Eu nao queria mesmo falar da Ota ... mas já que me perguntam:
1. Manter a Portela e adequá-la principalmente para os sectores do low-cost e business aviation (os dois sectores que tem sido, e vão continuar a ser, os responsáveis pelo aumento do tráfego aéreo). Adequá-la significa, por exemplo, reduzir os serviços aos mínimos para reduzir igualmente as taxas de aeroporto (factor essencial no planeamento de rotas das companhias low-cost)
2. Construir um segundo aeroporto vocacionado para: voos intercontinentais (longo-curso), para os passageiros em transito e para serviços relacionados com a actividade aeronáutica (manutenção, construção, treino, formação, …).
As vantagens desta solução:
A. O facto de manter a Portela em operação com baixas taxas de aeroporto permite continuar a promover Lisboa como um destino low-cost, city-break, congressos, … como permite também um acesso fácil aos homens-de-negócios que cada vez mais viajam em business-jets.
B. O novo aeroporto vai permitir a operação dos grandes aviões e dar as condições à TAP para poder continuar a concorrer por um lugar de destaque nas ligações com a América do Sul (é natural que as taxas neste aeroporto sejam mais altas mas estas taxas mais altas são mais facilmente diluídas nos custos dos voos de longo-curso). Permite ainda afastar do centro urbano de Lisboa os aviões mais poluentes. Permite também potenciar a região onde estiver localizada como um cluster para a industria aeronáutica (sector de grande valor acrescentado em que eu acho que Portugal pode e deve ganhar mais destaque).
Esta solução distingue três fluxos distintos de passageiros e permite adequar os serviços às características particulares a cada um dos fluxos: um de viagens curtas em que o tempo para chegar ao destino final é muito importante; um de viagens longas onde este tempo fica mais facilmente diluído no tempo total da viagem; e outro de passageiros em transito que regra geral nem saem do aeroporto.
O argumento que ouvi até agora contra o Portela+1 é que não é economicamente viável porque duplica os custos. Não percebo a objecção.
Nota final: a aviação Europeia vai entrar na revolução mais importante de toda a sua história. Eu compreendo a urgência da decisão de começar a construir o novo aeroporto (ou melhor, não compreendo mas pronto….) mas achava talvez mais sensato ver primeiro o desfecho destas importantes mudanças antes de colocar a primeira pedra.
Eu nao quero falar da Ota mas ....
Nao quer dizer que depois a decisao politica vá necessáriamente no sentido da opcao mais barata, mas o contribuinte tem direito a saber qual o delta que vai pagar por o Governo ter optado por determinada solucao.
A existencia de um enquadramento que obrigue a que se apresente publicamente as relacoes custo-beneficio dos investimentos publicos parece-me uma boa ideia.
Eu nao gosto de economes; gosto é de perceber as coisas!
Uma questao de justica....
Ah! Voces querem fruta ?! Entao toma lá ......
"Portugueses são quem mais falta por doença", Diário Económico de 05-06-2007
FAIT DIVERS

Aparentemente, uma Senhora Directora de Educação decidiu suspender um professor porque um “delator” vulgo bufo, lhe ter dito qualquer coisa que o antigo deputado do PSD, o Charrua, teria comentado acerca do Sr. Sócrates... Se ao menos fosse o bufo que tivesse um processo disciplinar...
O nosso ilustre ministro das Obras falou desdenhosamente da margem sul, comparando-a a um deserto, ficando nos anais a sua frase: O Aeoroporto na margem sul? Jamais! Jamais (à francesa). É claro que temos que entender. Foi a seguir a um bom almoço…
A nossa política fervilha… As eleições para Lisboa estão aí e a coisa promete. Cada partido está acossado por um Independente da sua área e são umas eleições muito sérias.
Mas temo que este “desfile de vaidades” não deixe discutir os problemas e as soluções da cidade.
É tempo de acabarem com os fait divers! É tempo de se fazer política! É discutir os números conhecidos, por exemplo, da nossa taxa demográfica. Cada mulher gera 1,4 crianças na sua vida. NÃO CHEGA! Assim acabamos. Temos o PIOR número da Europa! Daqui a 30 anos, UM TERÇO da população tem mais de 65 anos! Todos sabemos o significado disto, ou não? A nível de sistema público de saúde ou de pensões de reforma? E no entanto… a nossa politiquice fervilha de episódios, mas a Política…
O novo Aeroporto faz-me lembrar outros processos. Alqueva foi estudado no tempo da outra senhora e só se concretizou passados quase cinquenta anos!
A propósito da OTA, quero dizer o seguinte: não conheço os estudos, nem os planos financeiros nem conheço o negócio do transporte aéreo. Mas sei o seguinte: o novo aeroporto já se discute há mais de uma década, pelo menos. E uma coisa é certa, pelo que me é dado a ver, pois oiço, vejo e leio o mundo, como todos: Lisboa precisa de um aeroporto novo. E o mais rápido possível. Se alguém tem outra ideia em relação a isto que explique.
Outro facto é que após os estudos, em 2000, o projecto do Aeroporto da Ota foi decidido, entregue em Bruxelas como projecto priopritário. As coisas foram andando e passados 3 governos (!) levanta-se o país inteiro contra a Ota. Conheço todos os contras desta obra faraónica embora o que não saiba é quais são as alternativas. É que são tantas que desconfio que não há nenhuma. O segundo facto é este: não há alternativas em tempo útil.
Camões chamou de “velhos do Restelo” aqueles que se opuseram à futura epopeia dos Descobrimentos. Sinceramente acho de uma futilidade atroz a política do PSD neste campo. O que querem? FAZER BARULHO. Só. Ou querem recomeçar agora o processo? Mas já esqueceram que Lisboa precisa de um Aeroporto novo? Temos é que fazê-lo. E depressa.
Finalmente, direi que gostei de António Costa sugerir um grande parque, um novo pulmão da cidade para os terrenos da Portela. Isto é que devemos discutir.
Eu gosto de Política, sendo este conceito muito abrangente, e constituindo por si só uma ideologia (politica é a arte do possível ou a arte de tornar possível o que for necessário), mas custa-me que Políticos só estejam interessados nos fait divers.
Saúdinha
NINGUÉM PÁRA A GLOBALIZAÇÃO!
Diz ele que a Globalização vai parar. Enquanto os países afectados por ela foram os países cuja produção tinha pouco valor acrescentado a globalização cresceu, mas quando os países que produzem os bens de grande valor acrescentado começam também a ser afectados a coisa fia mais fino. Defende o Obélix que esses países, mais ricos, quando começam a perder a concorrência, a verem as suas empresas a deslocalizarem e o aumento do desemprego, não vão ficar de braços cruzados. E aí a globalização terá os seus dias contados.
Ideia interessante.
Não sou a favor desta posição. Julgo que o comércio livre, a sã concorrência é a única forma para a riqueza crescer e as pessoas viverem melhor.
Também sei que é impossível as economias onde existe um estado social, onde os trabalhadores têm direitos e garantias não podem concorrer com países onde o trabalho é quase escravatura. Como haver comércio livre nestas condições? Baixar o nível de garantias, de benefícios sociais aos povos das democracias ocidentais? Não pode ser esse o caminho, embora nesse campo é evidente que temos que enfrentar a inevitabilidade da mudança. Mas a única resposta é subir as garantias dos povos das economias emergentes. Não se faz de repente mas a única solução é essa. A grande bandeira política deste tempo deve ser essa, a de lutar pela garantia de direitos sociais.
Até porque a globalização é imparável. Hoje no cyberespaço a mobilidade da informação, do conhecimento, das causas abrangentes, é qualquer coisa impossível de suster. Colocar barreiras, políticas proteccionistas e isolacionistas, criar fortalezas económicas, não resolve. Antes pelo contrário, criará tensões e, em última análise, a guerra.
A solução, a prazo, será uma carta dos direitos sociais em todo o mundo.
Saúdinha
A REBALDARIA
A ÉTICA DA REPÚBLICA É A LEI!
É a Ética que nos faz comportar da maneira que o fazemos. É evidente que não existe só uma Ética. Não há autoridade que catalogue se um determinado acto é ético ou não. Há tentativas, e de facto, há necessidades nesse campo, por exemplo a Comissão para a Ética da manipulação genética da Vida…
Lembro-me de Guterres ter usado a expressão, e mais recentemente Pina Moura voltou a dizer que a Ética da República é a Lei.
Vem isto a propósito das eleições para a Câmara e para a discussão em torno da necessidade ou não de a Assembleia Municipal ir também a votos. Paula Teixeira Pinto, presidente da Assembleia e Presidente da Distrital de Lisboa do PSD, o próprio partido na voz do seu líder, Marques Mendes, pensam que nada põe em causa a legitimidade desta assembleia. Por outro lado, o actual Presidente da Câmara, (surpreendentemente), não demissionário, acha que se houver eleições para a Câmara também deve haver para a Assembleia, tal como António Capucho autarca de Cascais que disse que eram razões éticas que deveriam levar às eleições também da assembleia. Naturalmente, toda a oposição é desta última opinião.
Claro que todos percebemos o problema. Ninguém quer perder o poder, mesmo que seja o poder de não deixar fazer. Todos sabemos que há sempre as próximas eleições.
O que me interessa aqui é fazer notar que a Ética não é comum. E serei sempre contra os que me queiram condicionar a minha ética. Odeio todos os grupos moralistas que julgam ter a Verdade. Nada impede que cada um, individualmente, possa agir conforme a Ética. A sua . Quem julga determinado acto é a sanção dos seus pares. No trabalho, na escola, ou na família.
Com isto quero dizer que de facto, na República não pode haver outra ética senão a Lei.
O difícil é ter boas leis…
Saúdinha
UMA QUESTÃO DE CLASSE

É altamente prestigiante para o país.
Se juntarmos ao cargo já longínquo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral da ONU de Freitas e aos mais recentes Presidente da Comissão Europeia de Durão Barroso e de Alto Comissário da ONU para os refugiados de Guterres, percebemos que Portugal está bem cotado nos areópagos da politica internacional.
O que não percebo é isto: como é que os dois últimos primeiro-ministros (excluindo aqueles quatro meses) e o último Presidente estão em cargos tão elevados e saíram de cá, da nossa miserável “classe política”, da corja de chulos que nos governam.
Será que a nossa classe política é assim tão má? Estas são as excepções? Ou nós não damos o devido valor à classe política? Ou não há nada a fazer por este povo português?
Saúdinha
O DEBATE DE IDEIAS
JUSTIÇA CRIMINOSA

Depois da reforma da Administração Pública, considero a Reforma da Justiça a mais influenciadora, logo mais urgente, para o desenvolvimento de Portugal.
Vem isto a propósito do famoso “Caso Esmeralda”. Toda a gente o conhece, e sabe-se como este imbróglio é impossível de desatar.
Resumindo os factos: Baltazar conheceu uma brasileira e engravidou-a mas nunca admitindo isso. Nasce Esmeralda e com 3 meses é “dada” ao Casal Luis Gomes com contrato reconhecido em notário.
Ao registar a filha, de pai incógnito (pois Baltazar recusou-se a perfilhar), as autoridades fizeram um teste de DNA que deu positivo. Nessa altura Baltazar, reclamou a paternidade e foi-lhe atribuído o poder paternal. O Sarg. Luis Gomes sempre impediu que esse poder fosse exercido até ser preso e condenado. A mulher pôs-se a monte com a pequena Esmeralda agora com 3 anos. Mais tarde, Adelina Lagarto entregou-se no tribunal para ser ouvida. O Tribunal decide entregar a guarda temporária à mãe adoptiva e a seguir outro tribunal confirma a prisão preventiva ao Sarg. Luis Gomes, pelo sequestro de Esmeralda. Não existe aqui um pequeno paradoxo? A guarda temporária é entregue à esposa do homem que está preso por ter sequestrado essa mesma criança. Mais, no acórdão justifica-se a prisão preventiva pelo perigo de continuação do crime…Alguém que me explique isto, como se eu fosse muito burro…
É um problema insolúvel pela justiça, na minha opinião. Quando estão frente a frente o Poder Paternal e o Direito da criança… haverá recursos e mais recursos. A única solução, à maneira da história do rei Salomão com as duas mulheres que disputavam um bebé, seria o Baltazar, aquele que tem o poder paternal, considerando o interesse da sua filha, deixá-la crescer com os pais que a Esmeralda conheceu até hoje.
Mas este caso leva-me a reflectir na atribuição do poder paternal. É uma discussão que não tem a ver com este caso mas está a montante. E tem a ver com a adopção também. Acho que um pai não é apenas aquele que faz um filho. É aquele que o cria, que o educa, que provém ao seu sustento. Mas esta é outra discussão.
Ninguém sabe como vai acabar esta infeliz história, mas do que não tenho dúvidas é que há uma vitima deste processo: a Esmeralda. Inocente desta trapalhada, vai sofrer as consequências do inevitável arrastar do processo. Que idade terá quando a Justiça decidir o imbróglio?
Independentemente da complexidade jurídica da questão, da ética e moral destas relações, o crescimento da menina tem que ser salvaguardado. A não ser, é a própria Justiça que comete um crime. Será uma justiça criminosa!
DIA DA LIBERDADE

Medo, Superstição e Intolerância nos Ruandas
Esta história tem semelhanças com outros casos embora se passe em África, o continente esquecido, que praticamente ainda não entrou na era industrial. Mas na Europa o mesmo aconteceu com a Bósnia e Sérvia e dentro da Croácia. Outro exemplo é Índia e Paquistão, em Caxemira. Mas é no Iraque que uma luta fraticida entre “irmãos” tem diversos pontos em comum com o Rwanda: xiitas em maioria e a minoria sunita possuindo o poder “oferecido” pelos ingleses, vivendo conjuntamente no período Otomano onde já aí, os sunitas exerciam o poder sobre os xiitas.
Este louco ódio irracional parece estar presente no íntimo dos seres humanos. Penso que é desencadeado por Medo, Superstição e Intolerância. Quem conseguir vencer estes fantasmas, a civilização que vence o Medo, a Superstição e a Intolerância, está imune a estas atrocidades.
A responsabilidade dos genocídios é atribuída, por diversas opiniões ao Ocidente colonizador e rico que não evitou o massacre; por exemplo, “Algumas potências ocidentais são "criminalmente responsáveis" pelo genocídio de 1994 no Ruanda porque não fizeram o suficiente para impedi-lo,”disse o comandante da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no país africano à época, o general canadense Romeo Dallaire,; Também Louis Michel, ministro das Relações Exteriores da Bélgica, afirmou “Levará uma eternidade para a indiferença detestável da comunidade internacional ser esquecida", disse. França, Grã-Bretanha e Estados Unidos são acusados.
São acontecimentos que devem ser evitados. A melhor forma é que os cidadãos vençam o Medo, Superstição e Intolerância. Estes são os responsáveis. E todos que com “eles” colaboram.
*Por volta do século XV, os tutsis, pastores de grande estatura oriundos da Etiópia, chegam ao local e impõem domínio feudal aos hutus, mais numerosos que eram originários.
Como quem limpa o cu a meninos
Ontem à noite o nosso Engenheiro (o do Governo) conseguiu desmontar um-a-um todos os argumentos, insinuações, poderes ocultos e outras bocas que tinham deixado o país suspenso durante o período agora conhecido como o “Silencio de Sócrates” (eu não conheço o processo todo mas não me pareceu que os entrevistadores tenham conseguido contra-argumentar).
Mais, durante a parte da entrevista dedicada a esclarecer a sua carreira académica colou-se estrategicamente à posição de vítima de uma verdadeira cabala que o obrigou a vir, perante os portugueses e portuguesas, defender-se de ataques pessoais e safados.
Resultado final: o pessoal indigna-se contra estas vis tentativas de enlamear o bom carácter deste homem. É certo que as bocas vão continuar (essencialmente em meios como a blogosfera), mas estou convencido que na generalidade a popularidade do Primeiro-Ministro sai reforçada.
Sócrates agredexit!
UM MAU SINAL

Essa vontade política surgiu e o governo encarregou uma comissão de peritos de estudar a coisa e propor uma solução. Formou-se a comissão de requalificação da rede de urgências, cujo relatório só tenho ouvido dizer bem. As intenções do governo foram conhecidas e, imediatamente, começou a contestação. As populações vieram para as ruas protestando contra o fecho das suas urgências e os autarcas abriram a guerra ao governo central.
Depois de o ministro ter sido pouco diplomático, e o clima de guerra subir de nível, Sócrates tomou conta do assunto e no outro dia, estava Correia de Campos a assinar acordos com várias Câmaras.
Não conheço esses acordos, nem conheço a rede actual e a rede de urgências proposta.
Mas sei que qualquer mudança, qualquer reforma séria e profunda gera muita contestação. Mas que se o governo tiver a certeza das suas decisões, se estiver estudado bem o problema, não pode recuar, em prejuízo do país.
E depois de ter visto o governo de Sócrates ter aguentado o fecho de escolas, de maternidades, da idade de aposentação, das aulas de substituição, das finanças locais e regionais, das férias judiciais, do estatuto da carreira docente, etc, e sempre com tanta contestação na rua, parece-me um mau sinal este aparente recuo.
É o tempo de se fazerem reformas! Ninguém perdoará mais uma oportunidade perdida.
Saúdinha
Noticias verdadeiramente interessantes
O Descontentamento do Meu Riso

O Herman José lá regressou com um programa de humor. Vi, e confesso que durante todo o programa não consegui mais do que articular um esboço de sorriso.
Esperava um pouco mais de originalidade na escolha do modelo, muito mais imaginação no desenho dos bonecos e qualquer coisa que realmente me surpreendesse nos textos. Não fossem as interpretações do Herman e o programa nem sequer chegava a medíocre.
Os Gatos Fedorentos parecem querer responder às criticas que lhes tem sido feitas em relação ao Diz Que É….. pondo a tónica na brejeirice. Tá bem! Afinal o programa passa na RTP1, e a RTP1 é serviço público….
A REVOLTA DAS URGÊNCIAS

O Governo tem um plano de reestruturação da rede de urgências à qual se opõem quase todos os autarcas. As populações vêem para a rua. Estalou, mais uma vez a guerra Governos/Autarcas.
A juntar à situação da Madeira pode-se dizer que são duas batalhas da mesma guerra.
E será acertado chamar esta guerra a guerra da mudança-anti mudança?
Eu acho que sim.
A REVOLTA DA MADEIRA

Com a alteração das regras (financiamento) precisa de ouvir o povo.
Será a revolta da Madeira? Se AAJ obtém uma maioria esmagadora o que vai querer? Até onde pode ir isto? Aquele que afirmou não termos tomates, vai querer demonstrar quer ele os tem no sítio?
Estamos a assitir ao ínicio da Revolta da Madeira?
Saúdinha
Gastronomia Portuguesa
Neste site pedem-nos para votar nas Sete Maravilhas da Gastronomia Portuguesa. Como não sou homem de recusar um convite já fiz a minha selecção:
(desta lista temos que escolher sete)
Leitão da Bairrada
Cozido à Portuguesa
Ovos Moles de Aveiro
Francesinhas
Queijo da Serra
Sardinhas Assadas
Amêijoas à Bolhão Pato
Pastel de Nata
Arroz de Marisco
Cabrito Assado
Alheiras de Mirandela
Leite Creme
Caldo Verde
Arroz de Cabidela
Pastéis de Bacalhau
Bacalhau à Lagareiro
Presunto de Chaves
Carne de Porco à Alentejana
Queijo da Ilha de São Jorge
Polvo à Lagareiro
Migas
Para mim pode mesmo ser: Queijo da Serra com o aperitivo. Amêijoas à Bolhão Pato e Leitão da Bairrada para abrir o apetite. Cabrito Assado e Migas para o prato principal. Leite Creme e Ovos Moles de Aveiro como sobremesa.
Meus Senhores, quando quiserem…..
O ABORTO

Como esperava, cada dia que passa, o debate vai descendo de nível, e os argumentos passam do racional para o emocional.
Depois de todos defenderem um debate sério e elevado, na prática, a javardice começou.
Vem isto a propósito da última tirada de Marques Mendes quando disse que o combate ao flagelo do aborto não pode ser a legalização, tal como o tráfico de droga e a corrupção, apesar de serem crimes de combate difícil, não são resolvidos pela legalização! Comparar o aborto ao tráfico de droga e à corrupção é descer o debate ao nível mais rasteiro! Será que ele considera que a mulher que aborta é comparável a um traficante de droga? Será que não consegue fazer oposição doutra maneira? Será preciso tanta demagogia para se fazer ouvir? Não me parece que ganhe alguma coisa com estas tiradas perfeitamente idiotas...
Todos somos contra o aborto. Ninguém o defende. Aqueles que vão votar Sim sabem que seja legalizado ou não, o aborto continuará a fazer-se, e para que as vidas das mães não corram perigos evitáveis e que não sejam criminalizadas por uma opção terrível que tomaram, deve legalizar-se o aborto.
Esta é a discussão que deve ser feita na campanha, mas infelizmente vamos no caminho da demagogia…
Já hoje o Bispo da Guarda considerou o aborto a pena capital!...
Esperemos que a campanha seja mais séria e elevada. Este nível de argumentação interessa a quem?
Saúdinha
OS REPRESENTANTES DOS TRABALHADORES

A Fábrica de Yazaki-Saltano vai deslocalizar para a Eslovénia pois decidiram descontinuar a produção do Toyota Corolla.
Vão 533 trabalhadores para o desemprego. O sindicato das indústrias eléctricas do Centro (SIEC) começou por pedir 2,5 salários por cada ano de trabalho como indemnização.
Após negociações, 90% dos trabalhadores aceitaram a desvinculação por 1,75 salários por cada ano, verba bastante superior ao previsto na lei para despedimentos colectivos.
Ainda assim o SIEC mantém o pré-aviso de greve. Hoje, após uma reunião geral dos trabalhadores, 85% dos presentes votaram pela suspensão da greve.
À saída da reunião o representante do sindicato afirmou que a greve se mantinha pois “havia ainda trabalhadores que os compreendiam…”. Em vez de o Sindicato compreender os trabalhadores, este sindicalista acha que são os trabalhadores que devem compreender o sindicato...
Assim, um sindicato mantém uma greve contra a vontade daqueles que representa pois considera que o sindicato é que sabe o que é melhor para os seus associados, mesmo que estes não concordem! É assim uma espécie de vanguarda iluminada que é dono da verdade, não se importando com as consequências para os interesses daqueles que deveria defender.
O sindicalismo é um movimento muito importante para defender as condições de vida dos trabalhadores e é inegável o seu papel histórico.
Mas hoje o que representam os sindicatos. Afinal quem defendem? Qual a sua visão do progresso? Quantos sindicalizados haverá em Portugal?
Os sindicatos só serão parte para o desenvolvimento do país quando perceberem que os interesses dos trabalhadores passam pelos interesses da empresa, quando entenderem que não há futuro melhor para esses trabalhadores se a empresa não crescer, não se modernizar, não for competitiva. Enquanto achar que os direitos adquiridos, há 30 anos, através dos contratos colectivos são direitos irreversíveis, são direitos eternos.
A mudança também passa por aqui.
Saúdinha
Leituras últimas
Admiro muito Ghandi. Daquilo que sei, se tivesse vivido há cerca de 2000 anos teria fundado uma religião. Combateu por ideias justas, por leis justas sem nunca virar a cara à luta e nunca abdicando da Dignidade. “Derrotou” o Império e foi assassinado por um hindu. Também ele era optimista: “ Sempre O Bem acabou por vencer. É uma questão de tempo.”. Isto leva-me para outro livro que acabei de ler que considero Muito Bom: “A Fórmula de Deus”, de José Rodrigues dos Santos. Bem documentado o romance aborda temas realmente profundos. Com Einstein sempre a pairar, do livro se poderia fazer um filme, tal é o exagero na acção (ao jeito do 007). Chegando ao Tibete, num encontro memorável com um Semi-Buda, após ter escapado à morte no Irão, por espionagem ao serviço da CIA. O personagem principal (o mesmo que “descobriu” o segredo de Colombo) contratado pelo Irão (uma bela cientista) pretende (é forçado), a decifrar o segredo deixado num documento “encomendado” por Israel a Einstein. Com o pai às portas da morte, com uma paixão definitiva por uma iraniana, passa em revista argumentos apaixonantes sobre Física e Religião/Deus. A vida existe. O Universo é determinista mas indeterminável. Principio da Incerteza. Teoria quântica, onda-partícula, Big Bang, Big Crunch. Intencionalidade das leis da Natureza para a criação de vida. Teoria do caos, coincidências impossíveis com o objectivo último de que essa vida se torne inteligência, para garantir a continuidade. O tal documento em vez de ser a bomba nuclear barata era a prova da existência de Deus: a Natureza toda é Deus. Fazemos parte dele. Dá-nos matéria em que reflectir. Penso que José Rodrigues dos Santos é um escritor que se impôs, e, em linguagem futebolística vem ganhando forma. Gostei da Filha do Capitão, melhorou com o Codex e atingiu o pleno com a Fórmula.. Em bricadeira digo que o “orelhas” daria um bom Presidente daqui a 20 anos.
Antes li o “Livro de Hitler”, relatório sinistro encomendado por Estaline, sobre Hitler. Baseado nos interrogatórios das unidades rivais e com a necessidade de agradar ao supremo chefe soviético, vivemos os anos frios de Hitler e a sua corte, no castelo particular perto da Áustria, ou os quartéis-generais em campanha, na Ucrânia e Prússia, sobretudo. A angústia do avanço soviético, demonstrou o fraco homem que Adolfo foi. Paranóico, esquizofrénico contagiou o povo alemão, estrangulando sem piedade o destino de um continente.
Como repito a amigos frequentemente, ouvi (ou li) em qualquer lado e adoptei como minha: “Se deixo de ler um dia, parece que me atraso…”.
O PROFESSOR SALAZAR

No Expresso da semana passada saíu uma “notícia”, em destaque sobre a discussão na blogosfera acerca do resultado do concurso da RTP sobre os melhores Portugueses de todos os tempos.
Dizia-se que Salazar seria o mais votado até esta altura. A notícia carece de fundamento pois Maria Elisa, coordenadora do concurso afirma desconhecer quais os resultados, e só em Março os poderia saber. A empresa auditora também não confirma e esclarece que não pode divulgar o resultado.
Assim, parece-me que a noticia do Expresso não tem outro objectivo que não seja o de querer discutir a possibilidade de Salazar ser considerado o melhor português de todos os tempos.
Sabemos que Salazar não estava na lista inicial da RTP e foi por pressões várias que foi incluído. Agora sabemos que há rumores, que admito possam ser verdadeiros, de que é o mais votado.
Daqui tiro já duas conclusões: a primeira é que a RTP deve ter aprendido que nem tudo se deve pôr a concurso, pois o resultado deste pode ser um grande engulho para todos. A segunda é que há portugueses que gostariam que Salazar ganhasse este concurso.
Na minha opinião isto é mais sério do que aparenta. É a forma como o povo Português se revê na sua História. Eleger Salazar como o melhor português de todos os tempos é a negação de todo o percurso que tivemos após o 25 de Abril. A Liberdade, a Democracia, a União Europeia, o Desenvolvimento, o Ensino, que, ninguém pode negar, alcançámos com a revolução, é completamente desvalorizada em função de… quê? Quem quer, hoje em dia, uma sociedade totalitária, autoritária, sem liberdade, de imprensa, de expressão, de censura, de tortura, de isolamento, de ignorância, clerical, racista, de miséria, uma sociedade do orgulhosamente sós? Quem quer? Aceito que há uma certa ideia de Portugal, Deus, Pátria, Família que tem o seu encanto, e que nos traz valores hoje mais ou menos esquecidos. Mas sejamos sérios. Minimamente razoáveis. O melhor português de todos os tempos?? Que país seria este, que ao derrubar um regime após 48 anos de ditadura foi para a rua em festa, e passados 30 anos quer o regresso desse regime? Não acredito. Há uma outra razão.
É, na minha opinião, um sinal para a classe política. Estamos todos fartos de um país adiado. É um aviso para os partidos. O povo já não vos pode ver. Queremos um país que nos orgulhe.
A propósito de Salazar vou contar-vos uma história.
Conheço alguém já reformado, que trabalhou num banco. Nesse banco havia um funcionário que era da terra de Salazar e tinha convivido com ele, frequentando, inclusive, a sua casa. Conta esse senhor, que Salazar tinha na sua mesa de trabalho três cestos: o de cima destinava-se a assuntos entrados. O segundo dizia: assuntos em tratamento. No terceiro estava: assuntos que o tempo há-de tratar! É fantástico. É genial. De facto todos sabemos que existem assuntos que só o tempo resolve!
De tempos a tempos Salazar ía ao terceiro cesto, lia um processo e exclamava: este assunto já está tratado!
De facto (e tendo como verdadeira esta história) acho que é genial na sua simplicidade!
Saúdinha
A LUTA CONTINUA

Na sequência de um relatório da Inspecção Geral de Saúde que recomendava um sistema tecnológico para o controlo da assiduidade dos médicos nos hospitais, e respeitando uma lei de 1998, as administrações hospitalares preparam-se para introduzir um sistema de controlo da assiduidade e pontualidade dos médicos, através da impressão digital numa máquina, substituindo o sistema actual de assinatura no livro de ponto.
A reacção dos médicos não se fez esperar: um comunicado do Conselho Regional do Porto da Ordem diz que o método não é adequado ao exercício da actividade médica. E porquê? Considera que a medida reduz a actividade médica a um exercício essencialmente burocratizado, que ignora a dignidade que deve atribuir-se à profissão médic, etc, etc...
E mais, aconselha a nenhum médico iniciar um acto médico que pela sua natureza e pela possibilidade de se poder prolongar para além do horário de trabalho possam afectar a assistência médica ao paciente. E quer saber do parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados!
Os médicos estão a ser atacados! Querem saber a que horas entram e a que horas saiem e isso, é indigno da profissão médica! É um ultraje ao seu profissionalismo! É um atentado à defesa dos seus dados pessoais. É negar uma boa assistência aos doentes! É, de facto, uma medida inacreditável!
QUEREM CONTROLAR A ASSIDUIDADE DOS MÉDICOS!!!!
Assim, este país não avança! Mas a luta continua!
Saudinha.
O ESPÍRITO DO NATAL.

Enfim, gosto muito do Espírito de Natal!
The Deer Hunter
Confirmei que este filme está definitivamente no meu Top (interpretacoes, cenários, narrativa, personagens,.... tudo!) e continuo a achar que é um dos filmes mais “pesados” que já vi.
E depois há aquela música fabulosa dos Shadows….
Grande Filme!
Isso do TLEBS não é o Pretérito Perfeito do verbo “isto tá tudo doido…”
Estou sem palavras!
Alguém sabe de alguma petição que esteja por aí a circular contra esta proposta?
Catch 22
Esta é uma frase recorrente em Portugal, usada normalmente para apontar as características do povo Português como a causa principal do atraso que levamos em relação a outros países Europeus.
Quer isto dizer que estamos condenados a viver com esta “pescadinha de rabo-na-boca”? Será mesmo que não temos líderes capazes de nos indicar o caminho mas também não somos capazes de os gerar…..?
PS: Na mesma entrevista também gostei de ler sobre a "Responsabilidade de Proteger". O tema já tinha sido aqui abordado pelo Manolo mas confesso que nao sabia que estava assim tao institucionalizado.
Arrogancia Intelectual

O Rantas e o Ranys apontam aqui o dedo à arrogância de uma certa elite intelectual que olha com presunção a malta que não tem capacidades para compreender aquilo que eles dizem.
Mas não será esta uma atitude algo característica entre os Portugueses? O que dizer do desdém com que se houve falar da música pimba, onde estão incluídos alguns dos artistas com mais discos vendidos em Portugal? O que pensar da sobranceria com que se fala da Floribela, que é um dos programas de televisão mais visto em Portugal? O que concluir da atitude depreciativa com que se abordam os livros da Margarida Rebelo Pinto, que é uma das autoras contemporâneas que mais livros vende em Portugal?
Não serão também todas estas formas da tal arrogância intelectual? É que uma coisa é a atitude crítica e a outra é o achincalhanco vulgar e barato que nos faz “parecer” uns verdadeiros intelectuais.
PS: Já por várias vezes tive enormes dificuldades ao tentar explicar o conceito de música pimba noutras línguas. Para eles a definição cai sempre na música popular.
COM AMIGOS DESTES...

Grande show televisivo com as entrevistas em simultâneo de Cavaco e Santana Lopes.
Apenas vi, com pouca atenção, a de Santana. O que retirei da entrevista é que Santana, quando saiu do governo ficou pendurado. Por isso não perdoa a Marques Mendes e a Carmona. Um homem tem a sua vida, um homem tem filhos e ficar de repente, assim…sem nada! Não se faz. Santana que ganhou a Figueira para o partido, que ganhou sozinho, contra todas as previsões a Câmara de Lisboa para o partido, um homem que aguentou um governo acossado para manter o poder para o partido…E depois…qual foi a paga que o partido lhe deu? Tirou-lhe a sua Câmara de Lisboa, atirou-o para a vida real… E ele avisou: volta à política, mas com a sua “vida” tratada.
Cavaco apoiou de uma forma inequívoca o Governo de Sócrates. De uma forma surpreendente, estas entrevistas deram um grande balão de oxigénio a Sócrates, que nunca pensou em ganhar tanto pois estas entrevistas deram cabo de Marques Mendes. Como é possível fazer oposição a Sócrates quando os ex-líderes do seu partido o defendem melhor que ninguém? (Santana ao afirmar que o que Sócrates faz já ele estava a fazer, está a concordar com o Governo de Sócrates). Com amigos destes…
Previsoes de Tráfego Aéreo

[em milhares de movimentos]
Estas previsões parecem confirmar as previsões em que a NAER se baseou nos estudos para o novo aeroporto da OTA (entre três cenários, cada um com duas variantes, o valor mais alto apresentado era de 254.0).
Curioso reparar que em 2025 o aeroporto de Faro poderá ultrapassar o aeroporto do Porto em termos de movimentos; o que para mim faz todo o sentido!
Oh Amelinha Vamos Embora Que Isto Aqui é Tudo uma Grande Palhacada
Câmara de Lisboa autoriza urbanização para a zona da futura linha do TGV. O executivo vai tomar medidas para impedir construção, mas o empreendedor poderá pedir indemnização de 60 milhões de euros. A Câmara de Lisboa aprovou loteamento que poderá colidir com o traçado do TGV e da nova ponte sobre o Tejo, alegando que o Governo não tinha decretado medidas preventivas.
(mais aqui)
Questoes de Bom-Senso
Um capítulo importante é o das as regras da prioridade: que barcos tem prioridade sobre outros, qual o barco que é obrigado a mudar de rota em caso de se encontrarem em rota de colisão, etc.…
Enquanto nos ensina as regras descritas no manual o instrutor vai dizendo repetidamente: “as regras são muito bonitas mas acima de tudo utilizem o bom-senso”
Até que ponto é possível deixar dependentes do bom-senso as decisões a tomar por cada individuo em caso de potencial conflito? Deve-se tentar restringir este espaço de manobra ao mínimo ou antes pelo contrário alargá-lo até aos seus limites? E quais são esses mínimos e esses limites?
Trigo do joio
Nacionalistas, Traficantes e Terroristas
Na sua essência, nenhuma!
Este género de aberrações faz parte do que de pior existe na natureza humana e qualquer tentativa para erradica-las definitivamente estará sempre condenada ao fracasso.
Eu acredito que o combate a este tipo de ameaças não deve ser feito a montante mas sim a jusante. Isto é, o principal do esforço posto no combate a estas ameaças não se deve direccionar para as suas origens mas antes para as formas de reduzir o impacto que elas possam ter.
Em vez de atacar os discursos dos partidários da Frente Nacional dever-se ia antes lutar para que os Portugueses continuem a privilegiar os valores da tolerância e do respeito pelos outros para que estes discursos não ganhem mais receptividade;
Em vez de andar a tentar apanhar traficantes de droga dever-se-ia investir esse esforço a ensinar aos jovens os efeitos que a droga pode ter no seu futuro e a mostrar-lhes alternativas para que cada vez haja menos pessoas a sentirem-se tentadas a recorrer a essa via;
Em vez de atacar directamente as fontes do fundamentalismo islâmico dever-se-ia redireccionar grande parte desse esforço e investi-lo na educação das populações dos países menos desenvolvidos, fazendo com que os argumentos utilizados nesses discursos façam cada vez menos sentido.
SOCIALISMO DE DIREITA?!

Ségolène Royal disputa a investidura no PSF para ser candidata à Presidência da República.
No Expresso desta semana, de 11 de Novembro, é afirmado que Ségolène “…regressará ao contacto com as bases, tentando recentrar o perfil, conotado com um ‘socialismo de direita’.”
Socialismo de direita? Será que faz algum sentido falar em socialismo de direita?
Na minha opinião isto significa duas coisas: hoje é cada vez mais difícil demarcar o que separa a esquerda e a direita e a ideia de socialismo já não significa nada.
No fundo, demonstra-se que as ideias políticas estão em grande mudança, as ideologias já não são o que eram.
A grande separação ideológica actual é entre os que percebem a mudança e os que são anti-mudança.
Saúdinha
ABSURDEX

Conheço alguém que tem uma empresa e há uns dias recebeu uma carta das finanças. Bens à penhora. Não soa nada bem! Ligou imediatamente ao contabilista pois era ele que falava com as Finanças. Havia um processo a correr há mais de ano referente a uma falta de um Pagamento por conta, datado a Julho de 2005. Varias cartas haviam sido recebidas na empresa que eram invariavelmente remetidas para a contabilidade. O sr. Ferreira (fictício) sempre descansou o meu conhecido pois era um erro das Finanças que estava a ser resolvido.
E finalmente, qual fora o erro? Esse tal Pagamento por conta, havia sido feito dentro do prazo legal mas, desafortunadamente, quem introduziu esse pagamento, trocou um digito no número de contribuinte e o pagamento foi atribuído a outra empresa! E foi o Sr. Ferreira que, após ter recebido a primeira notificação para pagamento descobriu o erro das Finanças, identificou a empresa beneficiada e entregou uma carta, comprovadamente explicando tudo, e que deu entrada no respectivo bairro fiscal, em Setembro de 2005. Está solucionado? Isso é que era bom. As cartas notificação continuavam chovendo.
Até hoje, a resposta que conseguiu, foi: Penhora de bens!
Hoje, a deslocação ao Bairro Fiscal com intenção de resolver a coisa de uma vez por todas. Os funcionários ficam embasbacados. Ninguém pode explicar, ninguém pode fazer nada… Mandem uma carta registada… Mas, para quê? Já mandámos tantas! O melhor será ir lá pessoalmente… Mas “eles” não recebem ninguém…Têm é que ir ao terceiro andar para tentar suspender a execução da penhora…É que aqui não temos nada a ver com isso, não conseguimos parar o processo…
Subiram dois andares, o Sr. Ferreira já arfava, era tanto o calor, dirigiram-se à secção das execuções fiscais. Mais uma vez a incredulidade no rosto…Mas, como é possível? Os senhores deviam ter vindo logo cá. O processo nunca parou, continuou a andar. Mas, nós viemos cá, mandaram-nos escrever e-mails, respondia o meu conhecido e o Sr. Ferreira. Que fazer agora? Já está aqui – olhando para o monitor – um carro para penhora! Têm que escrever uma carta com tudo explicado e com fotocópias de todo o processo. E ao mesmo tempo têm que, no IRC pedirem para corrigir o pagamento que está em falta, pois só com o ofício de lá é que aqui, nas execuções, podemos fechar o processo.
Que dizer a isto? Como explicar isto? Falta de responsabilidade? Falta de brio? Falta de motivação? País de brincadeira? País de merda? Não é necessário avaliação de desempenho? Não é necessário controle de processos? Não são necessárias sanções? Não há responsável? O cidadão não tem defesa contra esta Administração Pública?
Ou será apenas, uma excepção?
É verdade, hoje foi dia de greve, mas aquela repartição estava a cem por cento!
Saúdinha
Curtex
A forma com estão a ser conduzidas as negociações para a integração da Turquia na União Europeia não estão propriamente a ajudar muito à causa do entendimento entre o Ocidente e os muçulmanos. Seria melhor definir de uma vez por todas se “sim ou sopas”!
Corrupção
O João Cravinho continua a sua cruzada contra a corrupção concretizando as suas acusações sem recurso a subentendidos e meias-palavras. Um relatório da Transparency International colocou-nos como um dos países da União Europeia com um mais elevado índice de corrupção. O Presidente da Republica também já se manifestou sobre o assunto. Será que é desta que a denuncia deste “cancro” que fustiga o país se vai tornar num desígnio nacional? E o Governo, o que diz?
Eleições nos Estados Unidos
A vitória dos Democratas é uma boa notícia para todos. É meio caminho para retirar a América de uma trajectória que não estava propriamente a visar a procura de soluções para enfrentar os grandes desafios mundiais. O outro meio espera-se que venha daqui a dois anos com a eleição de um presidente Democrata e com a diminuição da influência dos neo-conservadores (Barack Obama!)
Aquecimento Global
Acredite-se ou não mas ainda anda por ai muita gente a achar que esta coisa das alterações climáticas, e o catano, são coisas de esquerdalhos pintados de verde que nem sequer sabem dar um no de gravata!
Julgamento de Saddam Hussein
Só para que fique registado eu sou contra a condenação à morte do Saddam. Por duas razoes: primeiro, e mais importante, porque sou contra a pena de morte. Segundo porque acho que esta sentença não vai ajudar nada na resolução dos problemas do Iraque.
PS: O facto de a sentença ter sido dada dias antes das eleições americanas é bem demonstrativo do que para aí vai!
ROSTOS DA NÃO MUDANÇA
Coincidiram no mesmo dia ter temas da comunicação social que me fizeram ver três rostos da não mudança.Foi fundada a CSI, a nova Confederação Sindical Internacional por fusão de duas grandes confederações a CMT (cristã) e a CISL (reformista e laica) representando 168 milhões de trabalhadores em todo o mundo. Destina-se a falar em nome do Trabalho com as organizações mundiais, defendendo os trabalhadores, neste tempo de Globalização. A FSM (marxista) não entrou falando na Globalização Capitalista.
As nossas Confederações tiveram destinos diferentes: a UGT está lá e a CGTP não.
Julgo que Carvalho da Silva é um rosto da anti-mudança. Não admite prescindir de nada. Não percebe a mudança. Quer conservar o que conseguiu e não entende o futuro!
Fui apanhado por outra notícia de que me congratulo. Finalmente alguém mexe em coisas tão obviamente distorcidas a todos os níveis. O arredondamento correcto do spread. Não pode ser doutra maneira. Um arredondamento é um arredondamento! É Matemática. Sabem com certeza que os bancos arredondavam para o quarto superior! É um roubo! E ficavam impunes. Outra alteração fantástica de tão simples: as datas- valores de um depósito em cheque e portanto a sua disponibilidade é o primeiro dia útil a seguir ao seu depósito Nada de mais natural. Se o dinheiro sai de uma conta tem que entrar noutra. Por onde pairava nos 4 ou 5 dias da “compensação”?
João Salgueiro presidente da Associação dos Bancos nem pestanejou: Não vem mal ao mundo. Aumentamos os spreads. A Banca não pode ficar a perder!
Julgo que João Salgueiro é um rosto da anti-mudança. Não admite prescindir de nada. Não percebe a mudança. Quer conservar o que conseguiu e não entende o futuro!
À noite, grande espectáculo televisivo: grande entrevista com o Dr. Alberto João Jardim. Tiro o chapéu à sua cábula cheia de percentagens… Ao não aceitar a nova lei das finanças regionais que causa uma redução de transferências, representa todo o Estado Gordo que queremos emagrecer. Ao não querer discutir o aumento de escalão dentro das regiões europeias, o facto de ser a segunda região mais rica per capita do país, mostra-nos a ferocidade daqueles que defendem os seus privilégios.
Julgo que Alberto João Jardim é um rosto da anti-mudança. Não admite prescindir de nada. Não percebe a mudança. Quer conservar o que conseguiu e não entende o futuro!
Saúdinha
Portugueses; a nossa identidade que temos que atacar
Qualquer pessoa a quem seja entregue responsabilidade e capacidade de decisão, lhe seja reconhecido o mérito e se consigam atingir resultados, parece poder agarrar essa possibilidade, mesmo com graus de exigência elevados. Mas a vontade individual faz a diferença. Participar, assumir, ter empenho, aceitar a evidência do “Quem mexeu no meu Queijo”, é a condição “sine qua non(!)” de ter um bom destino na História,
“a civilização ocidental deu à humanidade o único sistema económico que funciona, uma tradição racionalista que por si só nos permite ter progresso material e tecnológico, a única estrutura politica que garante a liberdade do individuo, um sistema de ética e uma religião que trazem à tona o melhor da humanidade – e a prática de armas mais letal possível. Esperemos pelo menos poder entender esse legado. Tratando-se de uma herança pesada e algumas vezes ameaçador que não devemos negar nem da qual devemos sentir vergonha – devemos, isso sim, insistir para que a nossa maneira mortal de fazer a guerra sirva para fazer avançar, e não para enterrar, nossa civilização” (1)
Esta cultura, civilização ocidental sempre dependeu dos indivíduos, das pessoas. De repente lembrei-me de um livro antigo que li (e reli) onde um americano (Nobel da Física) dava aulas no Brasil e ficou embasbacado:
“Era uma espécie de competição em que ninguém sabe o que se passa e rebaixa os outros como se soubesse. Fingem todos que sabem e, se um aluno admite por um momento que alguma coisa o confunde, fazendo uma pergunta, os outros tomam uma atitude arrogante, fazendo de conta que não é nada confuso e dizendo-lhe que está a fazê-los perder tempo.
Expliquei como é útil trabalhar em conjunto, discutir as perguntas, debater o assunto, mas eles também não queriam fazer isso, porque estariam a desprestigiar-se se tivessem de perguntar a outra pessoa. Fazia pena! Pessoas inteligentes faziam todo o trabalho, mas tinham-se colocado naquele estranho estado de espírito, esta espécie esquisita de “educação” de autotransmissão, que não faz sentido absolutamente nenhum!” (2)
A grande questão para nós é: os Portugueses, nós, somos piores que os outros? Fazer as coisa bem feitas, à primeira, sempre. Reconhecer o mérito é-nos difícil e fácil é contribuir para o problema, não para a sua solução. O pessimismo, a passividade, a inveja e o dizer mal são nossos? O Medo de existir…
Não resisto a transcrever da anciã História concisa:
“Pertence à classe média fictícia, que vive como um cogumelo, à custa da verdadeira e que acabará por formar uma classe com características próprias: ociosa, pobretana, pedinchona de empregos, dependente dos grandes, servil em relação a quem quer que tenha o poder. De todo o País milhares de jovens afluem à corte. […] Das várias sátiras que ficaram desse tipo de aprendiz de fidalgo, nenhuma alude ao trabalho. Um clérigo que viera de Brabante onde o trabalho era a vida de toda a gente, surpreende-se com o que vê em Portugal e escreve: “Esta gente prefere ter de suportar tudo a ter de aprender algum oficio” […] A nova estrutura do Estado estava na origem da onda do parasitismo. Gil Vicente dava-se perfeitamente conta disso. A análise vicentina inclui muitos outros aspectos: a nobreza riquíssima e fútil a fazer pressão sobre o paço para que lhe suba as rendas já enormes, o clero que cobiça os bispados novos das ilhas, ..
Mais do que os pormenores, é a ideia geral que deve apreender, porque ela exprime as consequências sociais da economia da expansão: um Estado rico numa nação pobre, onde a riqueza vinda de fora quebrara a coluna vertebral do trabalho interno e provocava o crescimento de uma falsa classe média que nada fazia e que, como uma corcunda enorme, ia crescendo à custa do resto do corpo do País e atrofiando com o seu peso as classes produtivas que já quase se limitam aos camponeses.” (3)
Vivemos a mudança. A globalização da selecção dos melhores e mais fortes. De cada um de nós depende agarrá-la ou não. E tudo parte do individuo. Por isso tanto depende da formação das pessoas. Que começa e é produto da família, escola, da sociedade … Tudo nós, portugueses! Ataco a nossa identidade como um desafio. Como Estado e nação, os portugueses estão a definir o seu futuro.
“Satisfação do dever cumprido”, definia o meu avô como prioridade primeira. Velha sabedoria.
Ler é uma bela preguiça. E motivo de conversa. E de dizer aquilo que se quer.
(1) “Porque o Ocidente venceu” de Victor Davis Hanson
(2) “Está a brincar Sr. Feynman!” de Richard P. Feynman
Porque Amanha é Sexta!
Função Pública; um diagnóstico
Destas remunerações, 66.7% são absorvidos pelos Ministérios da Educação, Ensino Superior e Saúde. Os funcionários públicos com vinculo vitalicio ao estado é de 81.7%.
Despesas de pessoal (função pública) relativamente ao PIB: 14.5%
Estes alguns números que foram publicados (Visão, 708, 28 Setembro 2006). Assim é fácil de concluir que para o Estado baixar a despesa, e se esta é constituida, fundamentalmente, por salários de professores e de médicos não se vislumbra outra forma a não ser "atacar" os salários dos professores e médicos. Ou haverá outra forma?
A Europa a Longo Prazo
Foi assim que desenvolvemos quatro cenários que tentaram modelar as principais tendências de desenvolvimento da Europa. Estes cenários foram baseados noutros que já tinham sido feitos por outros organismos e foram depois discutidos por especialistas dos vários países membros do Eurocontrol e por representantes de outras organizações ligadas à aviação.
É claro que o objectivo destes cenários foi ver a que ponto a evolução da Europa num sentido ou noutro poderiam influenciar a evolução do tráfego aéreo. No entanto as suas reflexões são também do interesse geral.
O desafio que aqui vos lanço é para que dêem a vossa opinião sobre se algum dos cenários aqui apresentados modela a vossa opinião pessoal sobre a evolução da Europa. No caso negativo qual serão então as características principais de um cenário alternativo?
Cenário 1: Globalização e Rápido Crescimento Económico
Neste cenário a economia Europeia tem um forte e rápido crescimento económico num mundo cada vez mais globalizado. Como suporte deste crescimento estão essencialmente o levantamento das barreiras comerciais e o desenvolvimento do comércio livre. Os principais parceiros são os países da NAFTA, do Extremo Oriente e do Norte de Africa, entre os quais se estabelecem mesmo vários acordos no sentido de liberalizar alguns sectores. O preço do petróleo mantém-se alto mas estável. O turismo é essencialmente um turismo de “longas viagens”. Existem algumas preocupações ambientais. Os custos com a segurança aumentam significativamente.
Cenário 2: “Business as Usual”
Este cenário é marcado por um crescimento económico moderado e pala manutenção das tendências actuais. A Economia Europeia continua com uma taxa de crescimento relativamente baixa, especialmente devido aos seus custos sociais. O comércio internacional continua dominado por muitas regulações e restrições e a Europa desenvolve essencialmente o seu mercado interno e investe mais no seu alargamento. Os nossos principais parceiros continuam a ser NAFTA e o Extremo Oriente. O preço do petróleo mantém a sua tendência de crescimento. O turismo mantém o seu actual equilíbrio entre “curto” e “longo”. Os custos com as politicas ambientais vão ganhando cada vez mais peso nos orçamentos. Não há grandes modificações nos custos com a segurança.
Cenário 3: Economia Forte e Regulada
Este cenário é dominado essencialmente pelas preocupações ambientais. Os Estados são obrigados a intervir fortemente para regular a actividade económica de forma a garantir a protecção do ambiente. Apesar disso a economia Europeia observa um forte crescimento, impulsionado por um lado por um franco desenvolvimento da I&D, e por outro pelo esforço de reestruturação das suas indústrias, dos seus transportes, etc. para torna-los menos nocivos para o ambiente. No comércio internacional é dada prioridade a parceiros mais próximos (Rússia, Norte de Africa). O preço do petróleo aumenta consideravelmente. O Turismo é dominado pelas “viagens curtas”. Os custos com as politicas ambientais dominam os orçamentos. É possível fazer algumas reduções nos custos com a segurança.
Cenário 4: Regionalização e Fraco Crescimento Económico.
Este cenário simula um estado de tensão entre as regiões e as suas consequências negativas na economia. As regiões fecham-se entre si e o comércio internacional e o turismo são fortemente afectados. O preço do petróleo dispara para valores altíssimos. Os custos com a segurança são os que agora dominam os orçamentos.
PRESIDÊNCIA PORTUGUESA
Portugal vai ter, em 1 de Julho de 2007, a honra e a responsabilidade de ocupar a presidência do Conselho Europeu. A Finlândia passa a pasta a Alemanha em 1 de Janeiro e depois da presidência alemã, seremos nós, este povo pequeno que presidirá aos destinos da União Europeia. Nesta época de mudança, de sérios perigos à paz mundial, que teremos a oferecer ao mundo? Qual deverá ser o nosso programa, que ideia-força devemos defender, como o nosso ponto de vista ao mundo?Penso que a Alemanha dará um passo na tentativa de retomar o dossier Novo Tratado Europeu. Caber-nos-à conseguir a assinatura depois de auscultado os povos?
A Economia, as ameaças terroristas, a imigração, o alargamento, a relação com o Islão e com os USA, o preço do petróleo, como tudo evoluirá?
Qual a grande causa que Portugal defenderá na União Europeia? A continuação da Agenda Lisboa, investindo nas tecnologias e no conhecimento como forma de salvarmos a nossa economia, ou deveremos sugerir a criação de umas forças armadas para nos podermos defender das ameaças e ter uma voz mais forte no mundo? Ou vamos dialogar com os países em vias de desenvolvimento para resolver o problema da imigração, ou é mais importante juntarmos esforços para erradicar a fome e a miséria no mundo? Qual deve ser a nossa ideia-força para a nossa Presidência?
Aguardam-se sugestões.
Saúdinha
Tertúlia no Merdex
Procuramos, o nosso "bem individual”, intervém el ranys, visitante habitual do correspondente RdM, pondo-se ao lado de Harpic que o havia aliciado. “O que não existe, seguramente, é esse tal "bem comum", rematou fulminante
. Tentando concentrar-se Harpic tentou precisar o seu argumento, “pressupõe necessariamente o abandono desta noção do “comum”; ao indivíduo passa a ser dada a liberdade de escolha para garantir o seu próprio bem; enquanto que ao Estado é dado o papel de garantir as liberdades positivas de cada individuo na exacta medida das suas necessidades.”. Afinal, concordas que “Estado não pode garantir a mesma coisa a todos”- questiona Alex, “O Estado garante menos, apenas aos que necessitam, e os cidadãos têm mais espaço para as suas decisões”, acrescentalex, ripostando el Ranys inabalável: “O que não existe, seguramente, é esse tal "bem comum". Manolo tenta dizer, “ O papel do Estado Democrático é o de conciliar a liberdade individual, a ambição individual do bem-estar com uma solidariedade aceite e consentida, (que pode ser entendido como "bem comum").
Nisto, professoral, Alex (“Detesto citações, sobretudo quando utilizadas como argumento de autoridade”, comentaria, mais tarde um aborrecido el Ranys) afirmava categórico : “A ideia de bem comum já vem de Aristóteles” e citava, “a política é o desdobramento natural da ética”. Continua embalado Alex, “Mas a liberdade individual não é antagónica do bem comum”…,
“NÃO HÁ "bem comum” grita el Ranys, embora “ espero que os governos governem para todos”. Harpic parecia pensativo e balbuciava… “unidade supra-individuo”, mas Alex não perdia oportunidade e, dirigindo-se a el Ranys: “estás a dizer o que eu disse”. “Qual o sentido da mudança, essa é a discussão que tentamos fazer” apelou Alex, conciliador, depois de uma pausa. “E concordo que esta dicotomia é hoje mais interessante de discutir do que a primeira” – Harpic referindo-se a um aparte de Manolo, e também “Concordo que é mais interessante discutir os sectores em que o Estado deve intervir”, embora o Estado, “vai mais tarde ou mais cedo ter de contrariar os interesses individuais” disse, calado quase, Harpic.
“Eu não defendo a intervenção do Estado, pelo bem comum!” confundiu de novo Alex. “Mau, entao?”, riu-se Harpic; “O que, para mim, faz sentido é defender isto tudo”, respondeu Alex, que já pensava na próxima tertúlia no RdJ, em que era aliado de Harpic que cínico, se dirigiu a todos: “Eu não ando à procura de contradições”. Já no corredor el Ranys falava com os seus botões “Isto se ainda existem esquerda e direita”. Qual o modelo de sociedade? Esta questão era interminável. “Concordo - nessa perspectiva, o socialismo morreu”, ouviu-se de repente Rantas, como sempre atradaso a responder directamente a Alex. E saíram. A redacção ficou deserta. Deserta, não. Pairava o fantasma de Antonix, ícone antigo do Merdex.
Acenda-se a Luz!
Julgo que no meio existe um espaço que só a Europa pode ocupar. Um espaço para apoiar o Islão moderado e o islamismo Europeu, que se encontram encurralados entre o fanatismo dos seus “irmãos” de fé e a crescente hostilidade do Ocidente contra tudo o que tenha semelhanças com os fanáticos terroristas.
Este apoio tem que ser firme, efectivo e descomplexado. Tem que passar por assumir claramente a condenação do aproveitamento que o Islão radical faz da fé religiosa dos seus seguidorers e simultaneamente por apoiar abertamente (financeira, cultural, intelectual, mediaticamente, …) as iniciativas que forem surgindo no sentido de ajudar o Islão moderado a encontrar “as suas luzes” e a divulgá-las.
A Europa e o Islão têm um passado histórico comum que é um erro ignorar. Além disso, a Europa teve também de passar por um processo de “iluminação” das sua populações que lhe permitiu depois criar sociedades mais modernas e mais justas. Estes dois factos históricos colocam a Europa como o interlocutor natural de um diálogo que mais tarde ou mais cedo vai ter que se estabelecer e que, na minha opinião, é a única forma de resolver o problema deste “conflito das civilizações”.
A Europa e os Estados Unidos não têm as mesmas necessidades na procura de soluções para este conflito. Ninguém como a Europa sente a pressão causada pelas migrações de populações muçulmanas e as consequências de anos de politicas de integração disparatadas. Não advogo certamente qualquer tipo de descolagem das politicas comuns entre a Europa e os Estados Unidos na luta contra o terrorismo e na difusão dos valores democráticos, mas paralelamente existem outras questões entre as sociedades islamistas e as sociedades Europeias que devíamos ser nós a resolver.
A CREDIBILIDADE
É deplorável.
E se nos lembrarmos da tragicomédia dos deputados apanhados na armadilha de uma televisão de Berlusconi com cannabis e cocaína, quando o parlamento tinha acabado de aprovar uma lei restritiva contra a droga, ou ainda do primeiro ministro húngaro que foi apanhado a mentir de manhã à noite para ganhar as eleições…
A credibilidade dos políticos é um valor fundamental para as Democracias. Quando os cidadãos perdem a confiança nos seus dirigentes, o que pode acontecer?
Na minha opinião, quando os cidadãos deixam de confiar, viram-se para os extremos do espectro político. E essa falta de credibilidade está a aumentar sempre, cada vez mais os políticos são considerados ladrões, mentirosos, chulos…
A subida dos partidos de extrema direita por essa Europa fora, os nacionalismos, os neo-nazis só pode dar mau resultado. Os problemas da imigração, a crise económica e a falta de líderes apoiados pelos povos podem originar problemas muito sérios. A pulverização do sonho europeu, de que o chumbo do tratado constitucional em França e na Holanda pode ser um sinal, a segurança da Europa em risco com velhas rivalidades…
Precisamos urgentemente de líderes credíveis. De dirigentes sérios. Que a sua entrega à causa pública seja intocável. Doutra forma são as Democracias que estão em risco.
Saúdinha
Da Terra à Lua
Os Estados Unidos parecem querer orientar-se mais para uma politica unilateral e anunciam grandes investimentos para garantir que o próximo homem na lua é Americano e deverá desembarcar lá por volta de 2020.
A Rússia planeia missões tripuladas à volta da Lua para 2012 e a construção de uma base lunar permanente para 2025.
A China dá os primeiros passos na tecnologia espacial e prepara lançamentos de veículos não tripulados para 2008.
O Brasil, o Irão e a Coreia do Sul desenvolvem inovadores programas espaciais que se espera venham a dar frutos concretos nas próximas duas décadas.
E a Europa? Que opinam vocês? Deve a Europa desenvolver um programa espacial comum com o objectivo especifico de competir com Americanos e Russos? Deve a Europa estabelecer parcerias quer com uns quer com outros para participar em programas conjuntos? Deve a Europa abster-se desta coisa do espaço e deixar aos Estados Membros a opção do cada-um-por-si?
Claro que com esta corrida também se desenvolvem em paralelo os jogos políticos para ver quem vai controlar os Tratados que vão regular esta coisa toda. Será importante?
E a Europa?
O SOCIALISMO MORREU.

Lembro-me que há cerca de 25 anos Soares disse que meteu o socialismo na gaveta.
E lembrei-me disto ao pensar que Sócrates devia dizer, no próximo congresso do PS, que o socialismo morreu.
Se o socialismo de tipo soviético, marxista e leninista foi enterrado com a queda do muro de Berlim, acho que chegou a hora de dizer que o socialismo democrático também morreu.
Já desde o fim do séc. XIX princípios do séc XX houve um grande cisma entre os marxistas. A revolução soviética que quis criar o Homem novo transformou-se numa sociedade onde a liberdade foi suprimida, a economia estatizada, sem lugar à propriedade privada onde os direitos de cidadania desapareceram, o poder político se confundiu com o Estado transformando-se num governo oligárquico, onde a classe dominante detinha todos os privilégios, surgindo um movimento que se desviou desta linha, a social democracia, que mantendo a utopia de uma sociedade sem classes e igualitária mas acreditando que essa sociedade seria alcançada sem revolução mas por meio de uma evolução democrática.
A Internacional Socialista definiu a social democracia como a forma ideal de democracia representativa que poderá construir uma sociedade de bem estar. E define como princípios a liberdade, não só como a liberdade do individuo, mas inclui na noção de liberdade o direito de não ser discriminado, o direito das minorias, a igualdade e a justiça social não apenas perante a lei mas também em termos económicos e sócio-culturais o que permite a igualdade de oportunidades e finalmente, um terceiro principio, o da solidariedade com as vitimas de injustiça e da desigualdade.
Julgo que toda esta ideologia continua actual, embora discorde que o fim dela seja a sociedade socialista, vista esta como uma sociedade sem classes, igualitária e universalista.
O mundo mudou, hoje a economia de mercado é única resposta para a criação de riqueza, as alterações do poder entre classes, com o proletariado a ser cada vez menos importante, o individualismo versus o colectivismo, onde o individualismo é cada vez mais um valor humanista, por oposição ao socialismo, são tudo noções e conceitos que se alteraram.
A Desigualdade, entendida como uma livre escolha de cada cidadão, com oportunidades iguais é, na minha opinião, a nova utopia.
Assim julgo que os partidos “socialistas” deviam assumir a evolução histórica deixando cair a sociedade socialista. E sejamos claros, já nenhum partido destes defende essa sociedade.
Toda a política destes partidos não é no sentido socializante, mas de alteração do Estado Providência. E em que sentido? Na minha opinião o Estado não pode garantir a a mesma coisa a todos. Apenas deve garantir, e de forma desigual, aqueles que realmente necessitam.
Assim, eu proclamo (passe a imodéstia): o Socialismo morreu.
Mas continuo a pensar que ainda se pode falar em esquerda e direita. A esquerda não socialista “definirei” como a ideia de que o bem colectivo se deve sobrepor aos interesses particulares. Onde a solidariedade seja pedida a todos consoante as suas possibilidades, apesar de a sua distribuição não ser universal. E também a ideia que o mercado e a livre concorrência são um bem em si mesmo, mas não resolvem tudo.
Que dizem?
Saúdinha










