicações partilhem. É que as implicações são tão vastas e demolidoras, que assustam. A guerra total ao terrorismo faz parte deste “monstro”?

Coincidência ou não, hoje, Obama teve uma sessão especial onde recebeu um briefing dos Serviços Secretos sobre todos os dossiers correntes… Terá ficado surpreendido?


* inicialmente publicados na Rússia, em 1905, esta fraude grosseira pretendia provar uma conspiração judaica contra a civilização. Esta mentira tornou-se uma verdade aceite internacionalmente e foi adoptada por muitos grupos e organizações. Continua a ser fonte de anti-semitismo por todo o mundo, mesmo após as inúmeras demonstrações da falsidade.

Crise, ou males que vêm por bem...

Um tipo na TSF, ex-top-manager do grupo Santander, dizia que a exigência de cumprir objectivos, estabelecer prémios por resultados, necessidade vital de crescimento, ano após ano, e acreditar que sim, se podia fazer milhões em pouco tempo, como o Google, foi a causa profunda da crise que assustou o mundo. Quando o banco americano declarou falência, o pânico estalou.

Dois ramos principais foram consideradas as causas profundas.

1. Foi a derrota do Capitalismo, a queda do muro do dinheiro, o Deus-dinheiro. Quando o mercado era o melhor remédio, vê-se agora a "ingerência" dos Estados na economia que deveria ser liberal. Cá, com a nossa peculiaridade, os empresários propuseram "Nos próximos anos o Estado pôe o dinheiro, a seguir, quando houver lucros, tomamos nós conta". Ou seja, a culpa da crise foi a Economia de Mercado (vulgo, capitalismo selvagem). Junta-se Globalização, Petróleo, grandes multinacionais, e está arranjado o culpado.

2. A culpa foi atribuída também à ganância, dos grandes barões da Finança, investidores, e os seus operacionais, os Bancos, e os jogos das Bolsas. E sentimos verdadeiramente os efeitos colaterais na economia. A circulação de riqueza arrefeceu, ninguém confiava nem vendia dinheiro, sem liquidez face às obrigações a que não se consegue fazer face... Crise. Ou seja, deve haver um regulador institucional, que não permita certos negócios que "prometem" altos rendimentos.

Relativamente à primeira, acredito que o combate não é contra a Economia capitalista; ao longo dos milénios o homem tem evoluído na sua riqueza (excedentes); o desenvolvimento do nível de conforto foi exponencial desde que o sistema cada vez mais aberto do Mercado, se instalou, produzindo resultados excepcionais.
Para continuar desta forma é preciso que a economia cresça. O risco de não crescer, é que os nossos vizinhos nos ultrapassem duma forma quase inimaginável. Contou-me uma alemã da ex-RDA, que teve uma surpresa quase chocante, quando entrou num supermercado ocidental e viu aquela imensa fila de marcas de yogurtes! Ela julgava que só havia uma marca.

Podemos propôr não crescer, mas isso não significa que se seja feliz. É um risco elevado. Mas se optarmos por crescer, tem que ser um sistema capitalista (genericamente falando). "Há males que vêm por bem.", lá diz o ditado. Uma sociedade baseada na exigência e no mérito, mas também no desprezo pelo esbanjamento e subornices, incompetência e desonestidade, enfim quando a sociedade achar vergonhoso ganhar demais e produzir de menos (a não ser dinheiro); isto tanto a nível de organizações e opinião pública, como a nível individual.

Eu também acho que a Crise é uma espécie de queda do Muro, do Deus-dinheiro. Os prémios alarves dos grandes gestores, ainda antes de verificado o ganho, os negócios "D. Branca", com premissas de eternas valorizações, de ganhos obscenos com actividades que produzem nada, a não ser a miragem do dinheiro fácil. Talvez esta crise deixe no intímo de muita gente esse desprezo pelo Deus-dinheiro. Nesse sentido, há males que vêm por bem.

O segundo argumento, entra também pelo primeiro. Mas sob o ponto de vista individual, a ganância é o modo de vida que se instalou nas sociedades; isto é, quando nos oferecem a possibilidade de ganhar 5 em vez de 2, optamos, gananciosamente, pelos cinco. Vivemos a crédito, com bom carro, em casas próprias, televisões e telemóveis, fins-de-semana e férias. Vai-se pagando, mas goza-se já. A culpa não é só dos magnatas que movimentam milhões todos os dias.

Os nossos avós não compravam às prestações. Poupavam.
Haverá um modo de, nesse aspecto, as sociedades actuais mudarem, serem mais como os nossos avós eram? Também acho difícil, mas Barack Omaba já apontou esta direcção, a poupança. Nunca será igual (felizmente) mas é também um sinal que o valor Deus-dinheiro baixou a sua cotação ética.

Como responder à Crise? A União Europeia foi rápida, certeira e exemplar. Nunca tal se houvera visto! Há males que vêm por bem! A mensagem foi clara: não há motivo para pânico, nós, os Estados garantimos a não-falência, baixam as taxas de juro, concertado com o resto do mundo. Desta vez o mundo velho, ao contrário do habitual, levou os americanos a reboque. E parece que o grupo do euro€, esteve protegido, que o diga a Islândia ou a Dinamarca.

O preço do petróleo a cair vertiginosamente será outro bem trazido pela crise? Não há dinheiro não se compra! Reacção dos "petroleiros" foi de capitalismo selvagem de baixo nível: "Ai é!? Baixamos a produção, petróleo aumenta!"; Não será altamente criticável, quando a crise está no seu pico?

A Mudança acelerada que vivemos, (as próximas gerações serão já pós-mudança), vê-se todos os dias e em todos os sectores. E depende acima de tudo dos cidadãos, dos individuos; claro também dos poderes, riquezas da economia e outras, conhecimento e inovação, mas...

Mas se, individualmente, não conseguirmos aproveitar e adaptar esta mudança para uma vida melhor, mais feliz, não será como Sociedade que o conseguiremos. A sociedade deve ser o resultado da vontade e esforço das pessoas.

Dizia o tipo da TSF, que, o que tem medo, nesta crise é que as pessoas não possam continuar a viver tão bem. Quando lhe perguntaram, o que tinha ganho com o corte radical da sua vida profissional stressante, respondeu, após hesitação, "A alegria de viver".

Esqueci-me de dizer que sofria de ataques de pânico, embora "sem relação com o trabalho"!

post-scriptum (s)

Nota positiva para o deputado Manuel Alegre pelas incómodas perguntas (MST tem feito uma eloquente campanha) ao Governo pelo negócio dos contentores de Alcantâra, a esconder o Tejo, parecendo, de facto uma negociata obscura. Mas o meu elogio é para o cumprimento do seu dever. Podemos imaginar se cada um e todos também o cumprissem

Golpe de génio na abertura da Cimeira Ibero-Americana de Sócrates. Promoção excelente ao Magalhães uma grande ideia, que alguns críticos, de tão profundos, só vêm a árvore dos defeitos, esquecendo-se da imensa floresta dos benefícios das futuras gerações a navegar. É uma medida de grande alcance e apenas se poderá dizer que podia ter sido mais cedo.

Barack Obama será presidente dos USA. De vez em quando surgem politícos que fazem que os outros acreditem. a partir daí tudo pode acontecer. Obama é um balde de água fria para muitos, mas é uma esperança de optimismo para muitos mais.

Bjorn Lomborg, autor de "The Skeptical Environmentalist" e "Cool It". Para discutir se o combate à Alteração Climática se está a fazer da pior maneira possível, inclusivé protocolo de Quioto, etc. O Consenso de Copenhaga parece ter razão. Leiam.

Por leituras, refiro a monumental obra de Colleen Mccullough, O Primeiro Homem de Roma, de sete volumosos volumes que conta a história do final da República, início do Império. De Mário e Sila , até Octaviano César Augusto, passando por Pompeu e Crasso, Marco António e Cleópatra e pelo grande Caio Júlio César. Fico à espera do oitavo, mesmo sabendo que a escritora após o sexto afirmou que não continuaria, pois ficaria presa por toda a vida.


Ocidente, manter o Poder



O Homem não sobrevive se não fôr em comunidade. Devido a esse facto, surge o poder de alguns mandarem e outros obedecerem. Esta interrelação é aquilo que chamamos Política. A autoridade de deter o poder, a aceitação ou não de se obedecer, gera a luta, que desde sempre, existiu pelo Poder. É a origem de todas as revoluções, todos os impérios, guerras, etc.




Após milénios de História, hoje é a civilização Ocidental que detém o poder, conquistado nos últimos milénios (desde os Gregos e Romanos), e atingiu o apogeu naquilo que se chama " a Pax Americana". Quero aqui dizer que espero que o nosso modo de vida, a civilização Ocidental continue a ter o Poder.




A força que tornou possível esta realidade, o triunfo do nosso modo de vida, é a possibilidade de cada um pensar pela sua própria cabeça. Onde esta capacidade é incentivada, a de ter e expressar livremente opiniões próprias, eu sinto-me bem.




Politicamente, com todos os seus defeitos o sistema Ocidental funciona muito bem quando comparado com outros. Isto é inegável. Funcionar, significa, para mim, que o sistema apura, selecciona os melhores (a todos os níveis), aprende com o erro, e tem a capacidade de mudar, de melhorar.




Após a queda do Muro de Berlim, toda a ideologia socialista revolucionária, demonstrou estar errada. Nem todas as pessoas eram iguais, e sobretudo a sua individualidade era negada. O colapso económico foi esmagador.




A Guerra Fria marcou de forma profunda a Esquerda. O idealismo que acreditava poder transformar, para melhor, o mundo foi-se tornando intolerante, cada vez mais dogmático até que actualmente, ser de Esquerda é quase sinónimo se se proclamar anti-americano, ou ainda anti-ocidental.




Se o Poder foi (é) do Ocidente durante tanto tempo, o futuro é uma incógnita. O Planeta é hoje multi-polar com diversos pólos de Poder, não apenas os Estados, mas também organizações internacionais, grandes empresas, ONG's, igrejas, os medis, etc, etc. As mudanças tremendas que se estão a viver, exponenciadas pelos inimaginéveis efeitos da internet (desaparece a condicionante tempo-espaço), causam uma revolução no modo de vida de tal forma, que estou convencido que, não a conseguiríamos reconhecer nas próximas décadas.




Há quem se adapte à Mudança, que não se fará sem sacrificios, e a luta pelo Poder, a política, nunca irá parar. Atingido o apogeu do poder do Ocidente, significa que a curva será descendente; a questão é quem vai agarrar o Poder, já que este nunca fica "abandonado". A previsão geral é que a civilização dominante do futuro será a China.




Assim, a nossa civilização com todos os valores que defendo, será submetida por outros que infelizmente não dão mostras de partilhar aquilo que é fundamental: liberdade de pensar, capacidade de errar e renovar, direitos individuais e liberdades colectivas.




Por isso o meu lamento, já tantas vezes dito: já não há Esquerda e Direita, apenas os que compreendem a Mudança e se adaptam, e os outros que são contra a Mudança, que travam, adiam, permanecem irredutíveis naquilo que tomam por direitos, mesmo pondo em causa o futuro. E a minha crítica vai sobretudo à Esquerda que não contribuindo para a solução dos problemas, torna-se ela própria o problema.




A ideologia do "quanto pior, melhor" foi-se instalando, e os ataques sistemáticos à civilização Ocidental, protegendo, simultaneamente as outras civilizações que sucessivamente pisam os nossos valores, não contribui em nada para o nosso futuro.




A invasão ao Iraque, as relações Israel-Palestina são dois dos principais pontos de clivagem. Embora saiba qual o "meu lado", é hoje fácil verificar que os métodos usados foram um erro e baseados na mentira. Sempre aqui apoiei a resolução que obrigava Sadamm a cumprir as exigências da ONU. Os interesses envolvidos explicam como Bush, mesmo sem o apoio do Conselho de Segurança (França, Alemanha e Rússia) decidiu avançar (era já estratégia anterior ao 11 / Set). E o pós-guerra é a desgraça que se conhece. Mesmo assim se os iraquianos quiserem, têm uma oportunidade única de se transformarem numa potência económica local, onde haja "direitos, liberdades e garantias" do tipo ocidental e onde se possa viver em paz, finalmente.




Bush é o alvo a abater. Se tivesse sido outro as coisas provavelmente teriam sido diferentes, embora a responsabilidade de assegurar o acesso à Energia seja uma obrigação para qualquer político no Poder. É certo e sabido que o Presidente dos Estados Unidos vai mudar. É a tal capacidade de renovar, de corrigir, alterar, intrínseca ao modo de vida Ocidental.




A estratégia continuará a mesma: manter o Poder, sempre.




E nós, União Europeia, e nós Portugal, devemos lutar por essa estratégia; querer que o Poder seja renovável, sem Revoluções, aprendendo com os erros; o desafio é esse; lutar, defendendo o nosso modo de vida, pelo que o Poder continue a ser Ocidental. E a "velha Esquerda" tem de saltar para o lado da civilização Ocidental.

A MINHA VERGONHA


A MINHA VERGONHA

As imagens que vi num metro de Barcelona, onde um skin (?) insultou, esbofeteou e pontapeou uma emigrante (?) equatoriana causaram-me um arrepio.
Nem falo da atitude do energúmeno, pois o que foi mais arrepiante pois a total passividade dos presentes, com aquela atitude de “não é nada comigo”.

Em pleno século XXI, numa sociedade de Liberdades, Direitos e Garantias, valores constitutivos da nossa sociedade Ocidental, como é possível não reagir contra uma acção daquelas?

Será que os cidadãos estão tão insensíveis, tão certos que a Liberdade é garantida que pensam que ela é eterna? Será que o medo,. a insegurança os fazem optar por um prudente silêncio? Qual será o limite a partir do qual, alguém reage? Só quando nos toca de perto? Será que não existe solidariedade, que as alterações da sociedade estão a tornar-nos tão apáticos em relação às injustiças, desde que elas afectem apenas, os outros?

A minha grande vergonha, é que no meu íntimo, não consigo garantir que reagiria a uma cena daquelas. É a mais pura das verdades. E isto causa-me dor.
É que a passividade, quando está em jogo a Liberdade pode ter resultados catastróficos.
Saúdinha

UNIÃO IBÉRICA



Sou leitor assíduo do jornal A Bola. Aos sábados leio uma crónica assinada por Jorge Valdano, antigo futebolista argentino que está radicado em Espanha há vários anos.
Valdano escreve sobre futebol internacional mas fala principalmente, apoiado no que se passa em Espanha, dos clubes, jogadores, treinadores que actuam no país de “nuestros hermanos”.
E já dei comigo a pensar: Mas que raio nos interessa a nós, portugueses, o que se passa no futebol espanhol?

A verdade é que isto é um sinal de algo muito mais vasto: Portugal e Espanha, estão cada vez mais unidos pela economia, e vão surgindo cada vez mais áreas em que a divisão entre os dois países se vai esbatendo. Todos sabemos das empresas espanholas que estão em Portugal em quase todas as áreas, desde o sector financeiro até aos serviços. Hoje quando vamos a uma superfície comercial sabemos que os produtos que vamos comprar são produzidos, ou comercializados por empresas espanholas, quando vamos ao hospital é cada vez mais normal sermos assistidos por médicos ou enfermeiras espanholas. Também conhecemos muita gente que foi estudar nas Universidades espanholas ou foi trabalhar para Espanha. E o inverso, embora talvez com menos impacto, também sucede. Estão em curso grandes projectos ibéricos, como o plano hidrológico ou o TGV. E desde a implantação das Democracias Ibéricas que os governos dos dois países se reúnem nas cimeiras ibéricas discutindo e implementando programas e objectivos comuns. Também nos plano internacional, na EU e nas reuniões ibero-americanas se vai cimentando esta aliança ibérica.

Com isto o que eu quero dizer é que a União Ibérica já existe embora em fase embrional. E numa época de globalização, em que ambos os países estão na União Europeia num processo federalista, não faz sentido que tenhamos medo em falar numa União Ibérica. E União Ibérica é uma união entre dois Estados e não a absorção de um pelo outro. E porque seria bom? O peso duma União Ibérica, dentro da União Europeia e no Mundo seria muito maior do que o somatório dos dois países. As políticas de investimento, politicas sociais seriam muito mais fortes. Mas acima de tudo, considero que entre os Portugueses e os Espanhóis (Galegos, Castelhanos, Andaluzes, Catalães) não existe grandes diferenças, tanto culturais, como religiosas, como históricas…

Não estou a rasgar e esquecer a nossa História. Nem pensar. Portugal tem e terá um orgulho imenso na sua História e na sua Independência conseguida exactamente contra Castela. O que defendo é, não esquecer o passado, mas tornar mais forte o futuro. E, como disse, uma União Ibérica só pode ser uma união entre dois Estados, Portugal e Espanha. Não estou a pôr em pé de igualdade as províncias espanholas com Portugal.

Há muito tempo que acredito que o primeiro de Dezembro de 1640 foi o maior erro histórico dos Portugueses. Continuo a pensar assim. Não foi nessa altura. Será no futuro. E atenção: eu não quero ser espanhol! Sou e serei sempre português, com muita honra e orgulho. Sou tão patriota como o mais empedrenido!
Viva Portugal! Viva a União Ibérica!
Saudinha

PS Já disse às minhas filhas: a língua estrangeira mais importante é o castelhano.

O MUNDO É DOS INSECTOS!


Se saírmos de órbita e observarmos o planeta à distância, pensarmos no equílibrio tão fino que existe na sobrevivência da espécie humana, e lembrando-me de uma frase que o meu avô nos dizia, concluo: a espécie humana não tem futuro.
“O futuro vai ser dominado por insectos” dizia o meu avô. Se calhar tem razão, o meu querido avô.

LEI DO TABACO


Onde moro existe um café que toda a gente frequenta.
Quando, finalmente saiu a lei “anti-tabaco”, foi-lhe perguntado se o seu café seria de fumadores ou não-fumadores. Respondeu que gostaria que fosse de não-fumadores mas que não tinha hipótese…

O Governo decidiu (depois de muitos países europeus) legislar no sentido de proteger os não-fumadores. Na primeira proposta dizia-se que, além das instituições e serviços públicos , também nas empresas abertas ao público (cafés e restaurantes) até 100 m2 seria proibido fumar.

Eu concordo em absoluto com o sentido da lei. Proteger os não-fumadores, no seu direito de ser não-fumador. A melhor maneira de resolver o problema (pois também defendo o direito a ser fumador), seria o de estabelecer espaços para fumadores e espaço para não-fumadores. Como isso, para espaços pequenos impossível, houve que estabelecer um espaço (não faço ideia se os 100m2 são os adequados). E concordo que, nos espaços em que seria impossível haver segregação de espaços, o estabelecimento seria não-fumador.

Vária vozes foram contra esta solução. Perseguição aos fumadores! Ataque à Liberdade Individual (do proprietário do café, pois este deve ter liberdade de escolher se o seu estaminé é para fumadores ou não). O Governo fez-lhes a vontade. O resultado? Quase nenhum. Se havia um objectivo na lei, foi cumprido? Eu acho que não. Como se demonstra no exemplo no inicio.

É que este é um exemplo do que o bom senso não resolve (aparentemente) e o Estado vai interferir na luta entre duas liberdades. A Liberdade do fumador e a Liberdade do não-fumador. Qual ganhou?

Saúdinha

A SANTA ALIANÇA


Perante esta Santa Aliança, que se pode esperar?
A declaração de guerra que os dois fizeram a Bush é impressionante.

É que, é bom que não se esqueça, a luta pelo Poder não tem descanso.

Nesta guerra, que, na minha opinião os USA estão a cada dia que passa a perder vantagem. Há quem diga que o Império atingiu o cume e vai começar a perder Poder.

A ONU (ou deverei dizer, os Estados Unidos?), através de Tony Blair, está a jogar uma cartada no Médio Oriente. Com problemas na faixa de Gaza – o Hamas controla – ,no Líbano - a Hezbollah está latente – Israel está ameaçado… pelo Irão. Tony Blair vai tentar, ao fim de 60 anos (!) tentar a f´rmula dos Dois Estados. É uma missão quase impossível, digo eu, mas Tony Blair pode ser o gajo certo.

Além destes problemas, o Iraque continua sempre em crescendo, não se adivinhando quando estará seguro. As tropas americanas não podem aguentar muito mais, sem a Opinião Pública exigir o regresso.

Mas dizia eu, perante esta aliança, assustadora, aterradora, que declaram guerra aos USA, não tenho dúvidas em relação a qual deve ser o meu lado da guerra. Acredito que haja quem defenda uma neutralidade, eu não. Se os USA perdem Poder para esta Aliança, nós vamos perder.

Defendo é que seja possível os USA e a UE terem uma política diferente. Uma política que defenda os nossos Valores com toda a emergia possível, mas respeite os outros. Uma política para os povos.

Nesse sentido torna-se importantíssimo o nome do próximo Presidente dos USA.
Alguém tem opinião dos possíveis candidatos?

PS: Enquanto isto a China… tece a sua teia. Estou convencido de que quando a China abrir a sua boca, será para dizer: A partir de agora isto é diferente… e ditará os novos mandamentos. Mas eles têm tempo… A escala de tempo da China é diferente. Por ora, felizmente, é evidente que não se juntam a esta Santa Aliança.

Saúdinha

Arte Contemporânea? É Por Aqui.

Em jovem tive um cunhado que era um bocado passado. Nessa altura a casa da minha irmã e a vida que por lá se levava era, no mínimo, algo extravagante.

Lembro-me do culto das músicas dos Velvet Underground e quejandos, lembro-me das estantes cheias de livros estranhíssimos do Boris Vian, Kafka ou Kerouac e lembro-me das paredes cheias de serigrafias do Warhol e do Lichtenstein que eu, na minha (ainda hoje persistente) falta de cultura no campo das artes visuais, cheguei a pensar que era o meu cunhado que as fazia (ele que até tinha alguns dotes artísticos). Aquilo era de facto um banho de “Cultura Pop”.

Quando a minha irmã se separou eu perdi o contacto com este meu cunhado e de alguma forma também com esta “Cultura Pop”.

Pois agora que o nosso Comendador conseguiu incluir Lisboa na rota da arte contemporânea (onde a “Arte Pop” é certamente um dos seus movimentos mais significativos) declaro desde já o meu empenho para que o Merdex não fique fora da Rota.

(Pin Ups de Mel Ramos)

Terror Estereofónico

Como pai, até tremo só de pensar na famosa “Idade dos Porquês” por onde todas as adoráveis criancinhas passam lá por volta dos 5/6 anos.

Por mais boa vontade, abertura de espírito e consciência educativa com que me prepare para responder às primeiras perguntas, sou rapidamente consumido pelo ininterrupto encadeado de questões que se sucedem a um ritmo frenético e que utilizam uma lógica absolutamente metafísica na sua subordinação. O desespero leva-me normalmente a recorrer a manigâncias de que depois me envergonho (do tipo “vai perguntar à mama” ou “olha, os desenhos animados já começaram”).

Agora imaginem tudo isto em estéreo! Garanto que por muito menos há muito boa gente internada em hospícios.

Eleições, Para Que Vos Quero?

Na maioria das mais recentes ocasiões em que os Portugueses foram chamados a emitir a sua opinião através do voto, os resultados da abstenção tem sempre surpreendido pela negativa.

Parece-me demasiado fácil dizer que o fenómeno não é mais do que a constatação da fraca consciência cívica que é pressupostamente uma das características do povo Lusitano. Já por diversas vezes, sob o modelo adequado, os Portugueses deram mostras de que estão dispostos a participar e a manifestarem-se (neste gráfico vemos que já houve inclusive eleições em que a taxa de participação atingiu os níveis mais altos dos restantes países Europeus).

O Manolo diz num dos posts lá em baixo qualquer coisa como: os modelos políticos não estão a acompanhar a evolução das expectativas dos cidadãos. Concordo em absoluto e Portugal é certamente um dos países Europeus onde esta afirmação é mais verdadeira. Os Portugueses arrancaram para a modernidade e nos últimos anos deram saltos quantitativos e qualitativos de gigante (os programas do A.Barreto que vi, e tenho muitíssima pena de não os ter visto todos, davam bem conta disso). No entanto o modelo político não evoluiu: uma Constituição pesadíssima, um sistema partidário desorganizado, afastado dos cidadãos e quase implodido à conta das tricas dos seu barões, um sistema municipal bafiento sem capacidade para funcionar e que só serve de bebedouro para o caciquismo partidário, um parlamento que pouco parlamenta e que é pouco mais do que o camarim dos nossos políticos profissionais.

Não se revendo no modelo, os eleitores mandam-no às malvas e juntam-se todos num cantinho à espreita de alguém em quem possam confiar … chame-se ele Sebastião ou não.

Eu só espero é que quem venha, venha por bem!