Portugueses; a nossa identidade que temos que atacar

“Devagar, que tenho pressa” disse-me, uma vez o meu avô, há muitos anos. Engraçado que existe já uma cultura do slow. Imagine-se que há empresas que dão regalias com pequeno-almoço incluído e espreguiçadeiras. E são classificadas “A Melhor Empresa para Trabalhar”! Em Portugal o Clube das Sestas vai de vento em popa. È o futuro.

Qualquer pessoa a quem seja entregue responsabilidade e capacidade de decisão, lhe seja reconhecido o mérito e se consigam atingir resultados, parece poder agarrar essa possibilidade, mesmo com graus de exigência elevados. Mas a vontade individual faz a diferença. Participar, assumir, ter empenho, aceitar a evidência do “Quem mexeu no meu Queijo”, é a condição “sine qua non(!)” de ter um bom destino na História,

a civilização ocidental deu à humanidade o único sistema económico que funciona, uma tradição racionalista que por si só nos permite ter progresso material e tecnológico, a única estrutura politica que garante a liberdade do individuo, um sistema de ética e uma religião que trazem à tona o melhor da humanidade – e a prática de armas mais letal possível. Esperemos pelo menos poder entender esse legado. Tratando-se de uma herança pesada e algumas vezes ameaçador que não devemos negar nem da qual devemos sentir vergonha – devemos, isso sim, insistir para que a nossa maneira mortal de fazer a guerra sirva para fazer avançar, e não para enterrar, nossa civilização” (1)

Esta cultura, civilização ocidental sempre dependeu dos indivíduos, das pessoas. De repente lembrei-me de um livro antigo que li (e reli) onde um americano (Nobel da Física) dava aulas no Brasil e ficou embasbacado:

“Era uma espécie de competição em que ninguém sabe o que se passa e rebaixa os outros como se soubesse. Fingem todos que sabem e, se um aluno admite por um momento que alguma coisa o confunde, fazendo uma pergunta, os outros tomam uma atitude arrogante, fazendo de conta que não é nada confuso e dizendo-lhe que está a fazê-los perder tempo.
Expliquei como é útil trabalhar em conjunto, discutir as perguntas, debater o assunto, mas eles também não queriam fazer isso, porque estariam a desprestigiar-se se tivessem de perguntar a outra pessoa. Fazia pena! Pessoas inteligentes faziam todo o trabalho, mas tinham-se colocado naquele estranho estado de espírito, esta espécie esquisita de “educação” de autotransmissão, que não faz sentido absolutamente nenhum!”
(2)

A grande questão para nós é: os Portugueses, nós, somos piores que os outros? Fazer as coisa bem feitas, à primeira, sempre. Reconhecer o mérito é-nos difícil e fácil é contribuir para o problema, não para a sua solução. O pessimismo, a passividade, a inveja e o dizer mal são nossos? O Medo de existir…
Não resisto a transcrever da anciã História concisa:

Pertence à classe média fictícia, que vive como um cogumelo, à custa da verdadeira e que acabará por formar uma classe com características próprias: ociosa, pobretana, pedinchona de empregos, dependente dos grandes, servil em relação a quem quer que tenha o poder. De todo o País milhares de jovens afluem à corte. […] Das várias sátiras que ficaram desse tipo de aprendiz de fidalgo, nenhuma alude ao trabalho. Um clérigo que viera de Brabante onde o trabalho era a vida de toda a gente, surpreende-se com o que vê em Portugal e escreve: “Esta gente prefere ter de suportar tudo a ter de aprender algum oficio” […] A nova estrutura do Estado estava na origem da onda do parasitismo. Gil Vicente dava-se perfeitamente conta disso. A análise vicentina inclui muitos outros aspectos: a nobreza riquíssima e fútil a fazer pressão sobre o paço para que lhe suba as rendas já enormes, o clero que cobiça os bispados novos das ilhas, ..
Mais do que os pormenores, é a ideia geral que deve apreender, porque ela exprime as consequências sociais da economia da expansão: um Estado rico numa nação pobre, onde a riqueza vinda de fora quebrara a coluna vertebral do trabalho interno e provocava o crescimento de uma falsa classe média que nada fazia e que, como uma corcunda enorme, ia crescendo à custa do resto do corpo do País e atrofiando com o seu peso as classes produtivas que já quase se limitam aos camponeses.”
(3)

Vivemos a mudança. A globalização da selecção dos melhores e mais fortes. De cada um de nós depende agarrá-la ou não. E tudo parte do individuo. Por isso tanto depende da formação das pessoas. Que começa e é produto da família, escola, da sociedade … Tudo nós, portugueses! Ataco a nossa identidade como um desafio. Como Estado e nação, os portugueses estão a definir o seu futuro.

“Satisfação do dever cumprido”, definia o meu avô como prioridade primeira. Velha sabedoria.

Ler é uma bela preguiça. E motivo de conversa. E de dizer aquilo que se quer.

(1) “Porque o Ocidente venceu” de Victor Davis Hanson
(2) “Está a brincar Sr. Feynman!” de Richard P. Feynman
(3) “História concisa de Portugal”, de José Hermano Saraiva

Porque Amanha é Sexta!



Isto é para nao pensarem que nós aqui no Merdex somos uma cambada de "nerds" que nao se intressam pelas coisas bonitas da vida.

Nao estará propriamente na linha do "cona, cu e broche" dos blogs amigos mas pronto, também é um contributo.

Função Pública; um diagnóstico

Os salários públicos consomem 60.7% das receitas de impostos.
Destas remunerações, 66.7% são absorvidos pelos Ministérios da Educação, Ensino Superior e Saúde. Os funcionários públicos com vinculo vitalicio ao estado é de 81.7%.
Despesas de pessoal (função pública) relativamente ao PIB: 14.5%

Estes alguns números que foram publicados (Visão, 708, 28 Setembro 2006). Assim é fácil de concluir que para o Estado baixar a despesa, e se esta é constituida, fundamentalmente, por salários de professores e de médicos não se vislumbra outra forma a não ser "atacar" os salários dos professores e médicos. Ou haverá outra forma?

A Europa a Longo Prazo

Faz parte das funções da equipa onde trabalho fazer as previsões do tráfego aéreo para a região da Europa. Enquanto que as previsões a curto e médio prazo são essencialmente baseadas em modelos matemáticos (nunca pensei vir a estar tão exposto a esta “bonita” ciência que tantas amarguras me trouxe no passado), as previsões a longo prazo (25 anos) baseiam-se em cenários.

Foi assim que desenvolvemos quatro cenários que tentaram modelar as principais tendências de desenvolvimento da Europa. Estes cenários foram baseados noutros que já tinham sido feitos por outros organismos e foram depois discutidos por especialistas dos vários países membros do Eurocontrol e por representantes de outras organizações ligadas à aviação.

É claro que o objectivo destes cenários foi ver a que ponto a evolução da Europa num sentido ou noutro poderiam influenciar a evolução do tráfego aéreo. No entanto as suas reflexões são também do interesse geral.

O desafio que aqui vos lanço é para que dêem a vossa opinião sobre se algum dos cenários aqui apresentados modela a vossa opinião pessoal sobre a evolução da Europa. No caso negativo qual serão então as características principais de um cenário alternativo?

Cenário 1: Globalização e Rápido Crescimento Económico
Neste cenário a economia Europeia tem um forte e rápido crescimento económico num mundo cada vez mais globalizado. Como suporte deste crescimento estão essencialmente o levantamento das barreiras comerciais e o desenvolvimento do comércio livre. Os principais parceiros são os países da NAFTA, do Extremo Oriente e do Norte de Africa, entre os quais se estabelecem mesmo vários acordos no sentido de liberalizar alguns sectores. O preço do petróleo mantém-se alto mas estável. O turismo é essencialmente um turismo de “longas viagens”. Existem algumas preocupações ambientais. Os custos com a segurança aumentam significativamente.

Cenário 2: “Business as Usual”
Este cenário é marcado por um crescimento económico moderado e pala manutenção das tendências actuais. A Economia Europeia continua com uma taxa de crescimento relativamente baixa, especialmente devido aos seus custos sociais. O comércio internacional continua dominado por muitas regulações e restrições e a Europa desenvolve essencialmente o seu mercado interno e investe mais no seu alargamento. Os nossos principais parceiros continuam a ser NAFTA e o Extremo Oriente. O preço do petróleo mantém a sua tendência de crescimento. O turismo mantém o seu actual equilíbrio entre “curto” e “longo”. Os custos com as politicas ambientais vão ganhando cada vez mais peso nos orçamentos. Não há grandes modificações nos custos com a segurança.

Cenário 3: Economia Forte e Regulada
Este cenário é dominado essencialmente pelas preocupações ambientais. Os Estados são obrigados a intervir fortemente para regular a actividade económica de forma a garantir a protecção do ambiente. Apesar disso a economia Europeia observa um forte crescimento, impulsionado por um lado por um franco desenvolvimento da I&D, e por outro pelo esforço de reestruturação das suas indústrias, dos seus transportes, etc. para torna-los menos nocivos para o ambiente. No comércio internacional é dada prioridade a parceiros mais próximos (Rússia, Norte de Africa). O preço do petróleo aumenta consideravelmente. O Turismo é dominado pelas “viagens curtas”. Os custos com as politicas ambientais dominam os orçamentos. É possível fazer algumas reduções nos custos com a segurança.

Cenário 4: Regionalização e Fraco Crescimento Económico.
Este cenário simula um estado de tensão entre as regiões e as suas consequências negativas na economia. As regiões fecham-se entre si e o comércio internacional e o turismo são fortemente afectados. O preço do petróleo dispara para valores altíssimos. Os custos com a segurança são os que agora dominam os orçamentos.

PRESIDÊNCIA PORTUGUESA

Portugal vai ter, em 1 de Julho de 2007, a honra e a responsabilidade de ocupar a presidência do Conselho Europeu. A Finlândia passa a pasta a Alemanha em 1 de Janeiro e depois da presidência alemã, seremos nós, este povo pequeno que presidirá aos destinos da União Europeia. Nesta época de mudança, de sérios perigos à paz mundial, que teremos a oferecer ao mundo? Qual deverá ser o nosso programa, que ideia-força devemos defender, como o nosso ponto de vista ao mundo?
Penso que a Alemanha dará um passo na tentativa de retomar o dossier Novo Tratado Europeu. Caber-nos-à conseguir a assinatura depois de auscultado os povos?
A Economia, as ameaças terroristas, a imigração, o alargamento, a relação com o Islão e com os USA, o preço do petróleo, como tudo evoluirá?
Qual a grande causa que Portugal defenderá na União Europeia? A continuação da Agenda Lisboa, investindo nas tecnologias e no conhecimento como forma de salvarmos a nossa economia, ou deveremos sugerir a criação de umas forças armadas para nos podermos defender das ameaças e ter uma voz mais forte no mundo? Ou vamos dialogar com os países em vias de desenvolvimento para resolver o problema da imigração, ou é mais importante juntarmos esforços para erradicar a fome e a miséria no mundo? Qual deve ser a nossa ideia-força para a nossa Presidência?
Aguardam-se sugestões.
Saúdinha

Tertúlia no Merdex

Gerou-se viva polémica na redacção do Merdex. No blog do Merdex e para o Merdex, (quase completo), o cisma veio a propósito de “bem-comum”, como tarefa fundamental do Estado, afirmado por Alex, definindo-a “como a ideia de que o bem colectivo se deve sobrepor aos interesses particulares”. Logo contrapôs Harpic, dando ênfase às liberdades individuais.. A barreira profunda agudava-se, com Harpic a replicar, “não se pode ao mesmo tempo estar a defender o bem comum e a deixar a cada um a liberdade de escolha”, “Isto não colide com a liberdade individual”, responde rápido Alex. A discussão subiu de tom, com el ranys, no seu estilo piscou o olho a Alex “sucata ideológica" ;-)
Procuramos, o nosso "bem individual”, intervém el ranys, visitante habitual do correspondente RdM, pondo-se ao lado de Harpic que o havia aliciado. “O que não existe, seguramente, é esse tal "bem comum", rematou fulminante
. Tentando concentrar-se Harpic tentou precisar o seu argumento, “pressupõe necessariamente o abandono desta noção do “comum”; ao indivíduo passa a ser dada a liberdade de escolha para garantir o seu próprio bem; enquanto que ao Estado é dado o papel de garantir as liberdades positivas de cada individuo na exacta medida das suas necessidades.”. Afinal, concordas que “Estado não pode garantir a mesma coisa a todos”- questiona Alex, “O Estado garante menos, apenas aos que necessitam, e os cidadãos têm mais espaço para as suas decisões”, acrescentalex, ripostando el Ranys inabalável: “O que não existe, seguramente, é esse tal "bem comum". Manolo tenta dizer, “ O papel do Estado Democrático é o de conciliar a liberdade individual, a ambição individual do bem-estar com uma solidariedade aceite e consentida, (que pode ser entendido como "bem comum").

Nisto, professoral, Alex (“Detesto citações, sobretudo quando utilizadas como argumento de autoridade”, comentaria, mais tarde um aborrecido el Ranys) afirmava categórico : “A ideia de bem comum já vem de Aristóteles” e citava, “a política é o desdobramento natural da ética”. Continua embalado Alex, “Mas a liberdade individual não é antagónica do bem comum”…,
“NÃO HÁ "bem comum” grita el Ranys, embora “ espero que os governos governem para todos”. Harpic parecia pensativo e balbuciava… “unidade supra-individuo”, mas Alex não perdia oportunidade e, dirigindo-se a el Ranys: “estás a dizer o que eu disse”. “Qual o sentido da mudança, essa é a discussão que tentamos fazer” apelou Alex, conciliador, depois de uma pausa. “E concordo que esta dicotomia é hoje mais interessante de discutir do que a primeira” – Harpic referindo-se a um aparte de Manolo, e também “Concordo que é mais interessante discutir os sectores em que o Estado deve intervir”, embora o Estado, “vai mais tarde ou mais cedo ter de contrariar os interesses individuais” disse, calado quase, Harpic.
“Eu não defendo a intervenção do Estado, pelo bem comum!” confundiu de novo Alex. “Mau, entao?”, riu-se Harpic; “O que, para mim, faz sentido é defender isto tudo”, respondeu Alex, que já pensava na próxima tertúlia no RdJ, em que era aliado de Harpic que cínico, se dirigiu a todos: “Eu não ando à procura de contradições”. Já no corredor el Ranys falava com os seus botões “Isto se ainda existem esquerda e direita”. Qual o modelo de sociedade? Esta questão era interminável. “Concordo - nessa perspectiva, o socialismo morreu”, ouviu-se de repente Rantas, como sempre atradaso a responder directamente a Alex. E saíram. A redacção ficou deserta. Deserta, não. Pairava o fantasma de Antonix, ícone antigo do Merdex.

Acenda-se a Luz!

A Europa está a deixar que as grandes questões entre o Ocidente e o Islão sejam bipolarizadas entre os países árabes mais radicais e os Estados Unidos.

Julgo que no meio existe um espaço que só a Europa pode ocupar. Um espaço para apoiar o Islão moderado e o islamismo Europeu, que se encontram encurralados entre o fanatismo dos seus “irmãos” de fé e a crescente hostilidade do Ocidente contra tudo o que tenha semelhanças com os fanáticos terroristas.

Este apoio tem que ser firme, efectivo e descomplexado. Tem que passar por assumir claramente a condenação do aproveitamento que o Islão radical faz da fé religiosa dos seus seguidorers e simultaneamente por apoiar abertamente (financeira, cultural, intelectual, mediaticamente, …) as iniciativas que forem surgindo no sentido de ajudar o Islão moderado a encontrar “as suas luzes” e a divulgá-las.

A Europa e o Islão têm um passado histórico comum que é um erro ignorar. Além disso, a Europa teve também de passar por um processo de “iluminação” das sua populações que lhe permitiu depois criar sociedades mais modernas e mais justas. Estes dois factos históricos colocam a Europa como o interlocutor natural de um diálogo que mais tarde ou mais cedo vai ter que se estabelecer e que, na minha opinião, é a única forma de resolver o problema deste “conflito das civilizações”.

A Europa e os Estados Unidos não têm as mesmas necessidades na procura de soluções para este conflito. Ninguém como a Europa sente a pressão causada pelas migrações de populações muçulmanas e as consequências de anos de politicas de integração disparatadas. Não advogo certamente qualquer tipo de descolagem das politicas comuns entre a Europa e os Estados Unidos na luta contra o terrorismo e na difusão dos valores democráticos, mas paralelamente existem outras questões entre as sociedades islamistas e as sociedades Europeias que devíamos ser nós a resolver.

A CREDIBILIDADE

Hoje o Tribunal Constitucional divulgou o relatório sobre os custos com a campanha eleitoral das últimas legislativas. Conclusão: nenhum partido cumpriu a lei. Logo vieram os porta vozes dos partidos, nomeadamente essa figura que dá pelo nome de Vitalino Canas, dizendo que a lei era nova, que não a conheciam bem, que prometem melhorar, etc, etc, etc.
É deplorável.
E se nos lembrarmos da tragicomédia dos deputados apanhados na armadilha de uma televisão de Berlusconi com cannabis e cocaína, quando o parlamento tinha acabado de aprovar uma lei restritiva contra a droga, ou ainda do primeiro ministro húngaro que foi apanhado a mentir de manhã à noite para ganhar as eleições…
A credibilidade dos políticos é um valor fundamental para as Democracias. Quando os cidadãos perdem a confiança nos seus dirigentes, o que pode acontecer?
Na minha opinião, quando os cidadãos deixam de confiar, viram-se para os extremos do espectro político. E essa falta de credibilidade está a aumentar sempre, cada vez mais os políticos são considerados ladrões, mentirosos, chulos…
A subida dos partidos de extrema direita por essa Europa fora, os nacionalismos, os neo-nazis só pode dar mau resultado. Os problemas da imigração, a crise económica e a falta de líderes apoiados pelos povos podem originar problemas muito sérios. A pulverização do sonho europeu, de que o chumbo do tratado constitucional em França e na Holanda pode ser um sinal, a segurança da Europa em risco com velhas rivalidades…
Precisamos urgentemente de líderes credíveis. De dirigentes sérios. Que a sua entrega à causa pública seja intocável. Doutra forma são as Democracias que estão em risco.
Saúdinha

Da Terra à Lua

A corrida ao espaço volta a estar na ordem do dia.

Os Estados Unidos parecem querer orientar-se mais para uma politica unilateral e anunciam grandes investimentos para garantir que o próximo homem na lua é Americano e deverá desembarcar lá por volta de 2020.

A Rússia planeia missões tripuladas à volta da Lua para 2012 e a construção de uma base lunar permanente para 2025.

A China dá os primeiros passos na tecnologia espacial e prepara lançamentos de veículos não tripulados para 2008.

O Brasil, o Irão e a Coreia do Sul desenvolvem inovadores programas espaciais que se espera venham a dar frutos concretos nas próximas duas décadas.

E a Europa? Que opinam vocês? Deve a Europa desenvolver um programa espacial comum com o objectivo especifico de competir com Americanos e Russos? Deve a Europa estabelecer parcerias quer com uns quer com outros para participar em programas conjuntos? Deve a Europa abster-se desta coisa do espaço e deixar aos Estados Membros a opção do cada-um-por-si?

Claro que com esta corrida também se desenvolvem em paralelo os jogos políticos para ver quem vai controlar os Tratados que vão regular esta coisa toda. Será importante?

E a Europa?

O SOCIALISMO MORREU.


Lembro-me que há cerca de 25 anos Soares disse que meteu o socialismo na gaveta.
E lembrei-me disto ao pensar que Sócrates devia dizer, no próximo congresso do PS, que o socialismo morreu.
Se o socialismo de tipo soviético, marxista e leninista foi enterrado com a queda do muro de Berlim, acho que chegou a hora de dizer que o socialismo democrático também morreu.
Já desde o fim do séc. XIX princípios do séc XX houve um grande cisma entre os marxistas. A revolução soviética que quis criar o Homem novo transformou-se numa sociedade onde a liberdade foi suprimida, a economia estatizada, sem lugar à propriedade privada onde os direitos de cidadania desapareceram, o poder político se confundiu com o Estado transformando-se num governo oligárquico, onde a classe dominante detinha todos os privilégios, surgindo um movimento que se desviou desta linha, a social democracia, que mantendo a utopia de uma sociedade sem classes e igualitária mas acreditando que essa sociedade seria alcançada sem revolução mas por meio de uma evolução democrática.
A Internacional Socialista definiu a social democracia como a forma ideal de democracia representativa que poderá construir uma sociedade de bem estar. E define como princípios a liberdade, não só como a liberdade do individuo, mas inclui na noção de liberdade o direito de não ser discriminado, o direito das minorias, a igualdade e a justiça social não apenas perante a lei mas também em termos económicos e sócio-culturais o que permite a igualdade de oportunidades e finalmente, um terceiro principio, o da solidariedade com as vitimas de injustiça e da desigualdade.
Julgo que toda esta ideologia continua actual, embora discorde que o fim dela seja a sociedade socialista, vista esta como uma sociedade sem classes, igualitária e universalista.
O mundo mudou, hoje a economia de mercado é única resposta para a criação de riqueza, as alterações do poder entre classes, com o proletariado a ser cada vez menos importante, o individualismo versus o colectivismo, onde o individualismo é cada vez mais um valor humanista, por oposição ao socialismo, são tudo noções e conceitos que se alteraram.
Assim como o mundo mudou, as ideias politícas também se alteraram.
A Desigualdade, entendida como uma livre escolha de cada cidadão, com oportunidades iguais é, na minha opinião, a nova utopia.
Assim julgo que os partidos “socialistas” deviam assumir a evolução histórica deixando cair a sociedade socialista. E sejamos claros, já nenhum partido destes defende essa sociedade.
Toda a política destes partidos não é no sentido socializante, mas de alteração do Estado Providência. E em que sentido? Na minha opinião o Estado não pode garantir a a mesma coisa a todos. Apenas deve garantir, e de forma desigual, aqueles que realmente necessitam.
Assim, eu proclamo (passe a imodéstia): o Socialismo morreu.
Mas continuo a pensar que ainda se pode falar em esquerda e direita. A esquerda não socialista “definirei” como a ideia de que o bem colectivo se deve sobrepor aos interesses particulares. Onde a solidariedade seja pedida a todos consoante as suas possibilidades, apesar de a sua distribuição não ser universal. E também a ideia que o mercado e a livre concorrência são um bem em si mesmo, mas não resolvem tudo.
Que dizem?
Saúdinha

ISTO ESTÁ A MEXER PORRA!

O Verão passou a correr! De facto é mesmo verdade que há medida que somos mais velhos mais o tempo passa depressa. É incrível. Agosto foi há um mês e meio.
Dei comigo a pensar que é impossível negar que a agenda política está em grande aceleração. Julgo que nem o Luís Delgado o pode negar.
A reentrée política foi em finais de Agosto e as medidas do Governo desde essa data, estão a fazer mexer o país inteiro.
Na Saúde, depois de fechar maternidades, está em discussão a restruturação da rede de Urgências e vão ser introduzidas taxas moderadoras nos internamentos.
Na Justiça foi celebrado um acordo para a sua reforma, entre o Governo e o PSD.
Na Educação, depois de todas as medidas anteriores, temos a escola a tempo inteiro com o enriquecimento escolar e discute-se o novo estatuto das carreiras docentes.
O protocolo com o MIT e as Universidades, mais os protocolos que vêm aí.
A nova lei de financiamento das autarquias. A nova lei das finanças regionais.
O acordo para a reforma da Segurança Social assinado por todos os parceiros, excepto a CGTP.
A apresentação do Orçamento para 2007, baixando o deficit para 4,7% sem recurso a receitas extraordinárias, diminuindo, pela primeira vez em décadas (!) a despesa pública real. Aumentando o investimento público em Ciência e Tecnologia em 64% (!) e reduzindo a despesa corrente primária (de funcionamento do Estado) em 5%!

Isto está a mexer porra! É inegável.

E em 2007 vai continuar. Independentemente dos méritos destas reformas (que são muitos) e estando por fazer a avaliação dos resultados, tenho a certeza que Portugal não será o mesmo depois desta legislatura. E embora cauteloso estou confiante que vamos sair melhores. E só desejo que Sócrates tenha coragem para prosseguir neste rumo.

Apesar de alguns episódios tristes ( a afirmação do Sec. Estado de que “os culpados são os consumidores” atingiu um recorde mundial!), de alguns equívocos e da forte contestação dos Sindicatos, estou com Sócrates.

E continuo convencido de que há uma feliz coabitação com o Presidente Cavaco. Este promoveu o pacto para a Justiça, estimulou a discussão sobre a reforma da Segurança Social e iniciou um combate à corrupção. Vamos ver se promulga as leis que vêm aí. Acredito que sim. E torna-se tão evidente a diferença que seria com Soares ou Alegre na presidência!...

É, talvez, um paradoxo, que à maior contestação de rua, já vista nos últimos largos anos, correspondam sondagens a continuar a dar a maioria absoluta ao PS.

Sanear as Finanças Públicas
Crescer a Economia
Reformar a Administração Pública
Reformar a Educação
Reformar a Saúde
Reformar a Segurança Social
Reformar a Justiça
Investir em Ciência e Tecnologia

Pode-se discordar das medidas, mas…isto é ir ao osso!

Já me estiquei demasiado. Apenas quero dizer: Isto está a mexer porra!
Saúdinha

A PERGUNTA

«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»

- Sim, concordo!

A vontade soberana da maioria

Os professores estão em luta. Greve de dois dias de protesto contra a revisão da carreira docente. Na escola os alunos perguntam qual a razão da greve, que é explicada com um exemplo; "imaginem que desta sala, de 25 alunos, o Ministério só autoriza que passem de ano, 10! É contra isto que fazemos greve". O dirigente sindical, no horário nobre na televisão explica aos jornalistas o "crime" do governo: " querem poupar na despesa pública à custa dos professores". Em entrevista ao telejornal, o líder da CGTP afirma: "o governo tem de governar para os cidadãos; e esta manifestação de 70 000 pessoas demonstra que o país não está de acordo com o governo".
Acho que as uniões de trabalhadores e o direito à greve é um direito fundamental dos trabalhadores. A má utilização destes direitos fá-los perder a credibilidade. Sobre a revisão da carreira docente as grandes alterações são a implementação, espera-se que séria da avaliação e a criação de 2 categorias: professores e professores titulares. Só se pode ser promovido a professor titular quando houver vagas; perfeitamente normal, ou não? O mesmo se passa em todas as profissões (por exemplo, nem todos podem ser generais, depende também das vagas).
Todos se aperceberam que o País tem um problema grave pois gasta mais do que recebe; temos um compromisso com a União Europeia relativemente a isto; a única forma é aumentar receitas e diminuir despesas; aumentar impostos é mau para o crescimento da economia, sendo assim resta a diminuição da despesa. E a despesa pública é sobretudo custos de pessoal: saúde, educação, forças armadas, tribunais. Assim sendo, qual é o espanto de "cortar despesa à custa dos professores" tal como do restante da Administração Pública?
Nas últimas eleições o PS obteve o voto da maioria dos portugueses para governar. Está a promover reformas necessárias, inadiáveis e que, normalmente põem em causa direitos de várias minorias, que naturalmente protestam. A realidade é que, conforme várias sondagens têm demonstrado, a maioria do eleitorado continua a concordar com estas reformas. Fazer uma manifestação (grandiosa, é verdade) não substitui as eleições, nem deve limitar a actuação do Governo, como parecem acreditar os sindicalistas. Sabemos que há diversas minorias que têm acesso desproporcional (ao seu peso relativo) aos órgãos de informação e correm o risco de acreditar que as suas palavras de ordem e gritos de "abaixo este e morra aquele" representam a vontade soberana da maioria, vulgo a Democracia. Não representam, pelo contrário, defendem interesses privados de minorias contra o interesse geral do País. Assumem ser a classe dirigente que guia o povo.
Valha-nos o "grande centrão", contra estes totalitarismos. Um governo com maioria absoluta apostado em fazer aquilo que todos percebem que é absolutamente necessário, um Presidente que não é força de bloqueio, são estes e não outros, que representam a soberania, a vontade da maioria.

ANMP

Ontem, no Prós e Contras, à pergunta de Fátima Campos sobre se era verdade que o limite de endividamento da Câmara Municipal de Lisboa tinha sido ultrapassado em 300%, Carmona Rodrigues respondeu :
- "Eu estou aqui como vice presidente da ANMP. A questão do endividamento é uma falsa questão..."
Ok. Não digas mais nada. Já percebemos o ponto de vista!...
Saúdinha

Confissoes

Pronto, pronto, é verdade. Por vezes o charme da Esquerda exerce em mim um certo fascínio .... um 'je ne sais quoi'!

OS VALORES DO OCIDENTE


Defendo a liberdade de expressão. Como disse n' A Decisão, a auto censura é um sinal de que estamos a perder a guerra. O que me parece é que, para vencermos esta guerra, cada responsável terá que avaliar as consequências do que deixar publicar.
É verdade que muitos (onde me incluo) ficaram chocados com esta censura, que demonstra o medo a subir na nossa sociedade. Não podemos prescindir das nossas liberdades, dos nossos valores. Evidentemente que se espera que os responsáveis sejam isso mesmo e não permitam provocações baratas disfarçadas de "arte".
Não vamos deixar o terror vencer!
Temos que defender os valores fundadores das nossas Democracias Liberais. E assim como devemos defender a liberdade de expressão também devemos defender os valores fundamentais do cidadão.
E é por isso que me choca não ver ninguém a denunciar a recente lei anti-terrorista aprovada pelo Congresso e Senado dos USA!
Uma lei onde alguém, sem acusação, pode ser preso indefinidamente sem conhecer a acusação, onde é legitimada o recurso à tortura para obter depoimentos... Isto é contra todos os valores das sociedades livres ocidentais, é a negação do Estado de Direito. É a morte das direitos, liberdades e garantias! Eu admito que nesta guerra o individuo fique mais vulnerável, mas caramba...
Quero gritar a minha indignação por esta lei vergonhosa!
Saúdinha

O Bem e o Mal em dez pontos

  1. Acredito que o objectivo das Nações Unidas é estabelecer regras na relação de interesses, harmonizar conflitos e garantir direitos a indivíduos e a Estados. Os ideais do século XX culminaram com a supremacia do Direito Internacional, que pretende substituir a sucessão de guerras que tem sido a História da Humanidade. A discussão entre o direito de Ingerência (mesmo recorrendo à força) das ONU, para salvaguardar os seus objectivos é o cerne da questão.
  2. A invasão do Iraque em 2003, decidido sem o apoio da ONU foi um erro. E o erro foi duplo: por um lado a França (também a Rússia) declarou vetar a intervenção militar, independentemente do Relatório Blix; por outro lado os USA, quiseram convencer o mundo, da presença de armas proibidas e da ligação do regime iraquiano ao terrorismo, quando não tinham necessidade disso, pois bastava a R1441.
  3. Mais grave, a Administração Bush foi responsável por forjar evidências (queimando Colin Powell) na ânsia de actuar contra o Iraque, e percebendo que não obteria o apoio do Conselho de Segurança. Procedimento condenável, e que desencadeou significativa hostilidade, que se tem vindo a agravar, após o péssimo pós-guerra. Nos Estados Unidos o sistema democrático está a funcionar: a opinião pública, os tribunais e os órgãos políticos exigem responsabilidades.
  4. É verdade que associado à invasão do Iraque, estiveram interesses económicos; desde logo o controlo do recurso fundamental (para todos nós), o petróleo, e também a indústria do armamento lucrou com a invasão. Embora estes factores estivessem presentes na decisão, estou convencido que foram secundários, face à vontade firme de derrubar o regime de Saddam, que, sem sombra de dúvida, tornava o seu Estado “persona non-grata” na Comunidade Internacional nos últimos 10 anos.
  5. Comungo do ideal da “exportação” da Democracia tornando soberana a vontade da maioria (p.e. Timor) e gostava de ver a ONU a assumir a defesa dos Direitos Humanos, mesmo se para isso tenham que recorrer à força, obrigando Estados “criminosos” a responder perante o Direito Internacional. É notório que há diversos países nestas condições (p.e. Coreia do Norte); e outros há, que são protegidos pela potência dominante, por exemplo Arábia Saudita ou Paquistão.
  6. O que não aceito é a argumentação que impede qualquer acção contra um Estado "fora-dalei" porque não se actua em todos. A Comunidade Internacional tem dado sinais, que a tolerância para os países que não respeitam a Liberdade, os Direitos Humanos, os Valores Fundamentais se vai esgotando. Neste sentido, quem continua a representar a minha visão e ideologia, continua a ser o Ocidente, os Estados Unidos, e a Europa múltipla. China e Rússia defendem sobretudo os seus interesses e não têm grandes preocupações acerca destes valores.
  7. O que se passa actualmente no Iraque, com ataques terroristas diários, milhares de mortos, assassinados por motivos de diferenças religiosas, dentro do Islamismo, tal como as guerrilhas mortíferas entre Fatah e Hamas, em Gaza e Cisjordânia, ou a crise das caricaturas, a reacção ao discurso do Papa, etc, etc, não são causadas pela guerra do Iraque ou pela invasão do Líbano por Israel, embora sejam pretextos usados por lideranças populistas e extremistas muçulmanas. O mesmo se passou na Cristandade há 400 anos!
  8. A Guerra das Civilizações declarada ostensivamente em 11 Setembro de 2001 por radicais islâmicos, só será de facto uma guerra de Civilizações se a maioria dos povos muçulmanos assim o quiser. Da parte atacada, o Ocidente, não é assim encarada. Já foi dito diversas vezes, que usar o factor religioso é uma forma de enganar e manipular as deprimidas massas islâmicas, “prometendo” os tempos áureos do Califado, em troca da destruição (moral, religiosa, física) do grande culpado: o Ocidente.
  9. A separação daquilo que é do foro individual e espiritual daquilo que são as regras do viver em sociedade é um pré-requisito: a Igreja e o Estado têm esferas de acção independentes. Depende sobretudo dos muçulmanos: haverá convicção e força enraizada o suficiente no mundo islâmico para aceitar sobrepor a Razão à Crença?
  10. O apelo vai para a Turquia, em que a Europa pode assumir um papel essencial (e favorável aos nossos interesses a prazo), para o Egipto, e, naturalmente para os iraquianos. Digo, com toda a convicção, humildade e honestidade intelectual, que a luta ideológica continua a ser entre o Bem e o Mal, entre a Razão e o Obscurantismo, e não entre muçulmanos e ocidentais.

Bush, o Filósofo.

A muito anuncida entrada de P.Arroja na blogosfera afinal nao vem envolvida em disparates mas sim com uma interessante análise.

Para quem ainda nao teve oportunidade vale a pena passar pelo Blasfémias para ler.

Um Longo Post Para Um Tema Importante

(i) Depois dos debates que aqui se tem desenvolvido parece-me agora claro que a generalidade dos autores e comentadores que por aqui pululam partilha a mesma espinha dorsal ideológica: andarão todos na área abrangente do liberalismo social, socialismo liberal, Terceira Via…. Por vezes uns descaem mais para o colectivismo socialista outras vezes outros derivam mais para o individualismo liberal mas no fundo, no fundo andam todos a dizer a mesma coisa

(ii) Aliás este facto não é mais do que o reflexo do que se passa ao nível mais abrangente da política nacional, e dos restantes países Europeus, onde hoje a margem para a discussão não é assim muita e detêm-se essencialmente ao nível dos pormenores. Não quero eu com isto dizer que a discussão ideológica deva acabar. Longe disso, e penso mesmo que a discussão nuclear sobre a dicotomia colectivismo/individualismo continua actual e merece ser debatida.

(iii) Mas devo admitir que hoje é mais difícil encontrar causas na discussão sobre a condução da política actual. Causas daquelas mesmo verdadeiras, daquelas que são tão causas que um gajo até lança perdigotos a defende-las, daquelas em que apetece ofender quem não concorda connosco e que até, no acalorado da discussão, por vezes nos fazem perder o sentido da razão. Causas daquelas pelas quais somos capazes de ficar a discutir pela noite fora ao mesmo tempo que se deita abaixo uma garrafa de whisky.

(iv) Uma das discussões em que cada vez mais me sinto impelido a participar é o futuro da Europa. Há de facto hoje uma discussão acalorada sobre qual é melhor caminho que a Europa deverá seguir para enfrentar os enormes desafios que se delineiam no nosso horizonte: sejam eles a globalização e o advento das novas potencias, o terrorismo e o crime organizado, o ambiente, os fluxos migratórios internos e externos ou o papel que os cidadãos querem ter na definição e condução das suas próprias vidas. Todas estas são temáticas que podem alterar radicalmente o nosso dia-a-dia e a nossa própria civilização, isto é, são temas que vão influenciar a forma do mundo que nós vamos deixar aos nossos filhos.

(v) A margem que separa os dois pólos principais desta discussão é grande: enquanto uns defendem que a União Europeia se deve limitar a uma confederação de estados que actua somente quando houver uma convergência absoluta dos interesses dos seus membros, outros acham que os estados membros se deverão unir numa federação em que um governo supra-nacional assuma a condução das politicas que tenham um abrangência mais global (onde é que eu já vi isto…?). Enquanto os primeiros apresentam como argumento principal a recusa da constituição europeia pelos Franceses e Holandeses, extrapolando o argumento para concluir que existe uma vontade generalizada do cidadão Europeu de ter menos Europa e que a criação de hiper-potencias orwelianas é uma ameaça à segurança mundial, os segundos acreditam que só uma Europa forte e unida pode fazer face a desafios tais como os que já mencionei.

(vi) Devo dizer que estou de alma e coração do lado federal. A minha opinião sobre este tema tem sido muito influenciada pelos discursos e escritos do Primeiro-Ministro Belga, Guy Verhofstadt, que é um acérrimo defensor dos Estado Unidos da Europa. Na sua visão, com a qual eu concordo na generalidade, é fundamental criar uma nova Europa baseada em seis pólos essenciais:

1. Diminuir a burocracia e a intervenção de Bruxelas nas políticas individuais de cada pais. Isto significa essencialmente reforçar o princípio da subsidiariedade. Simultaneamente o governo central deverá definir margens mínimas e máximas que devem ser adoptadas como critérios de convergência em áreas como idades de reforma, nível dos impostos e taxas, flexibilidade do mercado de trabalho, ….
2. O financiamento da EU não pode continuar a depender das contribui coes dos estados membros. Este financiamento deve passar a ser garantido através de um sistema de impostos e taxas indirectas.
3. A União Europeia deve reforçar substancialmente a percentagem do seu produto que é investida em Investigação e Desenvolvimento. Ao mesmo tempo deve criar a legislação e os apoios necessários para a criação de verdadeiras redes de informação trans-europeias.
4. É essencial criar um espaço único de justiça e segurança. Aqui está incluída uma política comum de imigração, uma melhor articulação dos sistemas judiciais nacionais e o reforço da Europol.
5. A Europa deve ter capacidade militar própria. Deve ser impulsionada a criação do exército conjunto.
6. É fundamental criar uma política externa comum e falar a uma só voz. Isto significa um verdadeiro Ministro dos Negócios Estrangeiros e uma forca diplomática comum. Significa também uma presença única da UE no Conselho de Segurança.

(vii) Já foi referida em muitas discussões que uma das principais causas da actual crise politica Europeia é a falta de vontade dos cidadãos em participar na vida politica. Concordo. E decidi aumentar o grau da minha participação e intervenção politica. Como disse no principio deste post considero muito importante a discussão sobre o futuro da Europa. Assim procurei uma forma de participar neste debate. Infelizmente as forcas partidárias nacionais não têm uma política Europeia bem definida e são dúbios em relação a grande parte dos temas principais que já referi. Foi pois fora de portas que procurei formas de poder ser mais participativo. Encontrei o conceito de partido pan-europeu ou trans-nacional. São partidos que não debatem políticas nacionais e que tem na construção da Europa a sua principal preocupação. Nem mais, era mesmo isto que eu queria. Fiz-me membro. O movimento chama-se Newropeans e tem presença na Internet. Os princípios que defende para a construção Europeia estão muito próximos daqueles em que acredito e o seu sistema de funcionamento está muito próximo da democracia directa que eu sempre defendi.

(viii) Convido-vos a visitar o seu site e também a postarem aqui as vossas opiniões sobre o tema do futuro da Europa.

Cisma do Ocidente

Imaginemos um Planeta com diversos países que sempre se guerrearam. Após violentas batalhas durante séculos, conseguiram chegar a um consenso para regularem e arbitrarem os diversos interesses: formaram a União de Países (U.P.), onde todos podiam participar (embora com poderes proporcionais) desde que respeitassem as suas próprias leis. Havendo um País mal comportado é missão da U.P., utilizando os meios legitimos, obrigá-lo a cumprir as leis que todos se comprometeram a respeitar. Supondo que todos os meios são usados sucessivamente, prazos ultrapassados, e esse país continua a não cumprir, abusando da confiança da comunidade planetária. Os próprios habitantes do país sofrem há décadas com o despotismo do regime deste país fora-da-lei. Tendo como objectivo principal a Paz entre os países, e a legitimidade e autoridade conferida pelas leis aceites por todos, a União se não quer perder força, chega ao ultimato a esse país: ou entra no bom caminho ou está sujeita, à força, a cumprir o exigido. Não se quer destruir o país, antes pelo contrário, libertá-lo para que seja integrado em pleno na comunidade das Nações. Os países mais poderosos e responsáveis, e também outros com afinidades culturais com o "acusado" concordam com este ultimato. São definidos passos concretos que o regime em falta terá que cumprir obrigatoriamente, e num prazo estabelecido a União decidirá. O regime fora da lei cumpriu aquilo que se exigia? Se sim, a União deve abster-se de qualquer medida agressiva, mas no caso contrário, deve proceder-se àquilo que estava implicito na decisão tomada anteriormente.

O cerne da questão, que representa hoje um Cisma do Ocidente é a interpretação: para uns o Iraque de Saddam cumpriu, ou pelo menos devia ter sido dado mais tempo à Comissão Blix, para outros, as respostas à Resolução 1441 foram negativas, e as "sérias consequências" foram correctamente tomadas. O livro de Fernando Gil, "Impasses" aborda esta questão de uma forma séria, e lembrei-me desta seriedade filosófica quando li o artigo de Miguel Sousa Tavares criticando Aznar. Que diferença entre o jornalismo, para ser consumido "em fim-de-semana" e um livro que se baseia apenas na Razão, exigindo rigor, capacidade de argumentar e reflectir claramente, numa palavra, utilizando o pensamento lógico da Filosofia. E isto é o legado deixado aos Ocidentais por gregos e romanos.

Mesmo se não concordarmos com o desfecho da invasão do Iraque, (devido a, como se provou, e já se sabia, aparentemente, o Iraque não ter Armas de Destruição, e mentiras foram ditas) , isso não impede de o caminho da ONU, o Direito Internacional, só poder ser eficaz se houver poder e vontade, mesmo quando se ponha a necessidade do uso da força. Ou não será assim?

A DECISÃO


Na Ópera de Berlim foi cancelado o “Idomeneo” de Mozart. A razão foi o risco de haver reacções islâmicas a uma cena onde apareciam as cabeças cortadas em cima de cadeiras de Buda, Cristo, Maomé e Poseidon. O libreto original tem a ver com uma promessa que o rei de Creta fez a Poseidon, um sacrifício que depois não quis cumprir pois tratava-se do seu filho, Idamante.
Esta censura a uma expressão de arte é consequência do medo que os fundamentalistas incutiram nas sociedades ocidentais e é a prova de que estamos a perder a guerra. Quanto mais medo tivermos, mais Bin Laden e a sua seita continuarão a limitar-nos nas nossas liberdades. É o caminho para a derrota da nossa civilização.
O que fazer?
Eu penso que assim como Bin Laden ganha com a auto censura das sociedades ocidentais, também ganha muito quando há tumultos, manifestações, mortes, queima de bandeiras e bonecos enfim todas aquelas reacções bárbaras que conhecemos. Com isso ganha poder, visibilidade, cada vez mais adeptos, candidatos a futuros suicidas…As massas muçulmanas, manipuladas, veêm-no como um grande herói.
De facto, a estratégia para combater esta guerra não é fácil.
O que eu acredito é que se deve lutar com toda a força pelas nossas liberdades, nas alturas em que é isso que está em causa, e fazermos uma auto censura quando a questão possa tornar-se contraproducente para o nosso lado. Aliás julgo que todos já interiorizámos que vivemos num mundo mais perigoso, mais securitário e que estamos dispostos a abdicar de algumas liberdades em troca da paz.
Cada responsável, cada líder tem que ter a noção do que se passa hoje no mundo e decidir de acordo com o que melhor defender os nossos objectivos que são acima de tudo, preservar a nossa Vida, a Paz, a Liberdade e a Democracia.
Digo mesmo que é tudo uma questão de limites. Estou convencido de que qualquer responsável editorial nunca publicaria, por exemplo uma figura onde Cristo sodomizasse Maomé. É uma questão de escala. E tocar no Maomé, hoje, só alimenta a estúpida ideia que os fundamentalistas tentam passar, de que se está a atacar o Islão.
E em tese, todos aceitamos que é possível que alguém do lado de cá, queira, deliberadamente, provocar estes gajos. Talvez pela mediatização, pela fama, sei lá. E se quisermos ser mais maquiavélicos até podemos imaginar terroristas, moradores no países ocidentais, a trabalhar para Bin Laden para provocar os muçulmanos.
A minha conclusão é esta: só ganharemos esta guerra quando o Islão souber separar o Estado da Religião, passarem a Estados Laicos, quando o próprio povo perceber que há outras formas de vida e que a Fé tem que incorporar a Razão. Até lá, não podemos, mesmo que inadvertidamente, uni-los numa suposta Jihad.
Neste caso concreto não sei se foi a melhor decisão, não se concebe como este espectáculo possa ofender os muçulmanos, mas como já se disse, com eles, se não for do cu é das calças. É uma decisão difícil, mas é um exemplo de decisões que qualquer responsável terá que ter, se casos análogos se lhe colocarem.
Parece que a ópera vai ser reposta e até será assistida por líderes muçulmanos.
Seria um bom sinal.
Depois da Terceira Via, da Lição do Papa e deste, espero ter sido entendido quanto à minha visão da estratégia desta guerra. Não há compreensão pelos fundamentalistas islâmicos nem um anti americanismo, há simplesmente a minha ideia de como podemos ganhar esta guerra pela nossa Civilização.
Saúdinha

EL DIABLO

Hugo Chávez ao subir à tribuna na Assembleia das Nações Unidas em Nova Iorque chamou Diabo a George W. Bush tapando o nariz pois cheirava-lhe a enxofre…
Este homem, militar de carreira, que tentou um golpe para chegar ao poder em 1992 foi preso e depois amnistiado, ganha as eleições em 1998 com o seu Movimiento V Republica e logo dissolve a Assembleia para eleger uma nova Assembleia Constituinte.
Alterou o nome do país para República Bolivariana da Venezuela, nacionalizou a indústria petrolífera, governou por decreto, sofreu contestação de todos os sectores do país, em 2002 e acabou por sofrer um golpe que o fez ir parar à prisão. Num contra golpe voltou à presidência e num referendo voltou a ganhar. Prepara-se para alterar a constituição para se eternizar no poder. Ao mesmo tempo prepara um exército com 2 milhões de homens com armas compradas aos russos . E vai fazendo os suas alianças, com Coreia do Norte, com o Irão e o seu grande companheiro, Fidel.
Tenta evangelizar toda a América do Sul para as suas teorias, assentes no conflito Norte-Sul através de uma canal de televisão.
Este ditadorzeco, com o poder que lhe advém de ser um dos maiores produtores petrolíferos, tornou-se um foco de instabilidade para o mundo.
E foram muitos como este, convencidos de que eram o Sol na Terra, que causaram muito sofrimento nos seus povos.
Se Bush é o Diabo, que poderemos dizer de Chavéz? Nos Estados Unidos, apesar de podermos não concordar com as suas políticas, sabemos que ali, a Liberdade, a Democracia, o Direito são valores intocáveis.
As Democracias Ocidentais têm que defender-se contra este tipo de ameaças. Como é que se admite esta falta de respeito por um outro membro das Nações Unidas?
E a total indelicadeza que foi de colocar cartazes com Sócrates ao lado… Este gajo é perigoso!
É contra todo o tipo de totalitarismos que eu sou. E não reconheço como Esquerda.
Saúdinha

Guerra? Não depende de nós.

Falar em Guerra de Religiões só interessa de facto aos amigos do Osama Bin Laden. Não é racional. Só os irracionais a pretendem. Foi isto dito por Bento XVI. Concordo, e gostaria de pensar que os muçulmanos também concordam. Terá o Papa sido imprudente? Talvez, mas este é o caso que se não fosse do cu era das calças. É verdade que não se deve aumentar o ressentimento. Não depende de nós, ocidentais e cristãos. O ressentimento alimenta-se a ele próprio, e pouco podemos fazer contra isso.
A questão fundamental é que a tradição de liberdade individual, da expressão do pensamento, da demanda diversa do pensar e reflectir com o agir consequente, que vem dos gregos e romanos, foi legado, mesmo na Idade das Trevas (500 a 1000 dc) aos povos europeus que, como se lê no discurso. O nosso limite é a Razão.
Os muçulmanos sentem ressentimento. Porquê? Foram a civilização dominante e com os Abácidas, e depois com os Otomanos atingiram um apogeu que é hoje visto com saudosismo. O Califado é de cerca de 680dc a 1200dc. A responsabilidade é, mesmo inconscientemente, atribuída aos ocidentais, e hoje o ódio aos americanos em particular é profundo.
A sensibilidadade com que o Ocidente trata com estas questões é ambígua. Guerra do Iraque a inquinar e a desmoralizar aquilo que foi pensado ser a libertação dos iraquianos, reféns de um regime que punha a ridículo a comunidade internacional e pior, o seu próprio povo. Democratizar e responsabilizar os seus habitantes foi o valor pelo qual os soldados invasores se bateram.
O que correu mal? Para além daquilo que é sempre mau em qualquer guerra, é que o inimigo é completamente diferente: indivíduos cujo objectivo de vida, de todos os dias é, quanto pior, melhor. Insidiosamente, de modo ignóbil, a apelaram ao sentido religioso, esta guerra é, deve ser, de todos contra o Terror. Principalmente dos muçulmanos. Depende deles, fundamentalmente, não de nós. E isso é assustador.

Um caminho irreversivel?

As criticas à publicacao dos cartoons vindas de algumas das mais proeminentes figuras da intelectualidade Ocidental deram uma indicacao do quanto nós estamos dispostos a aceitar em favor da proclamada tolerancia pelas convicoes do Islao; as muitas criticas feitas ao discurso do Papa e a falta de apoio por parte da grande maioria da populacao Ocidental (inclusive dos seus lideres) bem como os apelos à contencao e ao sentido de responsabilidade, abriram a porta para coisas como esta

Mal de nós!

Opcoes e Opinioes

Dois momentos no Prós e Contras de ontem:

Aznar acusa os governos Ocidentais de não terem manifestado nenhum apoio ao Papa por terem medo de represálias. Depois continua dizendo que o medo já consegue calar muitos escritores, artistas e um grande número de pessoas que já não ousam manifestar a sua verdadeira opinião quando esta envolve assuntos relacionados com religião ou o Islão. Depois termina dizendo que ele não tem medo! Sigamos o seu exemplo e talvez consigamos ultrapassar os dias difíceis que se advinham; sigamos o exemplo dos nossos actuais governantes e provavelmente estamos a por em causa a nossa própria civilização….

Hernâni Lopes sistematiza uma das coisas em que mais acredito: se Portugal quer ter uma identidade própria num mundo cada vez mais globalizado tem de definir esta identidade à volta do mar.
Isto significa definir uma estratégia que incentive e motive os investimentos à volta deste tema: portos, transportes marítimos, construção e reparação naval, pescas, piscicultura, energias, oceanografia, biologia marítima, desportos náuticos, turismo náutico/fluvial, investigar/divulgar a nossa história marítima, desenvolver as relações intra-atlanticas são só exemplos de um miríade de desenvolvimentos que se podem fazer em torno do mar. Atrás desta primeira linha desenvolva-se uma segunda linha de apoio: infra-estruturas, indústrias de componentes, serviços, educação nas áreas relacionadas… E depois uma terceira linha a ligar tudo isto ao resto do mundo, essencialmente através de relações estreitas, realistas e descomplexadas com a Espanha. Estou convencido que não seria necessário um grande esforço para conseguir uma convergência da generalidade da população em torno deste pólo. O sentimento de proximidade que cada Português sente pelo mar é uma realidade, e uma realidade que se poderia e deveria explorar. Afinal não é o sal do mar já em grande parte devido aos esforços dos nossos antepassados?

Um terceiro momento: Fátima tenta que Aznar fale sobre detalhes de dossiers que foram negociados com Portugal quando ele era chefe do governo. Ele responde que a sua função era definir politicas deixando implícito que os detalhes dos dossiers eram responsabilidade dos ministros. Esta coisa de que o Primeiro-Ministro tem que ter na ponta da língua os resultados da produção de aves capoeiras em percentagem do PIB é muito nosso!

A LIÇÃO DO PAPA


Já muito se falou sobre a conferência de Bento XVI. Correndo o risco de ser enfadonho, gostava de incluir um aspecto que me parece não ter sido realçado. E que está encadeado na discussão anterior sobre “estratégia”.
O Papa dissertou num meio académico numa audiência de teólogos, filósofos e outros universários. Numa academia do Saber. O que é que ele disse, basicamente?
(aproveito para informar que não sou competente para, sequer compreender em toda a sua amplitude a conferência do Papa)
- Os Homens são seres racionais, são seres de Razão, e portanto podem, e devem entenderem-se, a despeito da diferença de culturas e de religiões.
A Dignidade do Homem, a distinção entre o Bem e o Mal, não é mais do que viver segundo essa natureza racional. E esta natureza não é exclusiva do Catolicismo.
O Catolicismo é o herdeiro da cultura grego-romana e não há Fé sem Razão.
Este conflito contra o Ocidente é uma reacção dos que entendem ainda as religiões como sendo anteriores ao pensamento científico. Isto é, a religião afastada da Razão.
“Não agir com o logos é contrário à natureza de Deus”.
Ao fazer uma citação mencionou o Profeta Maomé…
Apesar de, como já disse, não alcançar este nível de discussão (o que vale é que há muitos que também o não compreendem) parece-me uma conferência fantástica. Concordo com ele.
As reacções irracionais - a dar razão ao Papa-, indignação dos ulemas, o vandalismo, chegou a haver mortes – 1 freira na Somália – causou um despertar amargo ao Bispo de Roma.
Estou profundamente convicto que Bento XVI nunca imaginou este tipo de reacções violentas. Mas devia saber o que ía acontecer, dizem uns, outros afirmam que sabia muito bem o que estava a fazer. Há quem entenda que é o inicio de Novas Cruzadas!...
Acho tudo um disparate. O que eu acho é que o Papa cometeu uma imprudência, foi pouco prudente. Só. Mais nada. Toda a sua lição pretendia unir os povos, integrando mais razão na Humanidade. Mas o Papa é também um político.
E um Papa fala com voz muito grossa. É a voz da Cristandade!
E esse é o grande pecado de Bento XVI! O facto de ter citado Maomé, a mandar espalhar a fé pela espada.
Como tenho dito o combate ao terrorismo não pode, por um lado aumentar o ressentimento das massas muçulmanas – que são manipuladas muito facilmente – e por outro deixar resvalar para a guerra das religiões.
Neste caso, infelizmente, além de não ajudar no primeiro ponto, a referência ao Profeta, fez com que o debate passasse por dois intervenientes: o Cristianismo e o Islão. E isso incrementa o perigo de ao falar em Cristianismo versus Islão, se comece a acreditar na guerra de Religiões. Quem atacou em 11 de Setembro não foi o Islão e quem foi atacado não foi o Cristianismo. Uma seita fundamentalista islâmica atacou o Ocidente. E a verdade é que cada vez o Ocidente está mais fraco, em relação a essa seita. E falar nas religiões é o que Bin Laden quer. Que ninguém tenha dúvidas.
E a crença, a Fé é imbatível. Não vamos por aí. Eu lutarei pela liberdade de pensamento, não lutarei por Cristo. Isto não tem a ver com a Fé!
Um muçulmano, não religioso (que os há) não gosta que confundam a sua religião com terrorismo.
Posto isto, pode-se condenar o Papa? Só Deus tem essa prerrogativa. E não é o Papa infalível?...
Não me interessam culpas, o que me interessa é vencer essa barbárie! E sei que não podemos ir pelo caminho da auto-censura. Mas...Não estamos em guerra? O Papa tem que ser um diplomata. João Paulo II foi ecuménico e humanista. Não acredito que Bento XVI queira alterar este rumo.
E desejo, ardentemente, que o Papa dê uma grande Lição na sua visita à Turquia.
Saudinha.

MEMÓRIAS - FAME

Série de culto, onde sonhámos ser grandes artistas.
Saúdinha

Velhas actualidades e generalidades

Por cá a “feliz coincidência” Cavaco-presidente, Sócrates-governo e Mendes-oposição tem dado alguns passos no bom sentido com saliência para o acordo da Justiça; o fundamental é perceber que há sectores que devem ser para além da Legislatura, independente do partido no poder. Na nossa Democracia, em que há (como é normal) uma matriz comum das grandes linhas políticas, a desejável alternância não pode pôr em causa sectores como a Justiça. Também a Segurança Social podia ser objecto de um acordo, mas o PS não aceita, o que diz ser a privatização; parece-me haver aqui uma luta ideológica que não é lógica. O PCP propõe que as grandes empresas descontem para a Segurança Social de forma proporcional aos lucros. De facto o financiamento da Segurança Social deve ser discutido, mas não podemos afugentar as empresas, responsáveis pela economia e, portanto pelo emprego. Na Educação medidas concretas no sentido correcto: docentes com 3 anos na mesma escola, e escolas a abrirem a tempo e horas; propostas muito interessantes do PSD, querendo dar a cada escola a responsabilidade e a possibilidade de concorrência saudável: directores e alunos / pais a escolherem as melhores escolas; boas ideias e perspectivas.
No Courrier interessante definição para Esquerda: regime de impostos altos para manter um Estado generoso. Na minha opinião falar em Esquerda-Direita hoje não faz muito sentido, como já aqui escrevi.

Lá fora crises e oportunidades. Afeganistão e Iraque, pecados apontados aos americanos e Ocidentais, não correm da forma idealizada, com a pacificação, democratização e desenvolvimento económico destas regiões. Recrudescimento dos talibãs, com o Paquistão em equilíbrio instável, no Iraque, inexplicável sucessão de atentados sobretudo entre xiitas e sunitas com os curdos na expectativa. Israel reage desproporcionalmente ao rapto de soldados e ataca o Líbano para “aniquilar” o Hezzbollah. Irão e Síria penalizados pela resolução da ONU que obriga o desarmamento e tropas fundamentalmente europeias têm papel critico e fundamental. Paralelamente, e após 1 ano da retirada unilateral de Gaza e a eleição do Hamas, alto dirigente palestiniano coloca o dedo na ferida, “Gaza é terra a ferro e fogo, de senhores da guerra e nada se fez para construir um país”; Abbas propõe Governo de unidade nacional, e (Hamas e OLP) e pede apoio a Bush, que juntamente com a União Europeia, Rússia exige que o Hamas reconheça Israel e aceite os acordos realizados no passado. Entretanto, um pouco à semelhança do que foi o processo na ONU contra o Iraque, o Conselho de Segurança exige ao Irão que interrompa os seus esforços com a energia nuclear; particularmente a União Europeia (França e Alemanha) continuam negociações impasse após impasse. Ninguém pode saber se chegaremos a algo parecido com um acordo, mas a comunidade internacional não parece disposta a permitir a ameaça da arma nuclear iraniana. 5º aniversário do 11/9, com vários debates, potenciados pela reacção, mais uma vez revelando o pior do obscurantismo, de radicais muçulmanos e não só, a um discurso do Papa que, no essencial, apelava à Razão, não se usando o nome de Deus para justificar violência. Também na Europa criticas ao Papa, pois “pôs achas na fogueira”(aqui). A luta entre a Razão e o Obscurantismo continua. Trágico são os emigrantes que arriscam tudo para chegar à Europa, e o genocídio que continua em Darfur, no Sudão, com o governo a não permitir capacetes azuis! Cómico o discurso de Chavez na Assembleia da ONU. E assim vai o mundo.

MEMÓRIAS - AD

Em 1979 não tinha ainda idade para votar, mas a AD foi uma lufada de ar fresco. Lembro-me da Alameda, cheínha, em festa.
Apesar de estar convencido que não foi um bom governo para o país, - Sá Carneiro morreu passado um ano-, alterou todo o espiríto da nossa Democracia.
Saúdinha

A TERCEIRA VIA

A propósito da comemoração do quinto aniversário do 11/09 tem havido várias discussões sobre esta guerra contra o terrorismo.
Julgo que tenho uma divergência de opinião com os co-bloggers daqui e do RdM que parte da minha convicção de que não há só duas partes neste conflito. Na minha opinião existe o fundamentalismo muçulmano que quer destruir o modo de vida ocidental, e o resto do mundo que está aterrorizado, não sabendo como pode derrotar este inimigo. A estratégia nesta guerra é conduzida pelos USA, mas, ao contrário dos meus amigos, recuso-me a aceitar que não há outras formas de combater este inimigo.
Encontrei um artigo de Fernando Madrinha no editorial do Courrier Internacional que espelha exactamente o que penso, e resolvi copiá-lo :

“ UMA GUERRA PERDIDA
Cinco anos e duas guerras depois – ou três, se contarmos também a do Líbano que, apesar das suas especifidades, pode inscrever-se de forma indirecta no grande conflito global desencadeado pelo 11 de Setembro – o mundo não está mais seguro, como ainda agora de viu em Londres. E a Al-Qaeda, ou aquilo que ela representa em termos de antagonismo ao Ocidente, com fundamento ou mero pretexto religioso e civilizacional, estará mais fraca? Pode ter sido pontualmente debilitada na sua operacionalidade. Mas ninguém tem dúvidas de que o fanatismo e o ódio ao Ocidente de que se ela alimenta e que são as suas armas essenciais, cresceram exponencialmente. Daí que a guerra declarada por George W. Bush, após o 11 de Setembro, seja uma guerra perdida.
As invasões do Afeganistão e do Iraque falharam os objectivos centrais anunciados: destruir a Al-Qaeda e prender Bin Laden, no caso afegão, eliminar as armas de destruição maciça que supostamente estariam nas mãos de Saddam Hussein – mas que, afinal não existiam - , no caso do Iraque. Pior ainda: essas invasões, longe de terem isolado a Al-Qaeda e as inúmeras organizações radicais islâmicas que pululam por esse mundo, o que fizeram foi fortalecê-las com um exército de novos simpatizantes e candidatos a terroristas.
Se bem que os USA não tenham voltado a sofrer atentados e apesar de a Europa, com excepção da Turquia, ter sido alvo de apenas dois – Madrid e Londres – ao longo destes cinco anos explodiram inúmeras bombas em todo o mundo, accionadas por indivíduos e grupos terroristas com algum tipo de relação com a “base” de Bin Laden. Isto sem contar com o Afeganistão, onde tudo indica que os talibãs voltam a dar sérias preocupações aos militares da NATO. E muito menos com o Iraque, onde a Al-Qaeda mata todos os dias, num desafio aberto e permanente às forças armadas e de segurança, tanto as estrangeiras como as nacionais. Não sabemos quantos ataques foram evitados. Mas é bem possível que tenham sido bastantes mais do que aqueles de que chegou a haver notícia e conhecimento público.
O terrorismo mantém-se, portanto, activíssimo. Mas, pior do que não ganhar uma guerra no campo de batalha é perdê-la na retaguarda. E é isso que tem vindo a acontecer desde a invasão do Iraque, quando se tornou claro que George W. Bush e Tony Blair mentiram sobre o fundamento dessa invasão: as armas de destruição maciça que estariam nas mãos de Saddam Hussein. Daí em diante – ao Iraque transformado num pântano de sangue juntam-se casos como os de Abu Grahib, de Guantánamo e dos voos da CIA, com as suas suspeitas de tortura – a autoridade moral de Washington para fazer uma guerra em nome dos grandes princípios do Ocidente não cessou de diminuir. Assumir os erros cometidos tem de ser o primeiro passo para uma mudança de estratégia. Mas isso, muito provavelmente, não vai acontecer antes de Bush sair da Casa Branca.”

Para ilustrar recordo a carta que Colin Powell escreveu ao Congresso avisando da perda da autoridade moral dos USA!
Acredito numa terceira via para ganhar esta guerra contra estes ignorantes medievais que, sob o nome de Deus, querem tirar-nos a liberdade, impedir o nosso modo de vida, e matam inocentes sem qualquer sensibilidade. Mas nesta estratégia, vamos, passo a passo, para um final muito triste.
Saúdinha

Conversas Em Trabalho

Conversa com H. (H é muçulmano)

H – Agora vem ai o Ramadão e lá vou eu ter de passar fome.
Eu – Atao mas se tu não és muito religioso porque raio vais fazer o Ramadão?
H – Olha, tu também não és um Católico dos quatro costados e também festejas o Natal!
Eu - …

Eu – Atao mas afinal qual é o objectivo do Ramadão?
H – É passares fome durante um mês para poderes sentir aquilo que sentem os que passam fome durante o ano inteiro.
Eu - …

Eu – Essas cenas da religião só servem para criar conflitos entre as pessoas.
H – Não necessariamente. Na Tunísia os meus pais têm vizinhos judeus e aos sábados, quando eles não podem acender o lume, é a minha mãe que cozinha para eles. Até serve para confraternizarem.
Eu - …

As Escolhas do Harpic

11 de Setembro de 2001: Uma série de ataques terroristas realizados com aviões de passageiros destroem as torres do World Trade Center de Nova Iorque e danificam o edifício Pentágono em Washington, fazendo cerca de 2.000 mortos.

Já lhe chamaram principio, meio e fim de muita coisa. Para mim é essencialmente o episódio que confirma que existe uma guerra entre nós e eles. Uma guerra diferente daquelas a que estávamos habituados, mas não deixa por isso de ser essencialmente uma guerra.

12 de Setembro de 1297: Assinatura do Tratado de Alcanizes, entre os reis D. Diniz de Portugal e Fernando IV de Castela. Os limites geográficos de Portugal são fixados definitivamente. Das povoações incluídas naquele tratado Portugal só não detêm actualmente São Félix de Galegos, perdida em 1640, e Olivença, perdida em 1801.

Tá bem tá, se fosse só São Félix de Galegos e Olivença…..

13 de Setembro de 1941: O exército italiano invade o Egipto, ocupado por forças britânicas, começando a sua ofensiva no Norte de África.

O importante é conquistar Tunis antes da 9 jogada!

14 de Setembro de 1960: A OPEC (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) foi criada em Bagdad.

A dependência do petróleo é um dos factores que mais influencia o actual panorama político, social e económico mundial. A próxima grande revolução (depois da agrícola e da industrial) vai ocorrer quando se começar seriamente a utilizar novas fontes energéticas.

15 de Setembro de 1765: Nascimento do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), em Setúbal.

Sem nenhum respeito por todos esses Pinas que, assumidos ou não, andem aí, aqui fica a minha homenagem a este artista que, além de grande fodilhão, foi um grande defensor da Liberdade. E que falta fazem agora gajos como este…..

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,

Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.

16 de Setembro de 1620: 102 colonos ingleses partem no navio Mayflower para a América. Chegarão em 21 de Novembro a Provincetown, no Massachusetts, e desembarcarão em 26 de Dezembro em Plymouth.

No fundo, no fundo são estes 102 malandros que são os culpados desta merda toda!

17 de Setembro de 1480: Estabelecimento do Tribunal da Inquisição em Espanha, a pedido dos Reis Católicos.

Telhados de vidro ….?

REGRESSÃO CIVILIZACIONAL


Há cinco anos iniciou-se um novo ciclo histórico. Ainda é muito cedo para fazer uma análise histórica das alterações na civilização humana provocadas pelos atentados de 11 de Setembro, mas julgo que é indiscutível que se iniciou um novo tempo histórico.
No 1º ano do 3º milénio, e ao contrário dos últimos marcos históricos que alteraram a História, sempre no sentido positivo, este fez regredir a civilização humana.
Já se falou muito dos choques de civilizações, da guerra das religiões, da intolerância, do obscurantismo e por outro lado, da luta pela posse das reservas energéticas, de vários pesos e várias medidas, de invasões em países soberanos com pretextos vários, mas não é esse o tema deste post.
Cada vez acredito menos na possibilidade da Paz. Vejo que os fundamentalistas islâmicos não pretendem nada, não querem negociações, apenas querem substituir uma sociedade livre, rica e pacífica por uma sociedade fechada, obscura e miserável. Contra isto há muito pouco a fazer. Talvez fosse possível evitar o aparecimento destes fanáticos, tirando-lhe o apoio que têm das massas muçulmanas.
É minha convicção que tal como em vários períodos na História, em 11 de Setembro de 2001, a História faz uma inversão no desenvolvimento humano.
Nunca como até aí, a Humanidade teve tanto bem estar, tanto consumo, tanto lazer, pode-se dizer mesmo tanta opulência. E esta riqueza nunca como agora chegou a tantos. A par desta riqueza (mais ou menos de acesso universal) nunca como até aí tivemos tantas liberdades, tantos direitos, tanta segurança. E é este estádio da Civilização que começou a decair em 11/Set!
Vamos empobrecer, ter menos acesso a bens e serviços, menos segurança, menos liberdade, mais medo, mais desconfiança…
Infelizmente, entrámos numa época em que as expectativas de futuros radiosos estão muito sombrias.
Só poderemos confirmar ou não esta inversão de ciclo daqui a muitas décadas, porém esta é a minha visão.
Saudinha.

UM BLOG


Como sabem o Merdex não linka ninguém a não ser...os familiares e amigos. Mas gostaria de recomendar um excelente blog, que acompanho à pouco tempo. É um blog desalinhado e muito interessante. Recomendo vivamente http://o-amigodopovo.blogspot.com/

MEMÓRIAS - O CUBO MÁGICO

Quanto tempo passámos, os da minha geração, a resolver o Cubo?
Saúdinha

DOCUMENTE-SE!


Marcelo Rebelo de Sousa é o exemplo primeiro para o comentador Global. Ele discorre sobre tudo como se estivesse a dar uma aula. Ele é a Verdade. Concordo que ele é, por vezes brilhante, com uma capacidade de comunicação especial e com dotes de convencimento que ninguém duvida do que ele diz. Tenho repulsa por este tipo de “arquétipos” do sucesso, tipo rei na barriga, sempre subentendendo “ Pois, pois,… Fui eu que tive essa ideia…” ou “Eu é que disse…” “Eu tenho a solução única…”
Infelizmente temos muito disso, basta fazer zapping na Televisão, na Rádio, Jornais e Revistas: são sempre os mesmos!
Vem isto a propósito que vi o Marcelo no seu programa de domingo (num telejornal de 2ª feira, que há falta de tema, vivem a passar os seus fabricantes de temas) dizer, com aquela certeza toda, até com uma ponta de ironia : A Federação Portuguesa de Futebol não tem autoridade pois foi ela própria, que empurrou o Gil Vicente para os tribunais…Está no próprio fax da FPF!
Por acaso (melhor, por hábito diário) li A Bola nessa 2ª feira. E estava lá, escarrapachado, o tal fax, assinado por Amândio Azevedo, na íntegra.
Afinal, o que a FPF diz é muito simplesmente, que se considera incompetente para julgar a legalidade do contrato de Mateus com o… Lixa! O Gil reclamou do contrato amador de Mateus mas a Federação não tem que saber se o contrato de um contínuo é legal ou não. São os tribunais. Foi isto que o fax dizia.
Meu caro Marcelo, o senhor professor sabe tanto… mas nem precisa de saber do que fala? Se calhar isso nem lhe interessa. Tem uma audiência à sua espera e não tem tempo. Ouviu trechos da entrevista do Fiúza não foi. Mas que ideia tem dos seus próprios comentários?
Senhor Professor : documente-se!
Saúdinha

MEMÓRIAS - ZAPPA


Decidi, com a devida vénia ao RdM, colar também algumas memórias. Qualquer memória minha e certamente de outros. É também uma homenagem à ideia do RdM.

INDEPENDÊNCIA...JÁ!

O governo publicou no seu site uma lista negra dos maiores devedores ao fisco. Individuais e Empresas. Acho uma boa medida. Andamos todos a dizer que há fuga e evasão fiscal, é um dos maiores problemas reconhecido a nível internacional. É uma questão cultural dizem muitos. Não sei se é, sei que a justiça passa por todos contribuírem na medida do seu rendimento. Passa por todos cumprirem a lei. E é também uma questão de competitividade entre as empresas. Se há uma empresa que foge às suas obrigações fiscais diminui os seus custos e torna-se mais rentável do que aquela que cumpre. Isto é distorção do Mercado. E a consequência mais lógica é aquela que cumpre das uma uma : ou abre falência por não conseguir competir ou deixa também de pagar impostos para poder concorrer. Como se resolve? Fiscalização é a resposta lógica. É verdade. Mas se pudermos alterar mentalidades, se a sociedade condenar moralmente os prevaricadores, se esses se sentirem mal, se sentirem uma repulsa social, ao contrário do que acontece hoje que todos se vangloriam de enganar o fisco, então andamos um passo em frente nessa luta.
E é sintomático que dos cerca de 3000 notificados, apenas foram listados duzentos e pouco. Os outros foram a correr pagar as dívidas, e consta que entraram uns milhões de euros. A seguir será publicado a lista dos devedores à Segurança Social. Também o Estado prometeu listar as suas dívidas. É, na minha opinião, o caminho certo. O caminho da transparência e da salutar relação entre os agentes económicos e o Estado. E agrada-me o consenso geral em torno desta medida. Fico estupefacto quando vejo e leio opiniões chamando ao dia da publicação da lista negra como o Dia da Infâmia (justificando, basicamente, como um atentado à privacidade individual e um estímulo à falsificação das declarações). Enfim, a opinião é livre. Eu diria que infâmia é não pagar impostos. (ver blog Blasfémias).
A lista negra listou os devedores portugueses. Alto. Nem todos. Os devedores madeirenses, por ordem de S.Exa o Presidente Alberto João Jardim, não constavam dessa lista. Não conheço a lei, e portanto se é legal o que AJJ determinou. O que sei é que é aberrante o resultado. Se o Governo da República tem um objectivo e cria instrumentos, estes devem ser para toda a República. Defendo a autonomia, mas não admito que nos objectivos tão importantes como o combate à evasão fiscal, a Madeira fique de fora. E porque razão o soba da Madeira decidiu assim? Não sei, nem interessa. Parece-me que já estamos todos tão fartos dele que defendo a Independência da Madeira.
Independência já!!
Saúdinha

A FORÇA DA ONU


A guerra continua e o mundo continua a assistir à destruição de um pequeno país.
Condoleeza Rice diz que o cessar fogo está iminente, mas todos sabemos que a força de interposição só chegará depois de Israel conseguir os seus objectivos.
A Comunidade Internacional e nomeadamente a ONU vê-se impotente.
Há dias numa conferência de imprensa do primeiro-ministro de Israel ao lhe ser perguntado como reagiria caso a ONU votasse uma resolução que fosse desagradável para Israel.
Ehud Olmert teve um momento de pausa, olhou o jornalista e após uma boa gargalhada disse : Mas a ONU já teve alguma resolução que nos desagradasse?

Assim se vê a força da ONU…

Saúdinha

O ENVELOPE 9?


A Justiça é dos sectores que mais necessita de reforma. Sem a Justiça o país não progride. E, aos olhos do leigo (eu) essa ansiada reforma não avança. Sei que vem aí a reforma do Código Penal, mas de resto…
Quem é o ministro? Aposto que poucos sabem.
O que sabemos todos são dos casos que não avançam ou que são arquivados por falta de provas ou que há condenação mas que o tribunal superior manda anular.
Houve um grande burburinho acerca das férias judiciais, medida altamente demagógica.

Mas escrevo este post, não para discorrer sobre a Reforma da Justiça, mas para cantar a minha revolta, a minha angústia, a minha estupefacção para o epílogo do caso do “envelope 9”.
Como todos se lembram, fazia parte do processo Casa Pia, uma lista de telefonemas feitos a partir de certos telefones. Estes telefones pertenciam a várias pessoas entre as quais muita gente alta na hierarquia do Estado, nomeadamente o Presidente da República. Como se recordam Souto Moura foi chamado de imediato a Belém onde lhe foi exigido esclarecimentos com carácter de urgência. Segundo Souto Moura um processo urgente é coisa para três meses. Seguiu-se o episódio da busca ao 24 Horas, jornal que tinha dado a noticia. Apesar de parecer que se estava a tentar passar as culpas aos jornalistas, lá continuamos à espera de conhecer que raio de motivos havia para o Presidente da República constar dum processo de pedofilia! Depois de confiscarem os computadores à procura de não sei o quê … silêncio.
Já temos outro presidente e soubemos na semana passada que o Tribunal da Relação mandou arquivar o processo pois considerou a busca ilegal!!
Acreditam nisto? É inacreditável! Já percebemos que estes nomes aparecem associados a este processo, presumimos (?) que não têm nada a ver com o dito mas ninguém sabe porquê, ninguém sabe como e ninguém sabe quem!

Mandem o senhor para casa. Depressa. Sejam caridosos. Para quê prolongar toda esta agonia? Ó Souto Moura vai pró c­______o!

Saúdinha

MAIS UM PASSO PARA O ABISMO...


Não sou maníqueista. Para mim não há os bons e os maus. No conflito do médio oriente não sou a favor de Israel nem dos palestinianos. Sou pela Paz.
Não vou aprofundar as razões que, na minha opinião, originaram a crise actual. Só realço uma questão : na altura que, aparentemente a Fatah e o Hamas chegaram a acordo num referendo que abriria espaço para um processo de paz com Israel, aconteceu o rapto do cabo israelita, e o processo evoluiu para a situação actual.
Não tenho dúvidas que há forças em ambos os lados que não querem a paz.
E o que é mais revoltante é que o Líbano estava a ser reconstruído depois da retirada israelita em 2000 e da recente retirada Síria. Era um país com um governo saído de eleições livres onde decorria um plano de privatizações da Economia. Em suma era um país que estava a ser recuperado para o nosso lado. E é esse país que está a ser completamente destruído!
Também sei que Israel pode cometer as maiores barbaridades e ficar impune, só não lhe é permitido uma coisa: ser derrotado. A derrota seria o fim do Estado de Israel.
Como alcançar uma paz nesta situação? Parece-me que a escalada não tem retrocesso e estamos no caminho da guerra. Que é uma guerra mais abrangente, envolve no limite Estados Unidos e Irão e em último grau a tal guerra de civilizações.
É aterrador.
E a comunidade internacional? E a União Europeia?
Quando o governo de Israel declara que os seus ataques estão legitimados pela ONU depois da conferência de Roma não saiu uma resolução no sentido do cessar fogo…
Daqui podemos avaliar da força das Nações Unidas!
E atenção ao pequeno pormenor do aviso da China : a atitude dos USA não querendo condenar o ataque às instalações da Onu e consequente morte de 4 funcionários, vai ter consequências quando se discutir a questão nuclear do Irão…
Estamos a caminhar para o abismo. Esta crise do Líbano é mais um passo…
Saúdinha

EU JÁ GANHEI!



O governo decidiu alterar as contagens de tempo minimo nos parques de estacionamento. Houve uma grande polémica em redor desta medida, que aparentemente, seria objecto de um grande consenso.
Mas parece que as empresas proprietárias dos parques aproveitaram as mudanças de período para aumentarem as tarifas brutalmente.
Eu uso muito esses parques. Há um, o do Martim Moniz onde pagava sempre, estando 10 minutos ou 1 hora, 1,20 €. Como nunca estou mais de 20 minutos acho caríssimo.
Com a nova tabela, já lá fui várias vezes, fico sempre cerca de 20 minutos e pago 0,90 €!
Eu ganhei!
Saúdinha.

DESIGUALDADE

Li um artigo na Visão onde se comentava um artigo do Financial Times. Nesse artigo defendia-se a desigualdade. A desigualdade baseada na capacidade de trabalho, na ambição, nas capacidades individuais, resumindo, no mérito de cada um.
Estou de acordo. Não somos todos iguais, cada um é livre de querer ter mais ou menos, a noção de felicidade é subjectiva, a realização de cada um é diferente dos demais.
Nesse artigo defendia-se essa desigualdade desde que cumpridas três condições :
1ª - A riqueza geral deveria ir aumentando
2ª - Existência de uma rede de segurança para os excluídos dessa riqueza
3ª - Garantia de igualdade de oportunidades.

Completamente de acordo. É da concretização destas 3 condições que cada um pode ser livre de ser o que quiser ser. E como concretizamos essas condições ? É na forma de se chegar lá que deve ser a discussão política, nomeadamente qual a intervenção do Estado de modo a gerar condições para se cumprir aquelas metas.

Na minha opinião :
1ª - O mercado é aquele que responde à necessidade de crescimento económico. É da livre concorrência que nasce a eficácia económica. São os empresários que devem procurar o lucro e investir de modo a criar riqueza que gera emprego. O Estado não deve ser agente económico. Não deve produzir bens e serviços, isso deve ser deixado à iniciativa privada. O Estado tem um papel forte no que respeita à regulação do mercado, à fiscalização e deve ter uma Administração leve e virada para a solução dos problemas. Deve ter uma política fiscal e orçamental de modo a haver acumulação de capitais para investimento e poupança, a redistribuir a riqueza, a criar condições de gerar emprego (liberalização da legislação laboral) e a criar condições de investimento (público e privado) em áreas que têm a ver com o papel que considero motores do desenvolvimento : Escolas, Hospitais, Tribunais, Vias de Comunicação, Defesa, etc.

2ª - O Estado Providência, o modelo social que existe tem que ser alterado. É uma discussão actual, e a única certeza que há é que a continuar assim vai-se chegar a uma altura que não vai haver dinheiro para pagar aos pensionistas, os custos com a Saúde, etc. É uma questão de natalidade, de aumento da esperança de vida e da concorrência global. Estão a ser feitas reformas que dariam outra discussão. Aqui o que pretendo é dar a minha opinião sobre o que um Estado deve intervir nesta questão da rede de segurança aos necessitados. Na minha opinião a grande alteração é o fim da universalidade das prestações sociais e passar a dar-se a assistência a quem realmente necessita. Já foram dados alguns passos nesse sentido, por ex. a nova lei do subsidio de desemprego, da prestação do abono de família. O Estado deve continuar a garantir um rendimento mínimo garantido, a assistência na Saúde àqueles que devido ao seu baixo rendimento não conseguem ter um seguro de saúde mas deve tentar convencionar prestadores de cuidados de saúde, lares de terceira idade, etc pois não é tarefa do Estado prestar esses serviços. Estes serão sempre melhor prestados por privados. Quanto às reformas defendo a capitalização dos descontos feitos por cada um. Essa era o conceito original, mas devido a várias razões o sitema passou da capitalização para a repartição. Hoje o que eu desconto não é para capitalizar mas para pagar a pensão a alguém. Portanto qualquer alteração será sempre muito difícil pois os actuais pensionistas não podem deixar de receber a sua pensão. De que não tenho dúvidas é que o Estado tem que garantir menos. E não me choca se o governo decidisse limitar o montante máximo das pensões para um valor, por exemplo, de 5000 €. Não me parece correcto eu descontar agora para pagar pensões milionárias e saber que vou receber uma pensão mínima (vide estas noticias chocantes sobre a pensão de Manuel Alegre da RDP. Mas não é só ele. Acumulação de pensões e de cargos, tudo a comer à conta do orçamento e depois pedem-nos sacrifícios. É infame!).
Depois temos os desempregados, os deficientes, os idosos… Julgo que é missão de um Estado desenvolvido lutar contra as misérias da sua população.

3ª - Esta é o grande tema. Enquanto esta condição não se cumprir ninguém pode pensar que cada um tem liberdade para ser feliz à sua maneira. E como se consegue isto ? Garantir o acesso à educação, à informação, o acesso à Justiça, lutar contra a miséria, em suma haver igualdade de oportunidades. Se uma criança for para a escola com fome é sabido que não tem capacidade intelectual para apreender os conhecimentos.
A Escola é o inicio do combate à desigualdade de oportunidades. Defendo a escola pública mas defendo também que se introduza a concorrência entre as escolas. Desde a escolha do seu quadro docente (medida a concretizar por este governo ), até à liberdade dos pais a escolherem a escola dos seus filhos. E seria a escolha desses “clientes” que fariam aumentar os orçamentos das escolas.
A Justiça é outro dos eixos para a igualdade de oportunidades. É inaceitável que alguém seja condenado por não ter dinheiro para constituir a sua defesa enquanto outro, pelo mesmo delito consegue, por conseguir um bom advogado, safar-se à respectiva sanção.


Sei que já vai longo, e vou terminar. O mundo seria ideal se cada um vivesse consoante o seu mérito. Para isso é preciso cumprir as três condições de que falava o Financial Times.

Saúdinha

PAI, NÃO PERDOES QUE ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM !


Por despacho do Secretário de Estado da Educação, os alunos poderão repetir os exames finais do 12º ano de Fisica e Quimica sem perderem a hipótese de se candidatarem ao Ensino Superior na 1ª fase.
Justificam com as notas anormalmente baixas nestas disciplinas que têem novos programas.
A Associação de Pais munido de pareceres da Sociedade Portuguesa de Química e da Associação de Professores de Matemática (APM), que denunciaram a existência de «incorrecções nos enunciados, alguma confusão na formulação das perguntas e desajustamento entre o tempo estipulado para a realização da prova e o efectivamente necessário», exige que a repetição de exames se alargue às disciplinas de Matemática e Biologia.
A Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) defende no que este regime excepcional possa ser alargado a todas as disciplinas, embora remeta para o ME qualquer decisão nesse sentido, «dado o impacto organizacional que poderá ter no seu âmbito».
O Ministério já veio dizer que em termos logistícos essa repetição de exames é impossível, no entanto, o Ministério manifesta-se «disponível para, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, analisar» aquela proposta. O porta-voz do Ministério admite que o alargamento deste regime excepcional à generalidade dos estudantes possa acontecer já no próximo ano lectivo.
O que é isto ? Começa por haver incompetência na elaboração de exames ou na incapacidade de transmitir conhecimentos ou ainda desleixo de quem está a estudar para chegar à Universidade, ou ainda uma mistura das três coisas.
Qual é a solução para este somatório de incompetência, incapacidade e desleixo ? Não faz mal, repete-se tudo ! Começa-se tudo outra vez ! E parece que a coisa pode passar a ser a regra. Para o ano há sempre uma segunda oportunidade !
Qual é a mensagem de rigor, valorização do mérito, de responsabilização que se dá ?
Eu aguardo que os responsáveis por esta trapalhada sejam encontrados e punidos. Ou será que , mais uma vez, não há responsáveis ?
Ao contrário de Jesus, eu diria : Pai, não perdoes que eles não sabem o que fazem !
Saúdinha !

FRAUENPARKPLATZE


Lugares de estacionamento para mulheres. Admirados ? Esta placa existe nos parques de estacionamento na Alemanha. São lugares com mais espaço que os lugares normais. Na minha opinião é um atestado de inaptidão para a condução às mulheres. É institucionalizar que as mulheres conduzem, ou pelo menos parqueiam pior que os homens. Não percebo esta discriminação positiva. Há mulheres que conduzem bem e homens que conduzem mal. E todos preferimos lugares amplos. Ninguém gosta de fazer piscinas. Quem não sabe estacionar, não tem licença de conduzir ! Não é verdade ? Eu, se fosse mulher sentia-me insultado por esta placa !Saúdinha

Liberalismo para que te quero

Goste-se ou nao do homem, recomenda-se a leitura deste post do JPP no Abrupto.

Eu concordo!

UMA LAPIDAÇÃO


Fernando Ruas, presidente da câmara municipal de Viseu, numa reunião da assembleia municipal, e a propósito de uma multa a uma junta de freguesia, num processo de fiscalização do ministério do ambiente, teve uma tirada brilhante : “corram-nos à pedrada !” e ainda disse mais : “eu estou a medir muito bem as minhas palavras...”.
E pronto, ficamos assim. Os fiscais passam uma multa ? Corram-nos à pedrada ! A policia passa-me uma multa ? Corre-se esses gajos à pedrada !
Eu, que defendo mais fiscalização a todos os níveis, desde a fuga aos impostos, combate à corrupção, reordenamento do território, construção, etc, etc, fico boquiaberto perante esta solução deste grande estadista, que é, note-se, presidente da Associação dos Municipios !...Por outro lado até que se podia aproveitar a sua brilhante ideia : um apedrejamento ao edil. A velha lapidação poderia ser restaurada nesta situação ! Quem alinha ?
Saúdinha