MAIS UM PASSO PARA O ABISMO...


Não sou maníqueista. Para mim não há os bons e os maus. No conflito do médio oriente não sou a favor de Israel nem dos palestinianos. Sou pela Paz.
Não vou aprofundar as razões que, na minha opinião, originaram a crise actual. Só realço uma questão : na altura que, aparentemente a Fatah e o Hamas chegaram a acordo num referendo que abriria espaço para um processo de paz com Israel, aconteceu o rapto do cabo israelita, e o processo evoluiu para a situação actual.
Não tenho dúvidas que há forças em ambos os lados que não querem a paz.
E o que é mais revoltante é que o Líbano estava a ser reconstruído depois da retirada israelita em 2000 e da recente retirada Síria. Era um país com um governo saído de eleições livres onde decorria um plano de privatizações da Economia. Em suma era um país que estava a ser recuperado para o nosso lado. E é esse país que está a ser completamente destruído!
Também sei que Israel pode cometer as maiores barbaridades e ficar impune, só não lhe é permitido uma coisa: ser derrotado. A derrota seria o fim do Estado de Israel.
Como alcançar uma paz nesta situação? Parece-me que a escalada não tem retrocesso e estamos no caminho da guerra. Que é uma guerra mais abrangente, envolve no limite Estados Unidos e Irão e em último grau a tal guerra de civilizações.
É aterrador.
E a comunidade internacional? E a União Europeia?
Quando o governo de Israel declara que os seus ataques estão legitimados pela ONU depois da conferência de Roma não saiu uma resolução no sentido do cessar fogo…
Daqui podemos avaliar da força das Nações Unidas!
E atenção ao pequeno pormenor do aviso da China : a atitude dos USA não querendo condenar o ataque às instalações da Onu e consequente morte de 4 funcionários, vai ter consequências quando se discutir a questão nuclear do Irão…
Estamos a caminhar para o abismo. Esta crise do Líbano é mais um passo…
Saúdinha

EU JÁ GANHEI!



O governo decidiu alterar as contagens de tempo minimo nos parques de estacionamento. Houve uma grande polémica em redor desta medida, que aparentemente, seria objecto de um grande consenso.
Mas parece que as empresas proprietárias dos parques aproveitaram as mudanças de período para aumentarem as tarifas brutalmente.
Eu uso muito esses parques. Há um, o do Martim Moniz onde pagava sempre, estando 10 minutos ou 1 hora, 1,20 €. Como nunca estou mais de 20 minutos acho caríssimo.
Com a nova tabela, já lá fui várias vezes, fico sempre cerca de 20 minutos e pago 0,90 €!
Eu ganhei!
Saúdinha.

DESIGUALDADE

Li um artigo na Visão onde se comentava um artigo do Financial Times. Nesse artigo defendia-se a desigualdade. A desigualdade baseada na capacidade de trabalho, na ambição, nas capacidades individuais, resumindo, no mérito de cada um.
Estou de acordo. Não somos todos iguais, cada um é livre de querer ter mais ou menos, a noção de felicidade é subjectiva, a realização de cada um é diferente dos demais.
Nesse artigo defendia-se essa desigualdade desde que cumpridas três condições :
1ª - A riqueza geral deveria ir aumentando
2ª - Existência de uma rede de segurança para os excluídos dessa riqueza
3ª - Garantia de igualdade de oportunidades.

Completamente de acordo. É da concretização destas 3 condições que cada um pode ser livre de ser o que quiser ser. E como concretizamos essas condições ? É na forma de se chegar lá que deve ser a discussão política, nomeadamente qual a intervenção do Estado de modo a gerar condições para se cumprir aquelas metas.

Na minha opinião :
1ª - O mercado é aquele que responde à necessidade de crescimento económico. É da livre concorrência que nasce a eficácia económica. São os empresários que devem procurar o lucro e investir de modo a criar riqueza que gera emprego. O Estado não deve ser agente económico. Não deve produzir bens e serviços, isso deve ser deixado à iniciativa privada. O Estado tem um papel forte no que respeita à regulação do mercado, à fiscalização e deve ter uma Administração leve e virada para a solução dos problemas. Deve ter uma política fiscal e orçamental de modo a haver acumulação de capitais para investimento e poupança, a redistribuir a riqueza, a criar condições de gerar emprego (liberalização da legislação laboral) e a criar condições de investimento (público e privado) em áreas que têm a ver com o papel que considero motores do desenvolvimento : Escolas, Hospitais, Tribunais, Vias de Comunicação, Defesa, etc.

2ª - O Estado Providência, o modelo social que existe tem que ser alterado. É uma discussão actual, e a única certeza que há é que a continuar assim vai-se chegar a uma altura que não vai haver dinheiro para pagar aos pensionistas, os custos com a Saúde, etc. É uma questão de natalidade, de aumento da esperança de vida e da concorrência global. Estão a ser feitas reformas que dariam outra discussão. Aqui o que pretendo é dar a minha opinião sobre o que um Estado deve intervir nesta questão da rede de segurança aos necessitados. Na minha opinião a grande alteração é o fim da universalidade das prestações sociais e passar a dar-se a assistência a quem realmente necessita. Já foram dados alguns passos nesse sentido, por ex. a nova lei do subsidio de desemprego, da prestação do abono de família. O Estado deve continuar a garantir um rendimento mínimo garantido, a assistência na Saúde àqueles que devido ao seu baixo rendimento não conseguem ter um seguro de saúde mas deve tentar convencionar prestadores de cuidados de saúde, lares de terceira idade, etc pois não é tarefa do Estado prestar esses serviços. Estes serão sempre melhor prestados por privados. Quanto às reformas defendo a capitalização dos descontos feitos por cada um. Essa era o conceito original, mas devido a várias razões o sitema passou da capitalização para a repartição. Hoje o que eu desconto não é para capitalizar mas para pagar a pensão a alguém. Portanto qualquer alteração será sempre muito difícil pois os actuais pensionistas não podem deixar de receber a sua pensão. De que não tenho dúvidas é que o Estado tem que garantir menos. E não me choca se o governo decidisse limitar o montante máximo das pensões para um valor, por exemplo, de 5000 €. Não me parece correcto eu descontar agora para pagar pensões milionárias e saber que vou receber uma pensão mínima (vide estas noticias chocantes sobre a pensão de Manuel Alegre da RDP. Mas não é só ele. Acumulação de pensões e de cargos, tudo a comer à conta do orçamento e depois pedem-nos sacrifícios. É infame!).
Depois temos os desempregados, os deficientes, os idosos… Julgo que é missão de um Estado desenvolvido lutar contra as misérias da sua população.

3ª - Esta é o grande tema. Enquanto esta condição não se cumprir ninguém pode pensar que cada um tem liberdade para ser feliz à sua maneira. E como se consegue isto ? Garantir o acesso à educação, à informação, o acesso à Justiça, lutar contra a miséria, em suma haver igualdade de oportunidades. Se uma criança for para a escola com fome é sabido que não tem capacidade intelectual para apreender os conhecimentos.
A Escola é o inicio do combate à desigualdade de oportunidades. Defendo a escola pública mas defendo também que se introduza a concorrência entre as escolas. Desde a escolha do seu quadro docente (medida a concretizar por este governo ), até à liberdade dos pais a escolherem a escola dos seus filhos. E seria a escolha desses “clientes” que fariam aumentar os orçamentos das escolas.
A Justiça é outro dos eixos para a igualdade de oportunidades. É inaceitável que alguém seja condenado por não ter dinheiro para constituir a sua defesa enquanto outro, pelo mesmo delito consegue, por conseguir um bom advogado, safar-se à respectiva sanção.


Sei que já vai longo, e vou terminar. O mundo seria ideal se cada um vivesse consoante o seu mérito. Para isso é preciso cumprir as três condições de que falava o Financial Times.

Saúdinha

PAI, NÃO PERDOES QUE ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM !


Por despacho do Secretário de Estado da Educação, os alunos poderão repetir os exames finais do 12º ano de Fisica e Quimica sem perderem a hipótese de se candidatarem ao Ensino Superior na 1ª fase.
Justificam com as notas anormalmente baixas nestas disciplinas que têem novos programas.
A Associação de Pais munido de pareceres da Sociedade Portuguesa de Química e da Associação de Professores de Matemática (APM), que denunciaram a existência de «incorrecções nos enunciados, alguma confusão na formulação das perguntas e desajustamento entre o tempo estipulado para a realização da prova e o efectivamente necessário», exige que a repetição de exames se alargue às disciplinas de Matemática e Biologia.
A Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) defende no que este regime excepcional possa ser alargado a todas as disciplinas, embora remeta para o ME qualquer decisão nesse sentido, «dado o impacto organizacional que poderá ter no seu âmbito».
O Ministério já veio dizer que em termos logistícos essa repetição de exames é impossível, no entanto, o Ministério manifesta-se «disponível para, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, analisar» aquela proposta. O porta-voz do Ministério admite que o alargamento deste regime excepcional à generalidade dos estudantes possa acontecer já no próximo ano lectivo.
O que é isto ? Começa por haver incompetência na elaboração de exames ou na incapacidade de transmitir conhecimentos ou ainda desleixo de quem está a estudar para chegar à Universidade, ou ainda uma mistura das três coisas.
Qual é a solução para este somatório de incompetência, incapacidade e desleixo ? Não faz mal, repete-se tudo ! Começa-se tudo outra vez ! E parece que a coisa pode passar a ser a regra. Para o ano há sempre uma segunda oportunidade !
Qual é a mensagem de rigor, valorização do mérito, de responsabilização que se dá ?
Eu aguardo que os responsáveis por esta trapalhada sejam encontrados e punidos. Ou será que , mais uma vez, não há responsáveis ?
Ao contrário de Jesus, eu diria : Pai, não perdoes que eles não sabem o que fazem !
Saúdinha !

FRAUENPARKPLATZE


Lugares de estacionamento para mulheres. Admirados ? Esta placa existe nos parques de estacionamento na Alemanha. São lugares com mais espaço que os lugares normais. Na minha opinião é um atestado de inaptidão para a condução às mulheres. É institucionalizar que as mulheres conduzem, ou pelo menos parqueiam pior que os homens. Não percebo esta discriminação positiva. Há mulheres que conduzem bem e homens que conduzem mal. E todos preferimos lugares amplos. Ninguém gosta de fazer piscinas. Quem não sabe estacionar, não tem licença de conduzir ! Não é verdade ? Eu, se fosse mulher sentia-me insultado por esta placa !Saúdinha

Liberalismo para que te quero

Goste-se ou nao do homem, recomenda-se a leitura deste post do JPP no Abrupto.

Eu concordo!

UMA LAPIDAÇÃO


Fernando Ruas, presidente da câmara municipal de Viseu, numa reunião da assembleia municipal, e a propósito de uma multa a uma junta de freguesia, num processo de fiscalização do ministério do ambiente, teve uma tirada brilhante : “corram-nos à pedrada !” e ainda disse mais : “eu estou a medir muito bem as minhas palavras...”.
E pronto, ficamos assim. Os fiscais passam uma multa ? Corram-nos à pedrada ! A policia passa-me uma multa ? Corre-se esses gajos à pedrada !
Eu, que defendo mais fiscalização a todos os níveis, desde a fuga aos impostos, combate à corrupção, reordenamento do território, construção, etc, etc, fico boquiaberto perante esta solução deste grande estadista, que é, note-se, presidente da Associação dos Municipios !...Por outro lado até que se podia aproveitar a sua brilhante ideia : um apedrejamento ao edil. A velha lapidação poderia ser restaurada nesta situação ! Quem alinha ?
Saúdinha

Liberal Sustainability

Confesso que ainda nao tive tempo de aprofundar o conhecimento sobre este projecto, mas à primeira vista parece-me interessante. Convido-vos a dar uma vista de olhos e, se assim o quiserem, apoiar aqui a sua aprovacao.

Parece-me este um exemplo dos caminhos a seguir para conseguir dimunuir o nosso impacto no ambiente sem reduzir a nossa qualidade de vida: nao é com regulacoes que se lá vai, terá de ser o mercado a auto-regular-se através dos seus mecanismos próprios para satisfazer os desejos dos consumidores.

SIEG HEIL

Aconteceu uma coisa bizarra na minha viagem (ver post anterior). No regresso, saí de Mombasa para Nairobi e depois de Nairobi para Amesterdam.
Como chegámos às 05H30 horas locais e só tínhamos vôo para Lisboa ao meio dia, deu para fazer um tour pela cidade e um cruzeiro pelos canais.
A sensação de ver uma cidade como Amesterdam depois de chegar do Kenya é difícil de descrever. É passar do oito ao oitenta. Assim como sentimos que há muito pior que Portugal, no Kenya, levamos uma estalada quando deparamos com a distância que estamos da qualidade de vida daquela cidade !
A calma e tranquilidade que se sente na atmosfera em plena hora de ponta é assombrosa !

Mas o que me leva a escrever estas linhas foi um incidente, bizarro, muito bizarro...
Ía o grupo todo de portugueses a dirigir-se atravessando uma estrada, para o cais de embarque quando um ciclista holandês, que se dirigia, presumivelmente, para o seu emprego, parou o seu movimento e gritando impropérios nos insultou aos berros. Ninguém sabe o que dizia, pois aquela língua é incomestível e indecifrável, mas é óbvio que não estava a ser hospitaleiro e devia estar a mandar-nos para a nossa terra.
Vociferou um bocado e depois terminou, alçando a patinha e berrando “Sieg Heil” “Sieg Heil” !...

De repente, e pela primeira vez, fui vitima de xenofobia. De repente estava do outro lado...
Que raio é isto ? Que Europa é esta ? Que Mundo é este ? Há alguma chance ?...
Saúdinha

JAMBO


Fui passar uns dias ao Kenya.
Prémio profissional.
É um país de outro mundo! Outras raças, outros climas, outras culturas, outras religiões... Outras vidas. Parece que entramos num tempo diferente. E de repente, por comparação, sentimo-nos uns privilegiados, vindo de um país rico onde se desfruta de um bem estar incomparavelmente superior. Afinal não estamos assim tão mal !...


A par da pobreza e da miséria existe cor, Natureza e simpatia. Os campos são povoados, muito gado por todo o lado, muita policia a controlar as estradas (estradas inimagináveis tal o estado de degradação a que chegaram!), muitas escolas primárias (femininas e masculinas, não há mistas).

A savana é deslumbrante com os seus horizontes a perder de vista. Os animais ali, à nossa mão. Elefantes, Leões, Leopardos, Búfalos, Linces, Gazelas, Girafas, Rinocerontes, Hipopótamos, Flamingos, Babuínos, Zebras, Gnus, etc.

Uma Natureza luxuriante, uma vegetação muito diversificada, as acácias, as flores... Alimento para os sentidos. Vale a pena !

Visitámos uma aldeia Masai. Tribos nómadas, de pastores e caçadores, vivem como há mil anos ! Valeu a pena. Contactarmos com estes humanos primitivos, que vivem na Natureza, com os animais, sentir os cheiros de bosta do gado que está pelo chão das aldeias, ouvir as canções de caça dos homens e as de boas vindas das mulheres, ser abençoado pelo ancião da aldeia, pai de todos os homens da aldeia ... Niai !


Um pulo a Mombaça, uma pitada da nossa História na visita
ao Forte de Jesus, construído pelos Portugueses no fim do séc. XV ínicio do séc XVI.
Mombaça é o local onde a rainha D. Isabel II entrou princesa e saíu rainha e há um monumento comemorativo d
esse evento, que é hoje o postal de Mombaça, os enormes dentes de elefante. Visita ao mercado, o contacto com essa grande riqueza de outros tempos, a especiaria (o petróleo actual)...

Além disso, os amigos, o convivio, luxo qb... Uma viagem inesquecível.

HAKUNA MATATA.

Oportunidades perdidas da História

Em várias discussões que se prolongam “eternamente” há um tema que é recorrente: houve acontecimentos, acasos, contingências na História de Portugal que nos fizeram o país que somos, tão grande que queríamos ser e tão pequenos nos tornámos. “Se não fosse o primeiro de Dezembro de 1640…”, hoje continuaríamos a ser tão portugueses como somos, mas, porventura com o nível que os espanhóis hoje têm. Na altura filipina, na aliança dos habsburgos, (Carlos V), quando conseguimos a independência (e a guerra com Espanha e o Império) pedimos ajuda aos seus inimigos (Inglaterra, Holanda e França) e o que conseguimos foi apenas tréguas a troco dos nossos interesses comerciais (Brasil, África etc). Outra oportunidade perdida, terá sido o não termos resolvido politicamente o conflito com as colónias (Angola e Moçambique) durante a longa guerra colonial. E tivemos essa hipótese. Como teria sido?
Mas o acontecimento, para mim mais dramático, que maior influência terá tido para o não-desenvolvimento de Portugal foi toda a epopeia dos judeus portugueses. Vem isto a propósito dos 500 anos do progrom de Lisboa, em que cerca de 4000 cristãos-novos foram chacinados pela populaça durante 3 dias em Abril 1506. Neste post pode ler-se a história, que é “romanceada” por Richard Zimmler no seu magnifico “O último Cabalista de Lisboa”. Os tempos eram outros e o Obscurantismo com todo o seu vigor impunha-se à razão. Os reis Católicos, em 1492 tinham decretado a expulsão dos judeus de Aragão e Castela provocando uma “invasão” em Portugal. Cerca de 100 000 foram autorizados por D. João II, a troco de altas quantias ou a redução à escravatura. Em 1496 também D. Manuel os quis expulsar (na sequência de negociações, que já vinham de trás para o casamento do filho de D. João II, D. Afonso o tal que morreu ao cair do cavalo…) mas face aos prejuízos (enormes quantias pagas pelos judeus e saída de milhares dos melhores artesãos) optou pelo baptismo forçado dos filhos e proibiu a saída dos judeus de Portugal. Esta fractura entre cristão-novos e velhos influenciou até muito tarde a consciência nacional. (mentalidade do cristão-velho, detentor da verdade, inimigo da inovação, dogmático e repressivo e a mentalidade do cristão-novo, dissimulado, acossado, intimamente revoltado, não solidário com a comunidade nacional). D. Manuel concede 20 anos para os novos cristãos “à força” perderem os seus costumes. O estabelecimento do tribunal da Inquisição em Portugal apressa a emigração furtiva dos judeus, já no contexto repressivo da Contra-Reforma. Os autos de fé (generalizam grande terror e medo).
Muitos dos “fugidos” irão para os Países Baixos, Flandres etc. E esses países, com o contributo desta gente, a par das reformas protestantes, elevaram-se ao estatuto de grandes potências que são ainda, enquanto nós… vamos definhando. Como seria Portugal, caso os judeus cá pudessem ter vivido e trabalhado livremente? Ninguém sabe, mas foi, para mim uma oportunidade perdida.

Esta semana vou estar assim

Cronicazex

Chegar ao Luxemburgo é como chegar a casa: no hotel é o simpático Manuel que me faz o check-in e de manha ao pequeno-almoço é a enérgica Linda que me oferece uma bela taça de café. Depois do almoço a bica na Cantina é tirada pelo Shor. Jacinto e na inevitável visita ao supermercado para comprar mercadoria Portuguesa a preços acessíveis é a Manuela que me regista o Terras d’el Rei a 2.75€ e o Periquita a 3.42€.

Para onde quer que me vire há gente a falar a língua de Camões, e mesmo não falando não passa despercebido o “ar mediterrânico” de muitos moços, moçoilas, senhores e senhoras que se passeiam pelo centro comercial.

É um facto pouco referido, mas o país mais rico da União Europeia assenta sobre uma população activa com cerca de 40% de Portugueses.

E esta hein!

Democracia Directa

Fechamos aqui a rubrica Democracia Directa. O Merdex agradece a todos os seus leitores que colaboraram nesta iniciativa de grande sucesso (numa das sondagens chegamos a ter 9 votos!) e promete que num futuro próximo vos irá propor novas actividades que vos permitam continuar a participar de uma forma activa na vida política nacional.

Assim, e com base nos resultados das sondagens que aqui foram feitas, segue a seguinte missiva para o Eng. José Sócrates, Primeiro-Ministro de Portugal:

Exmo.Senhor. Engenheiro José Sócrates,

Os leitores do Merdex exigem que V.Exa. dê prioridade às reformas nas áreas da Administração Pública e da Justiça. Queremos também que, de uma forma geral, faca o necessário para diminuir o peso do Estado na economia nacional e que, assim que puder, reduza os impostos sobre as empresas.

Deverá também V.Exa. instruir o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros para intensificar todas as medidas que vão no sentido de orientar a nossa política Europeia em direcção ao reforço do Federalismo Europeu.

Na área do Ensino intimamos V.Exa. a dar um maior grau de independência às entidades nucleares (escolas, institutos, universidades, etc…) e em paralelo deverá implementar um sistema tipo ‘vauchers’ por forma a garantir o acesso aos estudantes que necessitem de apoio financeiro.

Certos de que V.Exa. não deixará de nos obsequiar com o cumprimento destas nossas exigências subscrevemo-nos entretanto com elevada estima e consideração.

Os leitores do Merdex

O SUCESSOR

Está encontrado o sucessor do Herman.
Já foi tratado o tema da geração Herman e a lufada de ar fresco que ele representou quando apareceu e durante a primeira fase da sua carreira antes de se tornar aquela figura esquisita que é hoje.
Vi o segundo episódio da série que passa na RTP dos Gato Fedorento.
Fiquei siderado !
Eles são bons ! Mesmo muitos bons !
Humor, digamos, bem-humorado .
Certeiro, divertido, amoral, com ritmo, inteligente, é de ir às lágrimas.
Aconselho vivamente.
Saúdinha

Assim se ve a forca de um Jornal

Para quem ainda tinha duvidas sobre a influencia que o Merdex tem na sociedade Portuguesa é ler isto!

A FELIZ COINCIDÊNCIA


Merdex cumprimenta e felicita Cavaco Silva e Sócrates, pela feliz coincidência da tomada de posse do Presidente e pelo aniversário do governo do Primeiro-Ministro. Penso de facto, que se trata de uma feliz coincidência que pode dar esperança a este povo.
A entrada de Cavaco, com clara vitória, e o conhecimento de que só há eleições por daqui a três anos, pode fazer com que as vontades unidas de Cavaco e Sócrates transformem seriamente o nosso país.
Sem querer alongar-me, julgo que é consensual que Sócrates tem boas intenções. Até penso que, nesse aspecto é uma continuação das boas intenções do governo Guterres. A grande diferença é que se aprendeu com com os erros de Guterres.
Apesar de considerar que se perdeu uma excelente oportunidade de fazerem reformas de alto a baixo e alguns embaraços (de que o aumento do IVA foi o pior) este 1º ano de governo Sócrates apresenta-se determinado e com ideias.
-Combateu interesses corporativistas retirando benefícios injustificados e indefensáveis, com uma cultura de mais exigência (alguns exemplos : hoje já compramos Halibut, Cêgripe, Reumon Gel, etc no Continente a preços mais baixos que nas farmácias, acabou a duplicação de sistemas de assistência na Saúde, uniformizou-se a idade da reforma, retirou-se alguns privilégios à classe política, etc).
-Apresentou um plano em Bruxelas para cumprir a meta dos 3% sem receitas extraordinárias nem desorçamentação. Não deixamos de combater o déficit mas sem hipotecar a Economia. Além disso recuperou muito dinheiro da fuga aos impostos. Vão agora publicar os nomes dos maiores devedores !
-A ideia do plano Tecnológico é boa. E é fundamental para o país ! A qualificação dos Portugueses é vital ! É uma questão de sobrevivência. E os passos dados no Ensino também reflectem uma boa cultura : Inglês no ensino básico, horários completos, aulas de substituição, estabilidade nos corpos docentes das escolas, formação tecnológica aos professores... São tudo boas intenções !
-A politica de investimentos estrangeiros, em áreas que interessam a Portugal, a simplificação administrativa, o investimento social, anunciados investimentos de 450 M€ com o dinheiro do Euromilhões, o subsidio aos idosos necessitados... Tudo boas intenções.
Os maiores desastres deste 1º ano de governo foram a falta de explicações convincentes para a localização do novo aeoroporto, a necessidade das linhas programadas de TGV e a reacção deprimente do nosso governo à crise das caricaturas.
No balanço possível (José Gil afirma que não há balanço de um ano), a minha opinião é que Sócrates justifica o benefício da dúvida e até o nosso aplauso. Sente-se que pode ser o "É agora".
Mas dizia eu que acredito que possa ser uma feliz coincidência a conjugação deste balanço com a entrada de Cavaco como Presidente. Pode-se esperar uma paz positiva e "pró-activa" entre os dois.
Na posse, Cavaco esteve em grande. No seu discurso transmite a ideia de responsabilização individual, da necessidade de trabalho, de seriedade e de confiança.
Os cinco temas que elege como objectivos são concretos :
- Cresciemnto da Economia
- Qualificação dos Recursos Humanos
- Reforma da Justiça
- Sustentabilidade da Segurança Social
- Credibilizar a classe política.
Cavaco acertou na mouche ! Estamos todos com ele.

Assim, e apesar de por diversas vezes ter referido o meu pessimismo acerca do futuro de Portugal, e como também pensar que esta é a última oportunidade da III República, estou confiante nesta dupla.
Os tempos são difíceis, nacional e internacionalmente mas estou convencido que se houver algo que se possa fazer por Portugal, estes dois vão-no fazer.

PS Caio Mário, na tomada de posse do novo Presidente esteve...ao nível de Caio Mário.

Saúdinha

OS ECOLOGISTAS

Hoje o ambiente é uma prioridade politica no mundo inteiro. Não há investimento importante sem o respectivo estudo de impacto ambiental. Todos, sem reservas, reconhecem a importância da defesa do nosso planeta para as gerações futuras.
Por isso se estabeleceu o Protocolo de Kioto por forma a limitar e a controlar as emissões de CO2 para a atmosfera. Por isso toda a discussão no sentido da economia sustentável.
Todo o desenvolvimento deve ter em conta a influência que vai gerar no Ambiente. E tem que se evitar perdas irreparáveis para o ecosistema. Deve-se equilibrar o desenvolvimento, melhorando as vidas das populações, não destruindo a Natureza.
Sendo assim, porque é que há a sensação de que os ambientalistas e as suas organizações são tão fundamentalistas que por eles não se fazia investimento nenhum ? Seja uma auto-estrada, um hospital, uma ponte ou um hotel, nada se construiria se estes ambientalistas tivessem o poder de decidir.
Não digo que não tenham argumentos válidos e razões coerentes, acredito que sim, a questão é que são sempre contra e isso faz com que percam a credibilidade. Não sabem equilibrar a defesa do ambiente com a necessidade do desenvolvimento.
Tenho pena pois acho que é uma das causas que valem a pena. Acho também que é um tema transversal a toda a sociedade e portanto a todos os partidos e por isso não vejo a lógica de partidos ecológicos.
Mas o que não percebo de todo é porque raio, em Portugal, o Partido Os Verdes não passam de uma subsecção do Partido Comunista. É evidente que sei que querem assegurar uns lugarzitos no Parlamento, mas refiro-me à questão ideológica. Os verdes à boleia dos comunistas ? Que bizarro, que tristeza, que falta de credibilidade.
Saúdinha

Educação e as futuras gerações


No último Domingo decidi ajudar a minha filha mais velha (9º ano) a estudar Matemática para um teste. Normalmente boa aluna, ultimamente tinha vindo a fraquejar (notas medianas) e sei que é uma matéria importante para o futuro. Assim trabalhamos seriamente e julgo que ficou bem preparada. Feito o teste, comentou-me que era extremamente simples, e que todos os exercícios por nós praticados tinham um grau de dificuldade muito maior. Recebeu a classificação, Muito Bom +, o que foi excelente para ela, e, por que não admiti-lo também para mim. Quando me contou os resultados do resto da turma (cerca de 20 alunos) fiquei estarrecido: 4 Suficientes menos, e tudo o resto negativas!
O que se passa hoje nas escolas em Portugal? Serão os professores que não têm capacidade? Vontade? Meios? Competência? De tudo haverá um pouco, mas realmente o País está refém da preparação e competência que as futuras gerações adquirirem.
Relativamente às medidas que este Governo tem vindo a tomar, no geral nada a opor: Inglês obrigatório desde o Ensino Básico, um Plano Específico para melhorar o Ensino da Matemática, aulas de substituição, exames nacionais já para o 9º ano, estabilidade dos docentes nas escolas (3 anos consecutivos), ocupação educativa dos alunos em todo o horário escolar, um sistema de avaliação e certificação de manuais escolares, mais racional e menos dispendioso, etc. Por outro lado, a cada medida, sem excepção, opõem-se os sindicatos e professores. Claramente, não contam com o apoio da maioria da população, embora os partidos da oposição e também os media lhes atribuam um poder de reivindicação totalmente desproporcionado.
Não sou nenhum expert, mas penso que a atitude da maioria dos profissionais da Educação (e desculpem-me aqueles que são excelentes e se vêem injustamente rotulados) não é profissional. Quero com isto dizer, que as aulas que se leccionam são parte importante, mas de pouco valem se não houver responsabilidade, avaliação de performance e, naturalmente as consequências: positivas, para os que demonstram mérito e penalizadoras para os outros. Para isso são necessários “chefes”: o director da Escola, o “chefe” da Matemática, do Português, do Inglês, etc. Estes têm que reportar ao Director, e devem reunir diariamente com os colegas da disciplina para resolver os assuntos da Educação. Tem que haver um follow up apertado, em que cada professor deve assumir que acções vai tomar e quando, para resolver os diversos problemas que se lhe deparam; tem por outro lado o apoio dos colegas e se não houver poder àquele nível, então escalar para o Director que deverá ter os meios para solucionar. Reunião diária? Chefes? Avaliação, timings para cumprir, permanecer a trabalhar 8 horas por dia? Bem, é o que o comum dos mortais faz toda a vida. Querem os professores uma Escola que cumpra o seu importante papel na sociedade e querem ser respeitados pelos seus concidadãos? Então organizem-se, distingam o trigo do joio e ... mãos à obra.
PS: Sei que existem inúmeros problemas, mas são os professores parte da solução ou parte do problema?

Plágios e Mistérios, ainda o Código


Um dos romances que mais me interessou (e a milhões de leitores em todo o mundo) nos últimos anos foi o “Código da Vinci” de Dan Brown. Pensar nas origens do cristianismo, dos segredos impostos pelos homens na construção de um poder como a Igreja foi estimulante.
Outros assuntos envolvem o romance, mas o que me interessou, até para além do romance, mas por ele desencadeados, foram os primeiros cristãos, a Igreja de Jerusalém, liderada por Tiago, irmão de Jesus, a hipótese (perfeitamente razoável, na minha opinião) do casamento de Jesus e Maria Magdala, ou Madalena, as Escrituras e os Evangelhos e toda a discussão que teve o seu auge no Concílio de Nicéia (325) que estabeleceu muitos dos dogmas, sobretudo a divindade de Jesus, contra a opinião dos Arianos. Depois a hipótese da filha de Jesus e Maria ter sido enviada do Egipto para a Provença por José de Arimateia (sendo a origem da lenda do Sangraal, ou Santo Graal). Os hereges Cátaros, massacrados pelo que ficou conhecidas pela cruzada Albigense, a mística dinastia Merovíngia e a Ordem dos Cavaleiros do Templo, toda esta temática misteriosa foi-me induzida em primeiro lugar pelo romance de Dan Brown, e é isso que me interessa num livro, que me obrigue a pensar e a procurar outras referências sobre o assunto. (por exemplo, Margaret Starbird).
Vem isto a propósito do processo de plágio de dois académicos que publicaram "O sangue de Cristo e o Santo Graal” no início da década de 80 contra o Código da Vinci. Mas, evidentemente, este livro, assim como outros, constam na bibliografia utilizada por Dan Brown, que foi perfeitamente correcto. Na minha opinião há aqui uma dose de oportunismo pelo sucesso de Dan Brown, não-conseguido pelos dois autores Michael Baigent e Richards Leigh e até de inveja. Não há plágio, existe apenas a utilização de uma ideia (frequente, aliás, nos eruditos e esotéricos) para construir um romance com profundidade.
Vamos ficar a aguardar o desfecho do tribunal, esperando uma boa decisão até porque o filme está por estrear.