Oportunidades perdidas da História

Em várias discussões que se prolongam “eternamente” há um tema que é recorrente: houve acontecimentos, acasos, contingências na História de Portugal que nos fizeram o país que somos, tão grande que queríamos ser e tão pequenos nos tornámos. “Se não fosse o primeiro de Dezembro de 1640…”, hoje continuaríamos a ser tão portugueses como somos, mas, porventura com o nível que os espanhóis hoje têm. Na altura filipina, na aliança dos habsburgos, (Carlos V), quando conseguimos a independência (e a guerra com Espanha e o Império) pedimos ajuda aos seus inimigos (Inglaterra, Holanda e França) e o que conseguimos foi apenas tréguas a troco dos nossos interesses comerciais (Brasil, África etc). Outra oportunidade perdida, terá sido o não termos resolvido politicamente o conflito com as colónias (Angola e Moçambique) durante a longa guerra colonial. E tivemos essa hipótese. Como teria sido?
Mas o acontecimento, para mim mais dramático, que maior influência terá tido para o não-desenvolvimento de Portugal foi toda a epopeia dos judeus portugueses. Vem isto a propósito dos 500 anos do progrom de Lisboa, em que cerca de 4000 cristãos-novos foram chacinados pela populaça durante 3 dias em Abril 1506. Neste post pode ler-se a história, que é “romanceada” por Richard Zimmler no seu magnifico “O último Cabalista de Lisboa”. Os tempos eram outros e o Obscurantismo com todo o seu vigor impunha-se à razão. Os reis Católicos, em 1492 tinham decretado a expulsão dos judeus de Aragão e Castela provocando uma “invasão” em Portugal. Cerca de 100 000 foram autorizados por D. João II, a troco de altas quantias ou a redução à escravatura. Em 1496 também D. Manuel os quis expulsar (na sequência de negociações, que já vinham de trás para o casamento do filho de D. João II, D. Afonso o tal que morreu ao cair do cavalo…) mas face aos prejuízos (enormes quantias pagas pelos judeus e saída de milhares dos melhores artesãos) optou pelo baptismo forçado dos filhos e proibiu a saída dos judeus de Portugal. Esta fractura entre cristão-novos e velhos influenciou até muito tarde a consciência nacional. (mentalidade do cristão-velho, detentor da verdade, inimigo da inovação, dogmático e repressivo e a mentalidade do cristão-novo, dissimulado, acossado, intimamente revoltado, não solidário com a comunidade nacional). D. Manuel concede 20 anos para os novos cristãos “à força” perderem os seus costumes. O estabelecimento do tribunal da Inquisição em Portugal apressa a emigração furtiva dos judeus, já no contexto repressivo da Contra-Reforma. Os autos de fé (generalizam grande terror e medo).
Muitos dos “fugidos” irão para os Países Baixos, Flandres etc. E esses países, com o contributo desta gente, a par das reformas protestantes, elevaram-se ao estatuto de grandes potências que são ainda, enquanto nós… vamos definhando. Como seria Portugal, caso os judeus cá pudessem ter vivido e trabalhado livremente? Ninguém sabe, mas foi, para mim uma oportunidade perdida.

Esta semana vou estar assim

Cronicazex

Chegar ao Luxemburgo é como chegar a casa: no hotel é o simpático Manuel que me faz o check-in e de manha ao pequeno-almoço é a enérgica Linda que me oferece uma bela taça de café. Depois do almoço a bica na Cantina é tirada pelo Shor. Jacinto e na inevitável visita ao supermercado para comprar mercadoria Portuguesa a preços acessíveis é a Manuela que me regista o Terras d’el Rei a 2.75€ e o Periquita a 3.42€.

Para onde quer que me vire há gente a falar a língua de Camões, e mesmo não falando não passa despercebido o “ar mediterrânico” de muitos moços, moçoilas, senhores e senhoras que se passeiam pelo centro comercial.

É um facto pouco referido, mas o país mais rico da União Europeia assenta sobre uma população activa com cerca de 40% de Portugueses.

E esta hein!

Democracia Directa

Fechamos aqui a rubrica Democracia Directa. O Merdex agradece a todos os seus leitores que colaboraram nesta iniciativa de grande sucesso (numa das sondagens chegamos a ter 9 votos!) e promete que num futuro próximo vos irá propor novas actividades que vos permitam continuar a participar de uma forma activa na vida política nacional.

Assim, e com base nos resultados das sondagens que aqui foram feitas, segue a seguinte missiva para o Eng. José Sócrates, Primeiro-Ministro de Portugal:

Exmo.Senhor. Engenheiro José Sócrates,

Os leitores do Merdex exigem que V.Exa. dê prioridade às reformas nas áreas da Administração Pública e da Justiça. Queremos também que, de uma forma geral, faca o necessário para diminuir o peso do Estado na economia nacional e que, assim que puder, reduza os impostos sobre as empresas.

Deverá também V.Exa. instruir o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros para intensificar todas as medidas que vão no sentido de orientar a nossa política Europeia em direcção ao reforço do Federalismo Europeu.

Na área do Ensino intimamos V.Exa. a dar um maior grau de independência às entidades nucleares (escolas, institutos, universidades, etc…) e em paralelo deverá implementar um sistema tipo ‘vauchers’ por forma a garantir o acesso aos estudantes que necessitem de apoio financeiro.

Certos de que V.Exa. não deixará de nos obsequiar com o cumprimento destas nossas exigências subscrevemo-nos entretanto com elevada estima e consideração.

Os leitores do Merdex

O SUCESSOR

Está encontrado o sucessor do Herman.
Já foi tratado o tema da geração Herman e a lufada de ar fresco que ele representou quando apareceu e durante a primeira fase da sua carreira antes de se tornar aquela figura esquisita que é hoje.
Vi o segundo episódio da série que passa na RTP dos Gato Fedorento.
Fiquei siderado !
Eles são bons ! Mesmo muitos bons !
Humor, digamos, bem-humorado .
Certeiro, divertido, amoral, com ritmo, inteligente, é de ir às lágrimas.
Aconselho vivamente.
Saúdinha

Assim se ve a forca de um Jornal

Para quem ainda tinha duvidas sobre a influencia que o Merdex tem na sociedade Portuguesa é ler isto!

A FELIZ COINCIDÊNCIA


Merdex cumprimenta e felicita Cavaco Silva e Sócrates, pela feliz coincidência da tomada de posse do Presidente e pelo aniversário do governo do Primeiro-Ministro. Penso de facto, que se trata de uma feliz coincidência que pode dar esperança a este povo.
A entrada de Cavaco, com clara vitória, e o conhecimento de que só há eleições por daqui a três anos, pode fazer com que as vontades unidas de Cavaco e Sócrates transformem seriamente o nosso país.
Sem querer alongar-me, julgo que é consensual que Sócrates tem boas intenções. Até penso que, nesse aspecto é uma continuação das boas intenções do governo Guterres. A grande diferença é que se aprendeu com com os erros de Guterres.
Apesar de considerar que se perdeu uma excelente oportunidade de fazerem reformas de alto a baixo e alguns embaraços (de que o aumento do IVA foi o pior) este 1º ano de governo Sócrates apresenta-se determinado e com ideias.
-Combateu interesses corporativistas retirando benefícios injustificados e indefensáveis, com uma cultura de mais exigência (alguns exemplos : hoje já compramos Halibut, Cêgripe, Reumon Gel, etc no Continente a preços mais baixos que nas farmácias, acabou a duplicação de sistemas de assistência na Saúde, uniformizou-se a idade da reforma, retirou-se alguns privilégios à classe política, etc).
-Apresentou um plano em Bruxelas para cumprir a meta dos 3% sem receitas extraordinárias nem desorçamentação. Não deixamos de combater o déficit mas sem hipotecar a Economia. Além disso recuperou muito dinheiro da fuga aos impostos. Vão agora publicar os nomes dos maiores devedores !
-A ideia do plano Tecnológico é boa. E é fundamental para o país ! A qualificação dos Portugueses é vital ! É uma questão de sobrevivência. E os passos dados no Ensino também reflectem uma boa cultura : Inglês no ensino básico, horários completos, aulas de substituição, estabilidade nos corpos docentes das escolas, formação tecnológica aos professores... São tudo boas intenções !
-A politica de investimentos estrangeiros, em áreas que interessam a Portugal, a simplificação administrativa, o investimento social, anunciados investimentos de 450 M€ com o dinheiro do Euromilhões, o subsidio aos idosos necessitados... Tudo boas intenções.
Os maiores desastres deste 1º ano de governo foram a falta de explicações convincentes para a localização do novo aeoroporto, a necessidade das linhas programadas de TGV e a reacção deprimente do nosso governo à crise das caricaturas.
No balanço possível (José Gil afirma que não há balanço de um ano), a minha opinião é que Sócrates justifica o benefício da dúvida e até o nosso aplauso. Sente-se que pode ser o "É agora".
Mas dizia eu que acredito que possa ser uma feliz coincidência a conjugação deste balanço com a entrada de Cavaco como Presidente. Pode-se esperar uma paz positiva e "pró-activa" entre os dois.
Na posse, Cavaco esteve em grande. No seu discurso transmite a ideia de responsabilização individual, da necessidade de trabalho, de seriedade e de confiança.
Os cinco temas que elege como objectivos são concretos :
- Cresciemnto da Economia
- Qualificação dos Recursos Humanos
- Reforma da Justiça
- Sustentabilidade da Segurança Social
- Credibilizar a classe política.
Cavaco acertou na mouche ! Estamos todos com ele.

Assim, e apesar de por diversas vezes ter referido o meu pessimismo acerca do futuro de Portugal, e como também pensar que esta é a última oportunidade da III República, estou confiante nesta dupla.
Os tempos são difíceis, nacional e internacionalmente mas estou convencido que se houver algo que se possa fazer por Portugal, estes dois vão-no fazer.

PS Caio Mário, na tomada de posse do novo Presidente esteve...ao nível de Caio Mário.

Saúdinha

OS ECOLOGISTAS

Hoje o ambiente é uma prioridade politica no mundo inteiro. Não há investimento importante sem o respectivo estudo de impacto ambiental. Todos, sem reservas, reconhecem a importância da defesa do nosso planeta para as gerações futuras.
Por isso se estabeleceu o Protocolo de Kioto por forma a limitar e a controlar as emissões de CO2 para a atmosfera. Por isso toda a discussão no sentido da economia sustentável.
Todo o desenvolvimento deve ter em conta a influência que vai gerar no Ambiente. E tem que se evitar perdas irreparáveis para o ecosistema. Deve-se equilibrar o desenvolvimento, melhorando as vidas das populações, não destruindo a Natureza.
Sendo assim, porque é que há a sensação de que os ambientalistas e as suas organizações são tão fundamentalistas que por eles não se fazia investimento nenhum ? Seja uma auto-estrada, um hospital, uma ponte ou um hotel, nada se construiria se estes ambientalistas tivessem o poder de decidir.
Não digo que não tenham argumentos válidos e razões coerentes, acredito que sim, a questão é que são sempre contra e isso faz com que percam a credibilidade. Não sabem equilibrar a defesa do ambiente com a necessidade do desenvolvimento.
Tenho pena pois acho que é uma das causas que valem a pena. Acho também que é um tema transversal a toda a sociedade e portanto a todos os partidos e por isso não vejo a lógica de partidos ecológicos.
Mas o que não percebo de todo é porque raio, em Portugal, o Partido Os Verdes não passam de uma subsecção do Partido Comunista. É evidente que sei que querem assegurar uns lugarzitos no Parlamento, mas refiro-me à questão ideológica. Os verdes à boleia dos comunistas ? Que bizarro, que tristeza, que falta de credibilidade.
Saúdinha

Educação e as futuras gerações


No último Domingo decidi ajudar a minha filha mais velha (9º ano) a estudar Matemática para um teste. Normalmente boa aluna, ultimamente tinha vindo a fraquejar (notas medianas) e sei que é uma matéria importante para o futuro. Assim trabalhamos seriamente e julgo que ficou bem preparada. Feito o teste, comentou-me que era extremamente simples, e que todos os exercícios por nós praticados tinham um grau de dificuldade muito maior. Recebeu a classificação, Muito Bom +, o que foi excelente para ela, e, por que não admiti-lo também para mim. Quando me contou os resultados do resto da turma (cerca de 20 alunos) fiquei estarrecido: 4 Suficientes menos, e tudo o resto negativas!
O que se passa hoje nas escolas em Portugal? Serão os professores que não têm capacidade? Vontade? Meios? Competência? De tudo haverá um pouco, mas realmente o País está refém da preparação e competência que as futuras gerações adquirirem.
Relativamente às medidas que este Governo tem vindo a tomar, no geral nada a opor: Inglês obrigatório desde o Ensino Básico, um Plano Específico para melhorar o Ensino da Matemática, aulas de substituição, exames nacionais já para o 9º ano, estabilidade dos docentes nas escolas (3 anos consecutivos), ocupação educativa dos alunos em todo o horário escolar, um sistema de avaliação e certificação de manuais escolares, mais racional e menos dispendioso, etc. Por outro lado, a cada medida, sem excepção, opõem-se os sindicatos e professores. Claramente, não contam com o apoio da maioria da população, embora os partidos da oposição e também os media lhes atribuam um poder de reivindicação totalmente desproporcionado.
Não sou nenhum expert, mas penso que a atitude da maioria dos profissionais da Educação (e desculpem-me aqueles que são excelentes e se vêem injustamente rotulados) não é profissional. Quero com isto dizer, que as aulas que se leccionam são parte importante, mas de pouco valem se não houver responsabilidade, avaliação de performance e, naturalmente as consequências: positivas, para os que demonstram mérito e penalizadoras para os outros. Para isso são necessários “chefes”: o director da Escola, o “chefe” da Matemática, do Português, do Inglês, etc. Estes têm que reportar ao Director, e devem reunir diariamente com os colegas da disciplina para resolver os assuntos da Educação. Tem que haver um follow up apertado, em que cada professor deve assumir que acções vai tomar e quando, para resolver os diversos problemas que se lhe deparam; tem por outro lado o apoio dos colegas e se não houver poder àquele nível, então escalar para o Director que deverá ter os meios para solucionar. Reunião diária? Chefes? Avaliação, timings para cumprir, permanecer a trabalhar 8 horas por dia? Bem, é o que o comum dos mortais faz toda a vida. Querem os professores uma Escola que cumpra o seu importante papel na sociedade e querem ser respeitados pelos seus concidadãos? Então organizem-se, distingam o trigo do joio e ... mãos à obra.
PS: Sei que existem inúmeros problemas, mas são os professores parte da solução ou parte do problema?

Plágios e Mistérios, ainda o Código


Um dos romances que mais me interessou (e a milhões de leitores em todo o mundo) nos últimos anos foi o “Código da Vinci” de Dan Brown. Pensar nas origens do cristianismo, dos segredos impostos pelos homens na construção de um poder como a Igreja foi estimulante.
Outros assuntos envolvem o romance, mas o que me interessou, até para além do romance, mas por ele desencadeados, foram os primeiros cristãos, a Igreja de Jerusalém, liderada por Tiago, irmão de Jesus, a hipótese (perfeitamente razoável, na minha opinião) do casamento de Jesus e Maria Magdala, ou Madalena, as Escrituras e os Evangelhos e toda a discussão que teve o seu auge no Concílio de Nicéia (325) que estabeleceu muitos dos dogmas, sobretudo a divindade de Jesus, contra a opinião dos Arianos. Depois a hipótese da filha de Jesus e Maria ter sido enviada do Egipto para a Provença por José de Arimateia (sendo a origem da lenda do Sangraal, ou Santo Graal). Os hereges Cátaros, massacrados pelo que ficou conhecidas pela cruzada Albigense, a mística dinastia Merovíngia e a Ordem dos Cavaleiros do Templo, toda esta temática misteriosa foi-me induzida em primeiro lugar pelo romance de Dan Brown, e é isso que me interessa num livro, que me obrigue a pensar e a procurar outras referências sobre o assunto. (por exemplo, Margaret Starbird).
Vem isto a propósito do processo de plágio de dois académicos que publicaram "O sangue de Cristo e o Santo Graal” no início da década de 80 contra o Código da Vinci. Mas, evidentemente, este livro, assim como outros, constam na bibliografia utilizada por Dan Brown, que foi perfeitamente correcto. Na minha opinião há aqui uma dose de oportunismo pelo sucesso de Dan Brown, não-conseguido pelos dois autores Michael Baigent e Richards Leigh e até de inveja. Não há plágio, existe apenas a utilização de uma ideia (frequente, aliás, nos eruditos e esotéricos) para construir um romance com profundidade.
Vamos ficar a aguardar o desfecho do tribunal, esperando uma boa decisão até porque o filme está por estrear.

No fundo, os nosso ministros deviam era aprender a jogar Civilization!

Antes de discutir a localização do novo aeroporto julgo que seria mais importante tornar publica a discussão sobre que tipo de aeroporto se deve construir. É que os aeroportos devem ser construídos tendo em conta os seus principais objectivos, dotando-os das características mais adequadas ao seu tipo de funcionamento. Queremos um grande aeroporto que possa vir a tornar-se a tal placa giratória para a América do Sul,; ou queremos antes um aeroporto com custos mais baixos capaz de, através das suas taxas mais acessíveis, captar as preferências das companhias low-cost; queremos um aeroporto que sirva simultaneamente como catalizador para o desenvolvimento económico de uma determinada região; ou queremos antes um aeroporto que consolide os eixos económicos já instituídos. Enfim, julgo que há aqui matéria para tornar a discussão sobre o novo aeroporto mais permeável e interessante para o grande público e ajudar a justificar determinadas opções técnicas, como o é a localização propriamente dita.

Já disse que não sou à partida contra a construção de um novo aeroporto. Só me custa é ver avançar projectos que implicam custos enormes sem se ter (ou pelo menos não a explicam) uma ideia concreta do que se quer fazer com eles. No fundo estamos de novo a cair num erro muito recorrente na nossa gestão: falta de planeamento! Esta reportagem mostra bem que as opções tomadas para os investimentos relacionados com o Euro não foram, na minha opinião, as mais acertadas porque não tiveram em conta nenhum tipo de planeamento estratégico. Faz-se, e pronto! Também aqui não questiono se devíamos ou não ter organizado o torneio, mas se calhar podia-se ter feito a coisa por menos. Instalar uma capacidade de um lugar para cada 19 Portugueses (enquanto que a Espanha com uma liga muito mais competitiva tem uma capacidade de 1 lugar para cada 51 Espanhóis) parece-me um disparate.

E mais uma vez reforço a minha convicção de que estes grandes investimentos deveriam ser referendados. Como a peça demonstra bem, depois somos todos que pagamos pelos erros!

EXAMEX


APROVADEX

Belmiro de Azevedo surprende toda gente com a OPA sobre a PT. Uma operação de uma dimensão nunca vista em Portugal faz mexer toda a economia. É o mercado a funcionar ! A PT, um gigante de cariz e atitude monopolista e de funcionalismo público vai ter que ser mais leve e mais eficiente e, eventualmente repartida, vai ter que oferecer melhores serviços e concorrer no mercado. É um bom sinal, independentemente da OPA ter sucesso ou não. É sinal que há investidores com capacidade e interesse a investir em Portugal.
Houvesse mais Belmiros...


REPROVADEX


Vitalino Canas deputado do PS : "Os caricaturistas e os extremistas islâmicos estão bem uns para os outros". Sem comentários.

Uma andorinha nao faz a Primavera, mas ...

No meio de tanta "merda" que para aí anda até uma noticia fantástica como esta passa despercebida...

Sweden says it aims to completely wean itself off oil within 15 years - without building new nuclear plants.

Mais aqui.

Democracia Directa

Com tanta confusao por esse mundo o Democracia Directa aqui ficou um tempao sem ser actualizado.

Mas aqui está: fechamos a pergunta da Politica Europeia com um resultado esclarecedor que nos indica que 57%* dos Portugueses apoiam uma politica direccionada para o Federalismo Europeu.

A nova questao foca um dominio fundamental para o futuro do nosso País: a Educacao.

Opinai, pois, sobre que sistema de educacao quereis para os vossos filhos.


* Por uma questao de "bom senso" omitimos a margem de erro.

A brincar a brincar....



February 14, 2006

Rocket attacks on commercial airliners are among the biggest terror risks facing the Pacific Rim, prompting a threat review by countries in the region, the Philippine external security chief said on Tuesday.

[...]

A shoulder-fired rocket was supposed to be an air defence weapon, said Defensor, a former head of the Philippine army. "But it can also be used against commercial aircraft carrying civilians," he said. "That is the bigger threat we have found."

(Reuters, via AirWise)

Chamem o Coito Pitta



O nosso MNE anda numa roda viva do disparate: declaracoes que envergonham meio pais, propostas para um novo campeonato de futebol euro-árabe, a declaracao inequivoca de que "se houver um consenso ou um princípio de consenso", "Portugal deverá estar na primeira linha dos que apoiam e subscrevem" a candidatura de Ramos Horta para proximo SG da ONU, alarvidades como "As agressões do Ocidente ao Oriente têm sido maiores que as agressões deles contra nós", enfim, ultimamente tem sido... "cada cavadela cada minhoca".

Nao será caso para "avaliação das faculdades mentais" do nosso MNE?

A CRISE DAS CARICATURAS


Assistimos, incrédulos e estupefactos, à mais grave crise internacional desde a crise do Iraque ! E esta crise vem depois da ameaça do Irão e das eleições na Palestina, razões suficientes para eu fazer um post "Uma sombra sobre o mundo". Sem dúvida que essa sombra tornou-se negra ! Umas caricaturas, que consideramos sem importância nenhuma, deram origem a uma reacção incompreensível, desproporcionada com uma violência brutal ! Essa reacção teve um retardo de cerca de 4 meses, o que demonstra que houve que preparar, organizar estruturas e meios, ou seja, é uma reacção consequência de uma estratégia. O que me leva a uma conclusão : - Existem organizações extremistas islâmicas em guerra com o Ocidente, cujo único fim é a destruição do modo de vida "decadente" das sociedades ocidentais.
O jornal Jyllands-Posten publicou umas caricaturas do profeta Maomé, para avaliar o impacto na comunidade muçulmana dinamarquesa, o que originou uma reacção bárbara contra interesses dinamarqueses por todo o mundo. A Europa teve uma resposta cautelosa, quase pedindo desculpa pelo insulto ! Na minha opinião, tinha aqui uma excelente oportunidade para demonstrar a todo o mundo que é capaz de se erguer em defesa dos seus Valores e Principios, como a Liberdade e a Tolerância, e que ninguém tem o direito de atacar esta cultura. Se o Islão quer o nosso respeito deverá respeitar a nossa cultura. Infelizmente, a Europa demonstrou mais uma vez que está dividida, fraca, incapaz de ser intransigente na defesa desses valores.
Basta ver as grandes manifestações muçulmanas por toda a Europa, ao contrário das quase nulas manifestações de apoio e solidariedade por um parceiro de União !
Daqui concluo que :
- A Europa não está preparada para combater este inimigo, pois os seus líderes e as populações não estão suficientemente motivadas para ir para a rua, gritar pela defesa do nosso modo de vida. O medo instalou-se !

Para complicar tudo, temos este inimigo dentro das nossas fronteiras. Como sabemos a Europa precisa de mão de obra e abre as portas à imigração. Hoje são milhões de muçulmanos que vivem, trabalham e são cidadãos de pleno direito e que são uma ameaça permanente. Turcos na Alemanha, Árabes em França e Paquistaneses na Inglaterra. Além disso, a demografia faz com que, mantendo as taxas de natalidade actuais, vamos ter maiorias muçulmanas em países europeus. Lembro a questão do véu e outras, em que a lei e a ordem nacional desses países foi confrontada com leis religiosas originando vários distúrbios. Aparentemente vai ser cada vez pior ! 3ªconclusão :
- Num conflito, a Europa está perante uma força capaz de causar danos enormes através de ataques suicidas e de sabotagens pois estão cá dentro, não se distinguem e é quase impossível lutar contra um inimigo assim.

Há quem esteja convencido de que o Islão, por natureza, não convive com outras religiões e que, lutarão a Jihad até destruir os infiéis. De facto, a religião muçulmana considera que Maomé é o último dos profetas e o Alcorão o último dos Livros Sagrados. Para essa religião a história acaba aí. Têm certezas absolutas, a Sharia é o que determina a vida social. As universidades na Arábia Saudita não ensinam as ciências e as tecnologias pois, segundo a lei religiosa, não precisam. A condição da mulher nessas sociedades é vergonhosa. Se chegarmos à conclusão que eles não deixam alternativa à nossa destruição então o confronto é inevitável. Deve-se agir, pondo os muçulmanos em campos vigiados e fazendo deportações em massa. Enfim, defendendo-nos. Nessa guerra temos que estar preparados para cenários de ataques a Israel, e por isso seria melhor antecipar-nos e destruir objectivos no Irão, na Arábia Saudita, na Indonésia. Se nos querem esmagar, então que os destruamos nós ! Conclusão :
- Se a guerra for inevitável, teremos que a ganhar, sob pena do mundo voltar à época medieval !

Eu quero crer que a Paz ainda é possível. Não podemos ceder nas nossas posições, as leis e os tribunais terão que ser implacáveis com qualquer muçulmano que, a pretexto da sua religião provoque qualquer distúrbio. Porque estou convencido que estes fanáticos, só param na sua escalada se sentirem que deste lado estamos fortes e determinados. Se sentirem que vamos ceder (por ex. fazer leis para muçulmanos) virão com novas exigências e a escalada acabará mal.
Temos que ter uma politica de imigração muito severa e intransigente.
Não podemos deixar que este conflito degenere na guerra das religiões. Eu, se tiver de lutar não luto pelo Cristianismo, mas pela Democracia, pela Liberdade pelo nosso modo de vida. A guerra de religiões não tem solução.
A solução, pelo contrário poderá começar (como nós fizemos) separar o Estado da religião nesses países. E aí teríamos de empregar todo o nosso poder para influenciar os dirigentes, e de promover a sociedade laica entre as populações. Fazê-los sentir que existe uma vida melhor !...

Posso parecer idealista, mas é uma causa que vale a pena. Give a peace a chance.
Saúdinha

Casamento entre homossexuais e a família

Há temas extremamente dificeis. A sociedade humana desde sempre (e falo da Pré-História) foi organizada por famílias. Embora tenha havido excepções, o facto de serem necessários pelo menos 10 anos para as crias dos humanos se tornarem independentes levou a este "contrato", o casamento para se poder formar a família. Assim era essencial que a mãe acreditasse no compromisso do pai para a alimentação e segurança a longo prazo. Esse comportamento (diria genético) levou à organização familiar: pai, mãe (em alguns casos, mães) e filhos. Numa definição, talvez simplista, mas contendo a essência, diria que a família, base das sociedades, é o pai, a mãe e os filhos.
O Estado, com grande responsabilidade na sociedade, tem a obrigação de apoiar as famílias. E tem-no feito. Existem políticas e legislação que contribuem para o bem-estar das famílias.
Por outro lado, o indivíduo tem a liberdade de escolher as suas opções sexuais e viver sem descriminação. Se alguém, para atingir a plena realização como ser humano, é homossexual, penso que o Estado não tem o direito de restringir essa liberdade. A que propósito o faria?
Naturalmente o caso é diferente quando se trata da Igreja, que tem por dever espalhar a fé e proteger as suas convicções, (e crenças). Assim percebo perfeitamente a sua posição relativamente à homossexualidade em geral (entende-o como “desvio” ou doença) e evidentemente é firmemente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nem poderia ser de outra forma. A Igreja influenciará o pensamento dos cristãos (em diferentes escalas), mas o Estado não deve tomar em consideração a posição da Igreja neste caso.
Duas mulheres dirigiram-se a uma Conservatória para requerer o casamento. Os antecedentes são conhecidos: em Espanha, na Holanda e em Inglaterra, se não me engano já é possível o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A tendência é esta.
Na minha opinião, julgo que uma solução seria considerar a possibilidade de se criar dentro da figura Uniões de Facto (para quem não quer assumir o contrato do casamento, ou outras razões) a inclusão da União entre homossexuais. Teriam, tal como os casais, uma individualidade em termos financeiros (impostos, crédito), na comunhão de bens adquiridos, na questões de herdeiros (a ser regulamentada), mas julgo que não deve ser considerado um casamento, pois não é uma família (no sentido em que a defini) que se forma, nem para isso contribui. Já ouvi imediatamente o contra argumento (fraco) que o casamento entre um casal de 80 anos de igual forma, não forma uma família. (circunstâncias pouco vulgares, e excepcionais que não adiantam nada à discussão).
Portanto, casamento entre pessoas do mesmo sexo não; nada contribuem para a “geração” da família, e logo, o Estado, o único interesse que deve assegurar são os mesmos direitos que a qualquer outro cidadão, salvaguardando a União pública de homossexuais com direitos próprios. Sem dramas.

Sempre...

Islão, Freitas & Cia.- breves notas

Antes de tudo, uma nota para leitores apressados: nada do que vou escrever tem a ver com ser melhor ou pior, superioridades ou inferioridades de qualquer religião nesse estrito plano, o da Fé.
Sem querer puxar de quaisquer galões, recordo a opinião que há muito tempo defendo, contra quase tudo e quase todos, de que o que está em curso é uma guerra de civilizações (reparem que não disse guerra religiosa).
O Islão, na sua génese, foi antes de tudo um projecto político de união de tribos árabes, que usou o elemento religioso como cimento. As próprias cisões em ramos (sunitas, xiitas, etc.) post Maomé são cisões não doutrinárias, mas de poder.
A origem da religião cristã é completamente diferente, apesar de mais tarde ter sido usada também como instrumento ao serviço de várias políticas e vários poderes. O ponto é que estamos perante dois códigos genéticos que não podem ser vistos no mesmo plano, e que têm consequências.
E para quem gosta de apresentar o fanatismo islâmico como uma consequência da pobreza ou da questão palestiniana, não posso deixar de recordar que as causas das Cruzadas, tantas vezes brandidas como o exemplo dos propósitos «imperialistas» do Cristianismo, se fundamentaram na proibição pelos muçulmanos do livre acesso aos lugares santos de Jerusalém às outras religiões.
Nos nossos dias, o problema que se põe é de ordem civilizacional: o islamismo não sofreu o impacto de qualquer Reforma e, principalmente, não fez a separação entre a Igreja e o Estado. E nas diferenças de desenvolvimento que os modelos permitiram ficaram irremediavelmente mais pobres, mais fracos e internamente mais desiguais, mesmo banhados em petróleo. Diria mesmo que a matriz política destes países tem muito mais a ver com o feudalismo do que com todo o período pós revolução industrial no Ocidente, e estou conscientemente a incluir zonas negras da nossa história, como o nazismo, o fascismo ou mesmo o salazarismo.
E a uma civilização que mantém a pena de Talião, a lapidação, a mulher como um sub ser humano, a liberdade como um privilégio, etc. etc. etc. eu digo decididamente não. Não quero nem sequer respeito. Justificar com crença e Fé religiosa práticas que no século XXI têm que ser consideradas criminosas é indigno e incompatível com os mais elementares valores.
Se a ONU e a ordem mundial, , a não ingerência, o petróleo têm sido razões para alguns (quase todos) fingirem que não veêm e convivido com estas sociedades, quando eles querem mais (e digo eles propositadamente, para as boas consciências esquerdistas me catalogarem de xenófobo e assim rejeitarem em bloco o que expresso), quando por meios violentos e cobardes querem impôr o seu modo de vida ao mundo, aí temos que reagir e lutar a guerra que nos declararam.
E nada de balelas sobre o Iraque ou o Afeganistão, o 11 de Setembro foi antes disso. Bush, com as suas limitações naturais, e Blair foram dos poucos a compreender as suas consequências globais.
Mesmo falar em países árabes moderados, porque não seriam religiosamente fanáticos, faz-me alguma confusão: como é que as mulheres, a Justiça e os Direitos individuais (para não dizer humanos) aí são tratados?
A real politik pode não permitir que mudemos o Mundo, mas a partir do momento em que somos atacados temos a obrigação de defender as nossas sociedades e a nossa forma de vida. Mesmo que com custos altos. Sim, a possibilidade de haver capacidade nuclear/biológica no Iraque justificou a guerra, sim o Irão não pode desenvolver estas capacidades, sim podemos (devemos) deixar publicar cartoons que expressam opiniões (a sua admissibilidade em termos de respeitar os outros será, como em qualquer Estado de Direito, verificada pela Justiça a posteriori, punida quando caso disso).
E não, não podemos ter Ministros dos Negócios Estrangeiros que nos põem de joelhos, ridículos e que nos ridicularizam. Mas só quem não acompanhou o percurso de Freitas do Amaral estranhou.